INTRODUÇÃO
Caro amigo pesquisador do Esoterismo e buscador da Verdade. De alguma forma você obteve, por meio da sua infatigável procura, algumas informações a respeito do Jessenismo, as quais serão agora ampliadas nesta Carta de Contato 1.
Nesta oportunidade queremos apresentar-lhe a nossa mui Sagrada Escola, isto é, a nossa oficina de trabalhos discipulares iniciáticos. Para isso precisamos oferecer-lhe algumas informações preliminares sobre essas atividades, sobre os ritos que as consagram e sobre o caminho que elas abrem, bem como por que nos dedicamos dia e noite, de forma plena e mui consciente, à sua realização.
Devemos explicar um pouco o que é essa mui consciente obra espiritual realizada na forma de trabalhos discipulares iniciáticos em nossa Escola de Mistérios.
Para falar das nossas atividades iniciáticas devemos antes falar da grande história do homem neste planeta. Desde que o homem surgiu na Terra, ele se destacou dos demais seres terrestres por possuir mente, capacidade de raciocínio e de assimilação de conhecimentos. Essas faculdades destinavam-se a fazer dele o dono e dominador absoluto deste planeta. Cabia a ele certo grau de nobreza, de realeza. Ora, para haver realeza deve existir Coroa, Rei e Reino. Essas três coisas são importantes para o estudante de Cabaláh, de tal modo que, durante toda a sua iniciação, ele lidará com os conceitos espirituais de Kether (Coroa em hebraico), Melek (Rei) e Malchuth (Reino).
A palavra Coroa designa um objeto de ouro e pedras preciosas feito em determinado formato para encaixar-se na cabeça do rei. O rei tinha que ter uma Coroa, porque na Bíblia, no livro de Provérbios, capítulo 14, verso 18, é dito que “os prudentes serão coroados de conhecimento”. Sim, o rei precisava ser um homem hábil, de conduta precavida, exímio planejador e organizador, repleto de conhecimentos a respeito dos recursos que superabundam na Terra. Só assim ele poderia originar e operar a riqueza do seu reino. Noutro sentido, outra parte da Bíblia, o Salmo 8, verso 5, diz o seguinte: “Pois fizeste o homem pouco menor que os Anjos, e de glória e de honra o coroaste”. Nessa passagem o simbolismo da Coroa ou Kether vai além da figura de ornato real. Ela designa o homem como um parente próximo dos Anjos, seres santos da presença de Deus, e coroado de qualidades espirituais tanto quanto eles.
Mas, para efeito de compreensão do modo como o homem foi-se tornando dominador de suas riquezas, é preciso explicar o seu surgimento na Terra e mostrar como, no avançar dos séculos e milênios, ele se revelou como alguém dotado da capacidade mental de liderança, de reinado. É preciso mostrar também como esse homem dinamizou essa capacidade, fazendo com que esses dons se tornassem bens especiais, com os quais ele realmente começou a demonstrar que era um rei.
Transcorridos os séculos, milênios e grandes espaços de tempo que se seguiram ao aparecimento da humanidade na Terra, o homem, induzido por suas faculdades mentais, saiu da pré-história, da vida selvagem e animalesca, nômade, solitária e primitiva. Foi assim que ele caminhou para a formação de grupos, primeiramente sua família, em seguida, grupos maiores, estabelecendo, então, as sociedades e, desse modo, tornando-se um ser mais civilizado. Ele passou, com o curso das eras e de grandes espaços de tempo, a organizar cidades, a constituir culturas e a desenvolver habilidades importantes tais como as técnicas agrícolas, pastoris, militares, de construção etc.
Durante esse longo desenvolvimento, o homem teve de lidar com as forças da natureza, isto é, com fogo, relâmpago, ventos, maremotos, terremotos, vulcões, inundações, com o céu e suas estrelas, cuja marcha anunciava dias de fertilidade, de chuvas e de plantio, com o sol e sua rota celeste, que determinava calor brando e fertilizante ou calor escaldante e causador de secura, de infertilidade do solo e de carestia das colheitas. Todos esses fatos e fenômenos o rodeavam e ele precisava compreendê-los suficientemente para dominá-los a seu favor; afinal ele era rei, tinha uma coroa e devia tomar grandes porções de território para estabelecer o seu reinado e reino.
Para auxiliar o rei na árdua tarefa de controlar os elementos da natureza e utilizá-los a seu favor, surgiu na sociedade um grupo de pessoas preparadas por um organismo mais angélico do que humano chamado Escola de Mistérios. Esses homens assim preparados eram sábios iniciados nos segredos dos mundos divinos. Eles estudavam os segredos de Deus e da criação, conheciam tanto o mundo espiritual quanto o espaço de manifestação da natureza física e dos seus mistérios, suas forças e o modo como essas forças são geradas no mundo material. Além disso, eles sabiam que na contraparte do mundo material existem seres invisíveis imperfeitos e os Santos Anjos, que são seres invisíveis perfeitos. Todo esse conhecimento dava a tais iniciados uma inigualável capacidade para administrar e controlar as riquezas da Terra.
As Escolas de Mistérios são organizações surgidas desde os primeiros dias do homem terrestre, para colocá-lo diante do Portal dos Anjos. É interessante notar que, no reinado do homem primitivo, rústico, do início do ciclo de vida da Terra, ele precisava aprender, entre outras coisas, como dominar certas condições da natureza e, então, as Portas das Escolas de Mistérios o aproximavam desse conhecimento. Atrás dessas Portas, o homem que precisava ser Rei (Melek em hebraico) tinha a companhia dos Santos Anjos (Malahim em idioma hebreu).
A Terra que conhecemos nem sempre foi como a vemos hoje. Houve um passado planetário mui remoto do qual falaremos nas nossas instruções escritas e orais. Trata-se de um passado terrestre tão remoto que só podemos mensurar e imaginar por comparações e analogias. Uma ideia que podemos fazer dessa Terra primitiva é a de um corpo no espaço ainda sem forma física suficientemente desenvolvida para receber a presença dos seres humanos. Ela não tinha ainda a configuração de um reino, e nela a humanidade não poderia reinar. O Logos de Deus precisou prepará-la como um Jardim para que o homem nela surgisse.
Em outro momento, porém, essa Terra se desconfigurou, deixando de ser o Jardim de Deus e o Paraíso do Homem. Houve trevas e muitas eras primitivas, e aqui os Anjos, luminares de Deus, não podiam aparecer em sua plenitude, porque todas as coisas estavam em caos e escuridão. Em seguida houve alguma ordenação, mas o estado geológico do nosso planeta ainda era mui primitivo e sem a presença plena dos instrumentos luminosos angélicos de Deus. Foi necessária, então, uma preparação para que esses Santos Anjos formassem, nessa Terra primitiva, lugares onde alguma organização superasse o caos. O homem precisava ser acompanhado e guiado, por isso os Anjos vieram para oferecer-lhe algum possível auxílio espiritual, alguma forma de organização divina. Data dessa época a formação das Escolas de Mistérios, dos seus Portais e do seu interior angélico hermeticamente fechado, de difícil acesso direto.
No início da formação geológica da Terra, houve, portanto, um longo tempo em que o caos reinava quase que absoluto, impedindo a ação dos seres da Ordem Divina. Se uma intervenção nesse estado de coisas não ocorresse, nem mesmo a vida em seus aspectos gerais poderia vingar sobre o planeta. Em razão disso, antes de surgir o homem na Terra, aqui vieram os Santos Anjos para criar as condições atmosféricas e de solo necessárias para que a sociedade humana se estabelecesse e, por fim, as sublimes organizações espirituais denominadas Escolas de Mistérios se manifestassem.
Na época do surgimento das Escolas de Mistérios, a ignorância do homem era tão profunda, e sua vida beirava um caos tão agudo, que foi preciso os Anjos aparecerem para ele de forma indireta, com o intuito e a missão de tirá-lo do estado de infantilidade e direcioná-lo para o estado de maturidade. Para atingir esse objetivo, os Anjos tiveram que cuidar de toda a estrutura e configuração das Escolas de Mistérios.
Devemos saber que a Verdade pertence a uma ordem de existência delicada, sublime e muitíssimo distinta do que desde o começo geológico da Terra foi constituído pelo caos. Os modos como a Verdade se manifesta, se desenvolve, se estabelece e gera as suas operações de progresso existencial não são compatíveis com os modos e operações da existência originada a partir do caos. Por essa razão, o homem primitivo, que vivia numa situação mui próxima do caos, precisou ser “ninado” a certa distância pelos Santos Anjos e, assim, receber as primeiras noções sobre a Deidade, isto é, sobre Deus como fonte da Verdade.
A Verdade é algo que está no Ser de Deus segundo uma dinâmica mui difícil de ser imaginada pelo homem atual e, portanto, quase impossível de ser assimilada pelo homem primitivo. Só poderemos imaginar o que é a Verdade se tivermos em mente o modo como ela age nos Seres Angélicos e nas moradas da Santa Luz. Para termos uma ideia da grandiosidade e da magnificência da ação da Verdade nos Seres Angélicos, imaginemos uma imensa Luz faiscante, na qual se encontram em contínua atividade imagens divinas misteriosas, sons incrivelmente belos e potências acústicas tremendamente poderosas. Esses sons melódicos se juntam para formar palavras, sentenças, discursos incríveis, referentes ao que Deus é. A linguagem desses sons e discursos é, como dizia o grande rosa+cruz Jacob Boehme (1575-1624), especificamente divina e sem comparação com as línguas dos homens, dos povos e das nações. E a finalidade dessa linguagem é discursar e oferecer Conhecimento (Gnosis em grego, Daat em hebraico).
O Conhecimento age no Anjo como uma brasa e como faíscas luminosas que engrandecem muitíssimo a sua natureza, elevando o estado de vida desse Anjo a graus ainda mais sublimes e magnânimos. O mesmo pode ocorrer com o homem caso ele assimile esse Conhecimento.
Quando o homem começou a assimilar a linguagem da Verdade e, assim, a colocá-la como brasas e faíscas sublimadoras do seu ser, seu comportamento social começou a elevar-se. Aconteceu também de o homem precisar formar novas nações, para que surgissem línguas mais adaptadas às sublimes imagens falantes que essa mesma Verdade gera nos Anjos. E três línguas surgiram com esse propósito: o grego, o hebraico e o latim. Nesses três idiomas a palavra para Verdade tomou forma mui especial. Em latim surgiu a palavra Vera, em hebraico surgiu a palavra Emet e em grego surgiu a palavra Aleteia.
Nós jessênios acreditamos que o latim surgiu apesar de muitos percalços e do imperialismo romano, para dar formato às Escrituras Sagradas na versão latina utilizada pelo gnóstico galego Prisciliano.
O latim primitivo, denominado latim de inscrições, teve origem no século VII a. C. e coincidiu com um grande momento espiritual que estava prestes a eclodir na Itália. Referimo-nos a um período entre os séculos VI e V a. C. em que os Mistérios Gregos, em particular os Mistérios Pitagóricos, pouco a pouco chegam às terras que mais tarde formariam a Itália. O homem começa, então, a adquirir qualidades pessoais que o capacitam a percorrer a senda iniciática oferecida pelas Escolas de Mistérios, em virtude do seu amadurecimento já bem superior ao do homem de épocas anteriores.
O fato que realmente consideramos um marco dos primeiros tempos da civilização humana sobre a Terra diz respeito aos povos que começaram a falar as línguas grega, latina e hebraica. Nesse tempo uns poucos homens foram elevados pelos Anjos à qualidade de sábios, enquanto outros puderam conhecer a natureza, a habilidade nas artes e certo nível de sentimento religioso.
Os primeiros seres humanos organizados de forma civilizada traziam muitas características do seu passado selvagem, mas os Anjos conseguiram elevar alguns deles ao nível de sábios e conhecedores dos segredos acerca da Verdade, de Deus. A humanidade em geral precisou sair da sua selvageria primitiva, aprender a falar, a expressar seus pensamentos e sentimentos, apresentar algum nível racional e intelectual, bem como apresentar um estado de aspiração e admiração pelo Sagrado. Só depois disso os Santos Anjos se aproximaram dos que manifestavam destacada aspiração e admiração pelo Sagrado e, assim, puderam conduzi-los pelas Sendas das Escolas de Mistérios e conferir-lhes a qualidade da Sabedoria.
Alguns homens avançaram nessa época em que a Sabedoria começou a ser ofertada, mas apenas em níveis bem baixos. Eles adquiriram a capacidade de observar os fenômenos da natureza, o espaço celeste, os ventos, as tempestades, os relâmpagos, o giro fixo e curvilíneo dos astros no céu e outros tantos acontecimentos naturais para os quais não tinham explicação, mas que muito admiravam. Essa admiração tornou-se motivo de culto aos poderes da natureza, que foram transformados em deuses.
A fala, uma capacidade unicamente humana, com seus tons variantes entre o diálogo, a recitação poética e o canto, serviu não só para que o homem estabelecesse comunicação entre os seres de sua espécie, mas também para que procurasse exaltar e descrever o que até então conseguia perceber e compreender acerca das operações da natureza, para as quais ele deu características deíficas. Essa forma de relacionamento e de comunicação com deuses naturais, que se desenvolveu entre os povos do Oriente, gerou, especificamente entre o povo hindu, a técnica sonora da Mantra-Ioga, um método de prática esotérica que transforma a fala e o canto em uma magia acústica que permite ao mago (sacerdote encarregado de se aproximar, mais que os demais humanos, das operações da natureza) interagir intensamente com os fenômenos naturais e controlá-los.
A Mantra-Ioga é, portanto, um ramo do conhecimento espiritual hindu surgido em épocas mui remotas e voltado ao uso mágico da voz e de seu aparelhamento para o culto dos deuses naturais. Era preciso que os sábios hindus tivessem percepções ainda mais sutis e elevadas, bem como um aperfeiçoamento espiritual, para que finalmente desenvolvessem faculdades perceptivas e imaginativas com a propriedade de contribuir para a concepção de um Deus único, fonte de todas as coisas, dotado também de fala e canto especiais, porém, muito mais sutis e nobres que os produzidos pelos deuses naturais. O homem também deveria subir de grau de Sabedoria e aprender a produzir fala, sons e cânticos apropriados para a louvação e interação com a Deidade Suprema. Haveria que se entender que essa Deidade tinha um Poder de Fala com potencialidades criadoras e que essas potencialidades, além de se espalharem ao redor dEla como luzes e esplendores misteriosos, também se tornavam dotadas de Ser e se organizavam junto com esses esplendores misteriosos como Anjos de elevada estatura e natureza divina. Nesse nível não há mais que se falar de Mantra-Ioga, porém, de uma atividade mágica muito superior.
Entre os povos hindus surgiram as Escrituras Sagradas denominadas Vedas, durante o tempo em que a espiritualidade oriental crescia em Sabedoria. Essas sublimes Escrituras informam o que falamos no parágrafo anterior. A respeito de Krishna, figura deífica representante do Deus Supremo, elas narram, por exemplo, que sua mãe quis olhar dentro da boca do filho enquanto ele cantava, o que ele impedia sempre. Certa vez, surpreendendo-o, ela olhou atrás de seus lábios e, como que fulminada por uma visão extraordinária, caiu desmaiada. Após recuperar os sentidos com a ajuda do filho, este lhe perguntou o que ela havia visto dentro de sua boca. Ela respondeu: "Vi sóis, mundos, planetas, estrelas, luzes que pareciam faíscas aladas, e deuses mui sublimes, que se movimentavam conduzidos e induzidos pelo som de Sua música, tal como a música domina e determina o movimento dos dançarinos".
Essa descrição magnífica do que a mãe do deus hindu Krishna viu na boca do seu filho já não corresponde a um relato de um povo selvagem e rústico, praticante de religião naturalista. Algo muito superior, referente ao poder acústico e às possibilidades humanas de apreciá-lo e operá-lo, surgiu e possibilitou o relato védico de que nos ocupamos neste momento. Porém, os Vedas e também os iogues continuaram a chamar essa operação e dinâmica dos sons divinos de Mantra-Ioga.
Em sânscrito, língua antiga da Índia e dos Vedas, a palavra Mantra evoluiu de significado passando a designar man- mente e tra- libertação. Cantar uma música mágica, ou seja, cantar um mantra, passou a significar a ação de fazer a mente humana, onde estão as faculdades de assimilação do conhecimento, do raciocínio, do pensamento, da vontade, da razão, da intuição e da iluminação, soltar-se de si mesma, elevar-se e ligar-se ao mundo santo de Deus e de seus Anjos, suas Faíscas Angélicas Luminosas. Nessa ligação o homem recebe a força e o conhecimento necessários para o seu desenvolvimento espiritual. Os cristãos dos primeiros anos do Cristianismo conheciam, em vez de mantras, a Salmodia, ou seja, a organização dos sons sob a forma de orações e súplicas. A maioria dessas orações era cantada segundo normas secretas, que só os iniciados conheciam. Seu nome em hebraico é Masquil.
Todas as línguas dos povos antigos receberam novas propriedades espirituais à medida que se lhes acrescentavam novas camadas da Sabedoria. Pouco a pouco elas ganharam princípios sonoros que lhes possibilitavam expressar os poderes acústicos que os Anjos e Deus usam diária e constantemente, ininterruptamente, para regerem o movimento, a vida, as energias e a essência de tudo o que foi criado. O segredo da manipulação mágica da voz e da linguagem, isto é, o segredo das técnicas de Salmodia, foi entregue pelos Anjos, no começo da civilização humana, aos sábios iniciados, os quais foram constituídos mestres das Escolas de Mistérios. Aqueles que desejavam aprender esses segredos tinham que se dirigir às Escolas de Mistérios e pedir aos sábios mestres que a dirigiam a admissão no grupo de discípulos. Essa admissão ficou conhecida com o nome de Iniciação nos Mistérios. O iniciado era o discípulo que avançou para além dos estudos dos três grandes ramos do conhecimento espiritual já mencionados: a arte, a ciência e a religião. Ele iria, para sermos mais claros, olhar para o interior da boca de Deus e contemplar todo o vasto segredo do poder sonoro criador divino.
A Salmodia esotérica que chegou ao povo de Israel veio do Egito. Lá na terra dos Faraós os sons da Salmodia eram os princípios alados que faziam dos deuses os grandes organizadores de toda a Criação. Entretanto, devemos observar um arcano fundamental referente ao Nilo e sua Nação de Mistérios. Ali os deuses dotados de poderes acústicos elevados, comparáveis aos Anjos citados na Bíblia, carregam consigo o simbolismo da Cruz Ankh (#) e o Bastão de Comando (‘,S).
No mundo secreto esotérico acessível apenas aos altos iniciados, o Egito é chamado de Terra do Bastão Sah (S). O Egito é, pois, a Terra do Bastão de Comando. Nós podemos notar essa característica do Egito na seguinte passagem bíblica: “Então Moisés e Arão foram a Faraó, e fizeram assim como o Senhor ordenara; e lançou Arão a sua vara diante de Faraó, e diante dos seus servos, e a vara tornou-se serpente. E Faraó também chamou os sábios e encantadores; e os magos do Egito fizeram também o mesmo com os seus encantamentos. Porque cada um lançou a sua vara, e elas tornaram-se serpentes; mas a vara de Arão tragou as varas deles. Porém o coração de Faraó se endureceu, e não os ouviu, como o Senhor tinha falado (Êxodo 7:10-13)”. Note caro leitor que se trata da figura de uma vara e serpente (S^) por meio da qual são emitidas para o Faraó falas que ele não ouve e não atende.

Três países – Egito, Israel e Grécia – aparecem nos primórdios da humanidade como lugares onde o segredo da Magia Sonora Angélica de Deus foi notado, assimilado e transformado em instrumento iniciático de todos os que anelavam alcançar a Verdade e a Luz. Isso quer dizer que, pouco a pouco, a crescente manifestação da Sabedoria gerou nações, povos e homens à frente do seu tempo e dos seus conterrâneos. Os corações e as mentes desses homens assimilaram porções maiores do Saber divino e eles tornaram-se, por essa razão, sábios especiais que muito trabalharam na Antiguidade.
Alguns sábios da Antiguidade deixaram na Terra seus nomes e seus ensinos marcados como que em letras de fogo oriundas do Saber divino. Fo-Hi, Rama, Lao-Tsé, Confúcio, Akhenaton, Hermes, Zaratustra ou Zoroastro, Orfeu, Pitágoras, Sócrates, Platão, Moisés e Jesus são alguns deles. Jesus foi o mais elevado; se os outros viram o interior da boca de Deus, e o som de Seu Verbo ou Palavra criadora gerar e dinamizar a Criação, Jesus foi o próprio hálito sonoro dessa boca de Deus.
Dito de uma maneira mais simbólica e abrangente, no transcurso dos ciclos de desenvolvimento geológico, enquanto a Terra se preparava para abrigar o homem de forma mais apropriada, ela foi inundada de bocas gloriosas repletas do hálito e da voz da Sabedoria de Deus. Essas bocas tomaram nomes como os citados acima e cada uma falou e instruiu acerca do Ser Misterioso de Deus durante um tempo determinado pelos desígnios da Luz divina.
Todos esses grandes Instrutores da humanidade fundaram ou dinamizaram o tipo de escolas das quais falamos no início deste livreto – as Escolas de Mistérios. Eles dividiram os seus ensinamentos em dois grandes ramos: um denominado ensinamento exotérico, destinado à população em geral, aos homens das massas ou multidões, que não apresentavam as aptidões necessárias para receber diretamente os altos segredos da sabedoria; e outro denominado ensinamento esotérico, repleto dos altos segredos e mistérios acerca de Deus, de Suas forças, de Seus Anjos, bem como dos princípios da natureza, segredos profundos que exigem, daquele que os quer adquirir, operar e dominar, uma aptidão específica, bem como elevados dons de dedicação, disponibilidade, bondade, espiritualidade e devoção. O ensinamento esotérico destina-se aos discípulos do grupo interno das Escolas de Mistérios.
Evidentemente que, por pertencer somente a poucos, a uma elite muito seleta e de alma nobre, o conhecimento esotérico tem a tendência de sempre desaparecer da Terra, enquanto o exotérico, radicado entre as multidões, geralmente permanece pelos séculos afora. Assim, os registros dos ensinamentos dos grandes sábios do passado só dão conta do pensamento mais resumido, mais geral, mais acessível ao povo, por ser exotérico. Já os registros esotéricos desapareceram quase que completamente, deixando apenas sinais esparsos e quase imperceptíveis de sua existência. Reside nesse fato um problema que gerou na história das sociedades humanas muitos conflitos, muitas disputas religiosas e o derramamento de muito sangue. Como o ensinamento esotérico dos grandes instrutores espirituais desaparece, ficando apenas o mais geral, o exotérico, a Inteligência divina viu-se forçada a enviar de volta à vida terrestre esses mestres que, periodicamente, recuperam os ensinamentos perdidos e reformam o ensinamento mais geral, exotérico, adaptando-o para novos tempos. Mas no seu retorno os instrutores encontram o ensinamento velho, além de deturpado, elevado ao grau de única verdade e manipulado por senhores pretensiosos, que a si mesmos se nomeiam como únicos e fiéis representantes daquele ensinamento.
Os mestres reformadores, ao retornarem à Terra, acabam por se tornar inimigos dos representantes da religião que almejam reformar em seu lado exotérico e recuperar em seu lado esotérico. Dessa forma, pretendendo defender a originalidade do pensamento exotérico de uma linha de ensinamento, seus representantes acabam por perseguir e assassinar os Enviados da Luz. O caso de Jesus Cristo foi o mais destacado de todos esses ataques feitos contra os mestres-profetas de Deus. Ele próprio, tendo em vista esses ataques, lamentou-os profundamente às portas da cidade israelita de Jerusalém, dizendo: "Jerusalém, Jerusalém, que mata e apedreja os meus profetas. Quantas vezes eu quis ajuntar-te como a galinha ajunta os seus pintinhos, mas tu o recusaste".
Jesus estava, em seu tempo, reformando a velha religião de Moisés em seu aspecto exotérico e reapresentando os desaparecidos aspectos esotéricos do ensino daquele profeta israelita. Em Jerusalém residiam os representantes da religião de Moisés. Eles achavam que Jesus era um grande inimigo que queria deturpar os ensinos antigos e introduzir invenções, novidades e falsas doutrinas. Obcecados por essas opiniões, eles apresentaram fortíssima resistência e oposição aos ensinamentos de Jesus.
Além de enfrentar as dificuldades ocasionadas pelos representantes legais da religião de Moisés, Jesus teve de enfrentar também os aspectos típicos da era em que ele surgiu na Terra. Mais tarde iremos tratar desses aspectos, visto que eles são muito importantes para que entendamos os esforços dos grandes Enviados Luz, mestres instrutores da humanidade, e assim cooperemos com o trabalho espiritual por eles inaugurado na matéria, no seio das civilizações humanas.
Jesus, por sua vez, gerou seus grandes Mensageiros e Profetas a partir da Luz. Foi desse modo que apareceram, depois dos apóstolos, Valentin Gnóstico e também Hermas, autor de um apócrifo chamado O Pastor. Outros Enviados da Luz e Mensageiros, tais como Mani, Prisciliano e Paulo de Samósata, serão conhecidos mediante a leitura dos nossos livretos de Contato.
CAPÍTULO 1 AS GRANDES RELIGIÕES ANTIGAS QUE ILUMINARAM OS CAMINHOS ESPIRITUAIS DA HUMANIDADE |
Caro pesquisador. Desejamos apontar-lhe o caminho da Verdade tal como ele se encontra compreendido e praticado por nós jessênios. Para iniciarmos este diálogo com você baseamo-nos na hipótese de que no decurso de sua busca espiritual estiveram presentes certos acontecimentos que lhe causaram impacto e motivação, originando no seu estado de ser interior um movimento alquímico que foi aumentando progressivamente.
Vários sábios do passado descreveram esses acontecimentos que marcam a vida do buscador da espiritualidade, de modo que a literatura esotérica mundial está repleta de informações a seu respeito. Pensemos, por exemplo, nos ditos 1 e 2 do Evangelho de Tomé descoberto em Nag Hammadi, que reproduzimos a seguir: “Aquele que procura o significado oculto destas palavras não passará pela morte. Quem procura não cesse de procurar, e quando achar será movido, uma vez movido se maravilhará e, então, conhecerá o Todo”.
Se você, amigo pesquisador, é um amante da Bíblia, poderá encontrar o que acabamos de dizer nas seguintes passagens das Santas Escrituras: “1ª - Esquadrinhemos os nossos caminhos, e provemo-los, e voltemos para o Senhor (Lamentações 3: 40); 2ª - Eis que ponho diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte (Jeremias 21: 8); 3ª - E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu (Atos 9: 3); 4ª - Beberá do ribeiro no caminho, por isso exaltará a cabeça (Salmos 110: 7); E caminharam, e vieram a Moisés e a Arão, e a toda a congregação dos filhos de Israel no deserto de Parã, em Cades; e deram-lhes notícias, a eles, e a toda a congregação, e mostraram-lhes o fruto da terra (Números 13: 26)”.

No parágrafo anterior voltamos a mencionar o nome de Moisés, grande profeta e líder do povo da antiga nação de Israel. A história dessa nação que, em épocas remotas, instalou-se no Oriente Próximo, nas praias do Mar Mediterrâneo, constitui parte do livro espiritual que conhecemos como Bíblia.
O formador da nação israelita foi o patriarca Abraão, muito anterior a Moisés. Abraão, natural duma antiga cidade caldaica denominada Ur, situada na região conhecida historicamente pelo nome de Mesopotâmia, recebeu especial atenção tanto de grandes mestres como da onda invisível de seres angélicos. Esses mestres e Anjos retiraram Abraão do seio de sua antiga família, de sua terra natal, e transmitiram-lhe conhecimentos espirituais, ao mesmo tempo que o fizeram migrar para terras orientais até o Egito. Nas terras egípcias, outros grandes mestres administravam Escolas de Mistérios que seguiam linhas de conhecimentos sagrados muitíssimo antigas. Eles as reformavam de tempos em tempos, sempre, porém, recuperando e mantendo os seus aspectos esotéricos de uma forma viva e eficiente.
A religião egípcia ensinava aos seus adeptos que Deus era, em sua manifestação cósmica, pura Luz, e, por causa disso, habitava todos os corpos luminosos, em especial o Sol.
De acordo com os antigos mestres egípcios, Deus, no trono do Sol, regia a vida terrestre e todas as manifestações da Criação na Terra, utilizando-se das forças luminosas. Esses instrutores ensinavam aos seus discípulos que cada ser humano guardava dentro de si a possibilidade de assimilar essas forças e de realizar com elas a transformação e o aperfeiçoamento de seu interior, de sua mente e do mundo que o cercava. À medida que ele dominasse essas forças, transformar-se-ia num mago-sacerdote. Continuando o seu aperfeiçoamento, o homem transformado em mago-sacerdote poderia construir um corpo espiritual próprio para habitar no seio puro, imutável e eterno da luz solar.
A Sabedoria de Mistérios egípcia viu o surgimento da Criação primeiramente nas Águas, depois na Pirâmide, em seguida no Sol, na Luz e nos deuses solares. Foi exatamente essa doutrina que Abraão encontrou no Egito.

Ao descer para o Egito, Abraão deparou, portanto, com o clero daquela nação ocupado em instruir seus discípulos nos elevados arcanos ou aspectos da doutrina sobre a manifestação de Deus nas águas, na Pirâmide e nas forças solares. Ele conviveu com os dignatários dessa doutrina, bem como com os mestres que o retiraram da sua cidade na Caldéia. Desses contatos surgiu o corpo de doutrinas da primitiva nação israelita. Depois de Abraão, Isaque, seu filho, seguiu o Caminho espiritual dos mestres de seu pai, e Jacó, filho de Isaque, também seguiu a mesma linha doutrinária. Jacó teve doze filhos. Cada um deles, com a sua descendência, deu origem a uma tribo da nação de Israel. Durante esse tempo, os israelitas habitavam tanto a região conhecida mais tarde como Palestina quanto o Egito, locais onde aprenderam os grandes segredos do conhecimento espiritual, da sabedoria divina.
Com o passar dos anos, a nação israelita caiu sob o poder de um faraó egípcio denominado Ramsés e de amiga tornou-se escrava, sofrendo toda sorte de opressão e sendo submetida a serviços forçados. Foi quando nasceu Moisés entre os israelitas, ou seja, entre os hebreus.
O faraó Ramsés, com receio de um supercrescimento populacional dos israelitas, baixou um decreto que mandava matar toda criança do sexo masculino que as mulheres hebreias viessem a gerar. Utilizando-se de um ardil, a mãe e a irmã de Moisés ocultaram-no até a idade de seis meses. Não podendo mais escondê-lo, a mãe de Moisés e sua irmã colocaram-no numa cesta impermeabilizada e atiraram-no no rio Nilo. A criança desceu o rio flutuando e acabou dando num lugar em que as princesas egípcias tomavam banho. Uma delas, notando que o menino no cesto era hebreu, quis adotá-lo; entretanto, a irmã do menino, que seguiu o cesto pelas margens, aproximou-se e, alegando que a criança precisaria ser amamentada, pediu que pelo menos a princesa permitisse a uma hebréia amamentá-lo. Uma vez recebendo a autorização, a irmã de Moisés levou-o de volta à sua verdadeira mãe.
Quando Moisés passou da fase de amamentação, foi devolvido à princesa egípcia, que o criou até a fase da adolescência. No Egito era costume entregar os adolescentes da realeza aos sacerdotes, para que eles os observassem e cuidassem de sua educação. Os jovens que tinham dons comerciais eram preparados para o comércio; os que tinham dons militares eram entregues ao exército; e os que tinham dons espirituais eram encaminhados para a Iniciação.
A Iniciação era o processo de admissão de discípulos no sistema religioso e filosófico das crenças espirituais egípcias. Moisés, ao ser entregue para os sacerdotes, acabou recebendo a Iniciação. Ele foi levado para Tebas e Menfis, centros importantes do clero egípcio, onde recebeu o conhecimento esotérico, ou seja, o conhecimento secreto e elevado que incluía o estudo da astrologia, da magia, da filosofia, das ciências alquímicas, da medicina, do processo de mumificação, da arte de escrever ou desenhar os hieróglifos templários e tumulares, bem como de copiar o Livro Egípcio dos Mortos.
Durante os seus altos estudos esotéricos, Moisés foi descobrindo que, por detrás de todo conhecimento que os mestres egípcios lhes passavam, sobressaía a crença em um Deus supremo, criador e mantenedor do universo, rodeado de uma companhia de deuses. Esses deuses eram seres muito sublimes e elevados que podiam nascer na Terra entre os homens terrenos mergulhados na matéria, para civilizá-los, educá-los, transmitir-lhes conhecimento espiritual e conscientizá-los de que a vida terrestre é uma peregrinação no erro, na dor, na miséria, nas doenças e no sofrimento, que só se torna útil se o homem a direciona para a realização espiritual, para a Iniciação. A Iniciação consistia em uma série de procedimentos por meio dos quais o discípulo ia purificando o seu ser interior, a sua alma e a sua mente, até alcançar uma ligação com o reino dos deuses, uma ligação com a Luz suprema de Deus e de seus deuses. À medida que essa ligação ia se tornando mais forte e mais plena, o discípulo alcançava a capacidade de construir outro corpo físico, invisível, imutável, leve e eterno, com o qual ele podia passar para uma existência eterna. O nome desse corpo era Sahu.

Todo esse conhecimento também existia entre os poucos sacerdotes hebreus que foram escravizados pelo faraó Ramsés. Moisés pôde constatar a conservação da tradição santa dos hebreus pelos sacerdotes. Eles guardavam zelosamente os ensinamentos entregues a Abraão, a Isaque e a Jacó, bem como aos doze filhos de Jacó, denominados Doze Patriarcas. Era preciso, porém, recuperar inteiramente a parte esotérica dessa tradição e renovar sua parte exotérica, para que ela pudesse gerar, por um lado, profetas e iniciados e, por outro, um povo regido por leis sociais mais espirituais, mais justas, mais coesas e mais eficientes.
Quando Moisés entendeu que era sua missão reformar a tradição semita, a tradição dos israelitas, ele iniciou uma longa peregrinação por outros centros iniciáticos do Oriente. O mais importante desses centros era chefiado por Jetro, hierofante dos povos do deserto de Sião, da península árabe. Ao encontrar-se com Jetro, Moisés contatou a tradição oriental mais antiga da terra e conheceu Ziporáh, filha de Jetro que viria a ser sua esposa. Foi nessa época que ele, pastoreando o gado de seu sogro, aproximou-se do Monte Orebe e teve lá uma visão mágica, por meio da qual entrou em contato com uma manifestação dos deuses de Deus, com os Anjos divinos do mundo da Luz. Ali ele recebeu oficialmente a incumbência profética de reformador da religião esotérica e exotérica do povo israelita.
Moisés retirou-se do Monte Orebe, o monte de sua visão celeste, elevado ao grau de legislador e profeta de Deus. Ele retornou para o povo hebreu escravizado no Egito e começou um processo político e espiritual para libertá-lo. Diversas vezes teve de enfrentar o faraó Ramsés e os sacerdotes egípcios, até que, por fim, conquistou a libertação de seu povo.
No tempo da luta de Moisés para libertar seu povo, ficou muito famoso o bastão que ele recebeu no Monte Orebe, cujo nome, contam os Midraxes[1], era Sah. Foi ao toque desse bastão que as águas do Mar Vermelho foram abertas para o povo israelita passar.
Tendo atravessado o Mar Vermelho e sendo guiada pelo bastão Sah de Moisés, a nação israelita partiu para uma peregrinação pelo deserto da Península Sinaítica que durou quarenta anos. Durante esse período, Israel recebeu os primeiros livros de sua Bíblia, o Pentateuco ou Toráh, composto dos cinco livros chamados Livros de Moisés, que são o Gênesis, o Êxodo, o Levítico, os Números e o Deuteronômio. Também nesse período surgiu o chamado Tabernáculo, ou templo desmontável, cujo modelo foi utilizado bem mais tarde para a construção do Templo de Salomão.
Ao término dos quarenta anos de peregrinação pelo deserto, os israelitas chegaram às terras de Canaã e as conquistaram após duras guerras. Aquela região tornou-se, então, o país de Israel, dividido em doze tribos e organizado como uma nação sacerdotal, regida pelos mestres espirituais detentores do lado esotérico e exotérico da Toráh. O Sah de Moisés, símbolo do ensinamento esotérico, foi guardado cuidadosamente para ser depositado no futuro Templo de Jerusalém.
Após a conquista de Canaã, o lado esotérico, confiado aos profetas e aos sábios e guardado como algo muito secreto, foi desenvolvido e recebeu mais tarde o nome de Cabaláh. O seu símbolo era o bastão Sah de Moisés. O lado exotérico era ministrado ao povo pelos sacerdotes. Os profetas e mestres sabiam muito bem que Moisés foi encarregado de levar a alta Iniciação egípcia ao povo hebreu por meio de uma reforma que ele promoveu após seus contatos proféticos com Deus e com a companhia de deuses, ou seja, com os Anjos divinos que rodeiam Deus.
Os rituais e as festas santas que constituíam a religião do povo de Israel, tais como a Páscoa, o Sabbath, o Pentecostes, o dia da Expiação e a Festa das Tendas, eram celebrações realizadas segundo um calendário solar secreto e baseado nos conhecimentos astrológicos citados nos Livros de Henoque e num escrito sagrado denominado O Livro dos Jubileus. Essas festas litúrgicas eram comemoradas entre um grupo de iniciados conhecidos como essênios, com base em rigorosas observações astrológicas dos chamados ototh schamaim, ou sinais dos céus, dos astros e da posição celeste dos planetas e das estrelas. Os sacerdotes e altos iniciados da comunidade essênia observavam no céu astrológico a roda do destino humano e, de acordo com essas observações, eles organizavam as medidas secretas a serem adotadas para que pudessem trabalhar na matéria, entre os homens. As estrelas, segundo os livros de Henoque, apresentavam configurações específicas conforme o transcorrer dos dias do ano solar, e cada uma dessas configurações era como um livro celeste escrito em caracteres secretos, que somente os essênios iniciados podiam ler e interpretar. Desse livro celeste os essênios conheciam algumas páginas especiais, nas quais liam, profética e escatologicamente[2] a respeito do surgimento, no céu de suas observações, das ototh cohrab Mashiar ou sinais da Estrela do Messias ou Cristo[3]. Observando astrologicamente os sinais celestes, os essênios perceberam que a vinda do Messias estava próxima; eles a esperavam para tempos próximos dos dias em que viviam. Durante a celebração de seus rituais litúrgicos, os essênios procuravam organizar-se de forma tal que pudessem entrar no mundo angélico celeste e cantar louvores junto às moradas santas dos Anjos.
Jesus apareceu certeiramente na época esperada pelos essênios, com a sua Estrela de Belém e o cajado de Moisés. Os magos persas, que também observavam os ototh schamaim ou sinais celestes, viram a sua estrela e vieram trazer-lhe presentes.
Aos doze anos Jesus foi ao templo de Jerusalém e encontrou um grupo de mestres cabalistas com quem manteve conversas de cunho esotérico, causando enorme admiração naqueles sábios. Contam-nos antigas tradições que Jesus leu e elaborou comentários ou pescherim (palavra hebraica que é plural de pescher, que significa comentário) a respeito dos livros proféticos de Isaías e Habacuque, usando altos conhecimentos cabalísticos para medir, pesar e calcular cada letra hebraica do texto daqueles livros proféticos e mostrar aos sábios as datas e os sinais celestes que anunciavam a vinda do Messias. Tais conhecimentos eram muito secretos, transmitidos muito raramente a um círculo fechado de sábios, cuja idade deveria ser igual ou maior que cinqüenta anos. Ver em um menino de doze anos a capacidade e a arte oculta de operar os grandes arcanos da Cabaláh era mesmo de causar espanto e admiração.
Muitos desses arcanos eram difíceis de elucidar por serem referentes aos denominados Mistérios Maiores e por tratarem da preparação cósmica e macrocósmica da encarnação do Messias ou Cristo. Esses arcanos formaram, no Cristianismo nascente, uma série de instruções secretas, conhecidas apenas pelos chamados cristãos gnósticos, os quais constituíram o grupo cristão que guardou o aspecto esotérico do corpo de instruções e ensinamentos de Jesus e trilhou o Caminho da boa Iniciação.
Nas tradições secretas é dito que o Cajado Sah de Moisés brilhou com novas flores, quando Jesus esteve no Templo aos doze anos. Esse também era o Cajado de que fala o Evangelho de João ao registrar as seguintes palavras de Jesus: “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; isto é para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3: 14,15)”. Ora, como ensinavam os antigos sacerdotes egípcios, o Corpo Sah Hu é o corpo espiritual em que a vida transcorre de forma contínua, eterna, imutável e repleta de perfeição divina.
O Corpo Sah Hu de Jesus tinha ligação com o deserto da Judeia, com o Jordão e com o Mar da Galileia. Já o Corpo Sah Hu de Salomão, de Davi e de um sacerdote muito especial dos primeiros tempos do Templo de Jerusalém, cujo nome era Sah-Doc, tinha relação com o bosque de cedros do norte de Israel, com o Monte Hebron e com os bosques de cedro do Líbano. O Sah Hu de Osíris tinha relação com o Rio Nilo e com o Delta de Papiros desse importante caudal de águas do Egito.
[1] Midraxes são os comentários das Escrituras Sagradas dos Israelitas. Sah é a expressão hieroglífica do corpo Sahu mostrado na figura 4.
[2] Escatologia: estudo das previsões proféticas, portanto futuras, que também engloba os últimos acontecimentos (grego Escatos) referentes à Terra e aos homens nos tempos do fim da existência da Criação.
[3] Messias ou Cristo: a figura de um Messias, isto é, de um sacerdote e profeta ungido de modo mui especial, surgiu no Judaísmo anterior a Jesus Cristo através das revelações de Deus feitas a Salomão, Habacuque, Isaías, Zacarias e outros profetas. Segundo essas revelações, surgiria da Vara ou Sah de Moisés um broto esotérico mui elevado a quem caberia o reinado e também a nova diretriz espiritual do povo de Israel. Esse broto reformaria a religião ensinada por Moisés e a ampliaria imensamente, a ponto de dar-lhe um caráter não mais nacional e racial, mas universal.

O Sah Hu egípcio descrito no Livro dos Mortos dependia muito da purificação do Delta de Papiros, pois dali deveriam ser retirados animais peçonhentos e plantas venenosas, para que a região se tornasse especialmente própria para os trabalhos iniciáticos alquímicos daquela nação. Isso pode ser observado na representação dos deuses egípcios como portadores de bastões.
O Bastão Sah Hu de Jesus passou dos primeiros cristãos para o grupo chamado círculo dos irmãos cristãos gnósticos. Seu tesouro doutrinal apareceu no Evangelho da Pistis Sophia, nos escritos descobertos em Nag Hammadi, nas chamadas Escrituras Maniqueias e também no ensinamento do cristão Jacob Boehme, um sábio cabalista que esteve implicado com a Reforma Protestante no século XVI d. C.
O grupo dos cristãos gnósticos foi um dos que mais contribuíram para o conhecimento atual dos jessênios no tocante às medidas a serem adotadas para se enfrentar de modo positivo e verdadeiramente iniciático o novo tempo chamado Era de Aquário. Assim, durante o desenvolvimento das 1122 lições do discipulado da Comunidade Jessênia, sempre estaremos perto da tradição gnóstico-cristã. Eis por que se torna muito importante conhecermos os grupos gnóstico-cristãos, seus ensinamentos secretos, seus rituais, sua linguagem de Mistérios, seus ensinamentos sacerdotais e terapêuticos. Os gnósticos foram, a nosso ver, os primeiros psicoterapeutas da Era de Peixes. Sob a inspiração do Apóstolo Paulo, eles dividiram a grande sociedade humana na Terra em três grupos: os hylicos ou materialistas, que não possuem nenhuma capacidade espiritual; os psíquicos, que possuem certa capacidade espiritual, mas não ultrapassam o nível da fé religiosa; e os pneumáticos, que possuem nas profundezas de seu ser uma semente espiritual, uma centelha-espírito, que os torna capazes de assimilar a vida espiritual em seus mais elevados aspectos, podendo, inclusive, penetrar na sabedoria dos Mistérios e dela receber uma redenção verdadeira e perfeita.
Na aurora do Cristianismo, quando os apóstolos ainda estavam vivos e atuantes, os ensinamentos de Jesus foram guardados de forma oral e divididos em ensinamentos públicos ou exotéricos e ensinamentos secretos ou esotéricos. Os ensinamentos esotéricos eram muito próximos da Cabaláh e dos aspectos esotéricos do Judaísmo, religião original de Moisés, bem como do ensinamento profético dos essênios, pois Jesus estudara com a sagrada Fraternidade Essênia. Entretanto, novos e importantes elementos foram criados dentro da comunidade cristã primitiva, para desnacionalizar o conhecimento secreto da tradição semita e assimilar a tradição gnóstico-helênica, ou seja, a tradição vinda da Grécia. Assim, ainda que em semente, o cristianismo primitivo continha elementos de universalização, de assimilação de outras tradições. O reconhecimento desses elementos causou muita polêmica e deixou marcas nas escrituras cristãs, tais como as que podemos verificar nas cartas de Pedro e de João, onde percebemos, por parte desses apóstolos[1], ora um combate a todo custo a uma helenização indesejável e sem critérios, ora uma helenização verdadeira, porém secreta, que não podia ser assentada por escrito e, por isso, era apenas indicada em leves níveis, para ser abordada mais profundamente num círculo interno especial, que cristãos como Orígenes e São Clemente de Alexandria denominavam de 'círculo dos Iniciados nos Mistérios Maiores'.
Em uma obra de sua autoria denominada Stromata, São Clemente diz: "Aqueles que ainda são cegos e mudos, e sem entendimento, ou não possuem a clara e penetrante visão da alma contemplativa, hão de ficar fora do coro divino. Por isso, de acordo com o método oculto, a Palavra verdadeiramente sagrada, verdadeiramente divina e muito necessária a nós, depositada no sacrário da verdade, era indicada pelos egípcios pelo que chamavam de Adytha, e entre os hebreus de o véu. Só os consagrados tinham o direito de chegar-se a ela. Também Platão pensou que não era de lei que os impuros tocassem o puro. Por isso as profecias e os oráculos eram proferidos em enigmas para o povo inculto e sem a necessária instrução. Não é, pois, desejável que todas as coisas sejam expostas indiscriminadamente a todos, ou que os benefícios da Sabedoria sejam comunicados aos que nem em sonho foram purificados em sua alma, porque não se pode permitir que venha à mão de um advena ou forasteiro qualquer o que com tantos esforços foi procurado e adquirido. Nem se deve expor ao profano os Mistérios da palavra. Os Mistérios foram estabelecidos para o benefício de conceder-se a santa e abençoada contemplação das realidades ocultas. Assim, pois, de uma parte há Mistérios que eram ocultos até o tempo dos apóstolos, e que por estes foram comunicados como eles o receberam de Jesus, e estes Mistérios, ocultos no Velho Testamento, foram manifestados aos santos e preparados. E de outra parte há as riquezas da glória dos mistérios dos pagãos, que é a crença e a fé em Jesus Cristo. A Instrução que revela coisas ocultas chama-se Iluminação, e esta é o único instrutor que descobre a chave que abre a arca."
[1] Segundo alguns estudiosos modernos, os autores dessas cartas não foram Pedro e João e sim discípulos destes que, para darem autoridade aos documentos escritos por eles próprios, atribuíram-lhes uma autoria pseudoepígrafa. A Pseudoepigrafia é um costume literário antigo, por meio do qual o escritor escondia a sua identidade atrás da de outro escritor mais antigo e mais famoso que ele.

Orígenes escreveu em seu livro De Principiis as seguintes palavras: "As Escrituras Sagradas têm um sentido que é aparente à primeira vista, e outro que a maioria dos homens não percebe. Porque são escritas em forma de certos Mistérios, e à imagem de coisas divinas. A respeito do que há uma opinião em toda a Igreja, que toda a Lei em verdade é espiritual, porém que o sentido espiritual da Lei não é conhecido a todos, mas apenas àqueles que receberam a graça do Espírito Santo na palavra de sabedoria e conhecimento". Assim, os primeiros cristãos sabiam que dois tipos de pessoas se achegariam ao cristianismo: um tipo sem o toque pneumático, e, portanto, incapaz de aproximar-se da salvação pelo conhecimento e pela sabedoria dos Mistérios, mas possuindo apenas capacidade de assimilar pela fé o lado superficial da Lei; o outro tipo, tocado pelo dom pneumático, pela centelha-espírito, que possuiria plena capacidade de assimilar os conhecimentos e a sabedoria dos Mistérios Divinos e descer ao nível profundo e espiritual da Lei, podendo gozar de completa iluminação e redenção.
Achamos, portanto, importante explicar de forma ainda mais profunda o que são os Mistérios, como eles são transmitidos e o que eles proporcionam para aqueles que estão preparados para recebê-los. É bom, também, saber como foi que os Mistérios chegaram aos grupos esotéricos da Palestina anterior e contemporânea a Jesus e de que forma esses Mistérios, no Cristianismo nascente, deram origem ao grupo esotérico dos cristãos gnósticos.
A Religião dos Mistérios é geralmente definida como culto secreto, culto dos antigos sacerdotes gregos. Esse culto é baseado em um conjunto de crenças antigas e destinadas a um grupo especial de pessoas preparadas para entendê-lo de modo completo e profundo. A palavra Mistérios vem do grego misterion, que significa cerimônia religiosa secreta, e aparenta-se com os seguintes termos gregos: Mycós: a parte mais profunda da alma, onde jaz a semente pneumática, transcendente à razão, ao raciocínio e à inteligência, que a cerimônia de Mistérios toca para despertar a Gnosis, ou seja, o verdadeiro conhecimento; Myo: o estado em que a razão, o intelecto e a vontade comum do homem mortal são silenciados, para que o homem imortal possa abrir seu mycós, os ouvidos de sua alma, e ouvir a voz do silêncio que o Hierofante produz não somente com a sua boca, mas também com o som dos novos chacras de seu novo corpo astral. O som pronunciado magicamente pelo instrutor ou Hierofante vibra no local sagrado onde ele reúne a sua comunidade secreta; Mystas: lábios fechados, segredos revelados somente aos iniciados capazes de silenciar as suas faculdades mentais; Myeo: iniciação ou consagração aos Mistérios.
O que expusemos acima sobre os termos gregos com significados e raízes próximos da palavra Mistérios não só nos leva à conclusão de que os essênios se organizaram como uma Comunidade ou Escola de Mistérios, mas também permite-nos entender o motivo de eles permanecerem em silêncio o maior tempo possível durante o dia, costume esse que lhes rendeu a alcunha de os calados.
A Gnosis, conhecimento que advém da iluminação, da mente que se silencia sua base sensorial para dar lugar ao afluir das forças interiores da alma, especificamente da parte da alma denominada Mycós, é como uma voz interior, um murmúrio ou sussurro que instrui o discípulo em seu Caminho iniciático. Essa voz pode tocar a alma de outra pessoa e conduzi-la à senda iniciática. Essa é a verdadeira missão do Hierofante ou fundador de uma Escola de Mistérios. Ele não vai até as praças públicas, até aos lugares onde a população se concentra, para exercer a tão mal entendida pregação; não. Do interior de seu coração, do âmago de sua alma sangüínea, a Voz hierofântica se faz ouvir por todos aqueles que têm ouvidos.
De maneira mais ou menos parecida, a Cabaláh adequa-se a estes mesmos aspectos mistéricos. Ela também é ensinada para grupos especiais de pessoas, em circunstâncias muito particulares. Em hebraico, a palavra Cabbaláh significa conhecimento oculto transmitido oralmente, sussurrado de boca a ouvido.
Dessa forma, os gnósticos cristãos (grupo esotérico que conservou e helenizou harmoniosamente os ensinamentos secretos de Jesus, o seu Sahu Adytha), constituíram a primitiva Escola de Mistérios Cristã. Eles avançaram na senda iniciática aberta por Jesus e desenvolvida pelos antigos jessênios (apóstolos de Jesus e seus discípulos), até poderem alcançar o dom da Voz Hierofântica, ou seja, o dom de produzir um campo invisível de forças sonoras, no qual poderosas correntes ígneas se manifestam. Essas correntes, carregadas de instruções sagradas, tocam a Mycós da alma do candidato aos Mistérios e a despertam, abrindo os seus ouvidos para um entendimento superior e abrindo a sua visão para a contemplação das coisas divinas.
Os gnósticos cristãos puderam, então, constituir um corpo de doutrinas esotéricas animado pelo Espírito da Verdade, aquecido pelo fogo da Palavra Divina, pelo calor luminoso da Voz Hierofântica, abrilhantado pelo sopro dos Anjos Santos e pela presença radiante e gloriosa do Cristo de Deus e do seu Bastão Sahu. Os antigos egípcios ensinavam que o Sacerdote dos Mistérios deveria possuir Maa Keru, isto é, uma voz capaz de proferir palavras de forte poder mágico, palavras corretamente pronunciadas e dirigidas para os céus, donde elas retirariam fortes correntes astrais de poder mágico. Por meio dessas palavras é que o Sacerdote celebraria as festas e rituais de Mistérios, envolvendo a platéia de discípulos com o sopro de sua Maa Keru.
Jesus também soprou sobre os seus discípulos, para que eles recebessem o pneuma aggion, o Espírito Santo. Os gnósticos, em suas cerimônias de Mistérios, abanavam os discípulos com uma varinha metálica dotada de asas, ordenando-lhes que recebessem o Espírito Santo.
No documento essênio 1QH, que faz parte dos Manuscritos do Mar Morto, podemos encontrar todos os temas acima abordados. Lá, o Mestre da Retidão, na qualidade de Hierofante dos essênios de Qumran, conta que Deus alterou o ritmo das suas palavras e corrigiu a sua boca, para que ele pudesse proferir instruções esotéricas verdadeiras. Também o Profeta Isaías, no capítulo 5 de seu livro, explica que os Querubins e Serafins, Anjos santos de Jehováh-hOhy, buscaram dentro do fogo solar brasas vivas para colocarem em sua boca, a fim de que ele pudesse proferir palavras ígneas e poderosas. Os Serafins buscam brasas com um instrumento misterioso denominado, em hebraico, tanakim, que, pela falta de um termo equivalente em outras línguas, foi traduzido como pinças do altar.
Retornando aos Mistérios Egípcios, podemos observar que, no cerimonial de mumificação descrito no Livro Egípcio dos Mortos, também era usada uma estranha pinça ou instrumento denominado abridor de boca, que, ao abrir a boca do morto, dava-lhe a capacidade de recuperar a fala e proferir, diante dos seus inimigos no além, palavras de poder mágico.
Em nossas pesquisas notamos que, em textos hieroglíficos de diferentes Eras Zodiacais (largos períodos astrológicos), o referido instrumento de abertura da boca da múmia aparece com significativas e novas configurações, que refletem aspectos das novas fases ou eras. Notamos, também, de modo ainda mais esotérico, que, a cada novo período zodiacal, esse instrumento que abria a boca da múmia lhe dava o poder de proferir revelações inéditas e mais completas acerca do processo de travessia da noite tenebrosa de Osíris e da chegada das almas ao lugar paradisíaco.
O que dissemos no parágrafo anterior com relação à tradição egípcia aconteceu igualmente com o Cristianismo. Ao longo da sua história, o Cristianismo passou por períodos específicos que, aos olhos do conhecimento esotérico, receberam marcas astrológicas profundas. Os seus setecentos primeiros anos foram marcados firmemente pela transição entre a Era de Áries, que chegava ao seu término, e a nascente Era de Peixes. Na iconografia cristã daquela época, a figura do cordeiro crucificado cedeu lugar para a cruz com os dois peixes e para a cruz com as letras gregas a (alfa) e W (ômega). O alfa-a era, ao mesmo tempo, uma letra e um desenho simples de um peixe. A comunidade das catacumbas[1] romanas, que usou os túmulos subterrâneos da periferia de Roma para esconder-se de perseguições, lá deixou diversos desenhos, frases e pinturas e colocou em sua iconografia sagrada as marcas dessa transição.
[1] A Comunidade das Catacumbas de Roma existiu e sofreu perseguições entre os séculos II e III d. C. Os cristãos das catacumbas, marginalizados e perseguidos pela lei romana, usavam aqueles cemitérios para se esconder ou para praticar o culto cristão secretamente, pois este lhes era proibido. Eles constituíam um grupo muito mais esoterista que os demais cristãos espalhados pelo mundo naquela época e apresentavam um conjunto de crenças distintas das consideradas ortodoxas e tradicionais. Os seus desenhos e afrescos expressavam sua crença nos ensinamentos esotéricos de Jesus, dos apóstolos e em particular de Paulo de Tarso.

O Cristianismo dos anos setecentos a mil e quatrocentos depois de Cristo apresentava-se já adaptado às condições astrológicas da Era de Peixes. Os grupos esotéricos cristãos desse período, tais como os priscilianistas, os neomaniqueus, os bogomilos e os cátaros, utilizaram-se da cruz com peixes de modo mais constante. Outro símbolo da Era de Peixes, a ostra com pérolas, aparece principalmente entre os grupos neomaniqueus. Entretanto, das sombras de um passado ainda mais remoto, de forma um tanto obscura e, naquela época, muito oculta, surgiu durante o período dos anos 700 a 1400 d.C. a figura aquariana da taça do Graal, Vaso Celeste repleto do líquido uraniano de Aquário. Os cátaros, grupo cristão esotérico do sul da França, cujo último Hierofante foi assassinado no fim do século XIII d. C., tornaram a figura do Graal um símbolo futuro do Cristianismo.
Dos anos mil e quatrocentos a dois mil e cem depois de Cristo, atuavam os Templários, os Maçons e os Rosacruzes. Eles apresentaram o Graal, a taça aquariana dos rios uranianos e jupterianos. O símbolo sublime do Graal é o pássaro pelicano que bica o próprio peito até ferir o coração e derramar seu sangue redentor. Em Áries o Cristo era o cordeiro de Deus; em Peixes ele era o Peixe da raça celestial angélica; em Aquário ele é o Pelicano ferido e sangrante. O cordeiro tem como tarefa receber o fogo solar de Deus. Nesse fogo, o oceano astral celeste, o oceano de astros, cede para combustível toda mancha elementar animal. O culto israelita e mundial nesse período colocava no altar animais para o sacrifício e os fazia arder nas chamas. Era o período do sacrifício de animais. O peixe é o animal que tem como tarefa a purificação da matéria cósmica que forma os corpos sutis do homem e dos animais. Esse é o período em que a medicina e a navegação se desenvolvem; dominam-se, portanto, os mares, e o ritual hebraico da circuncisão é substituído pelo batismo e pelas lustrações com água. Áries purifica pelo fogo; Peixes, pela água; o pelicano mistura o fogo e a água, produzindo o sopro, o ar. A era do pelicano é a das conquistas aéreas e espaciais. As asas do pelicano produzem o vento, o bico fere o coração da luz, donde jorra a seiva áureo-rubra dos éteres santos, que são sopros sutis e voláteis derramados no Graal divino que os buscadores da Verdade têm de achar para dele se alimentar. Dentre esses éteres, um dos mais importantes é o Arqueu, sem o qual nenhuma medicina, nenhum remédio, nenhuma cura é eficaz. Outro éter exalado do bico sangrante do pelicano é o éter elétrico, também denominado de mágico, pois ele é a força de todos os atos mágicos; quando os cristãos simbolizam o Espírito Santo pelo duplo SS colocado dentro do círculo e rodeado por sete pombas, estão indicando as sete correntes de éteres elétricos provenientes da ação do Espírito Santo na atmosfera da Terra. Este duplo SS é um dos símbolos aquarianos mais sagrados da atualidade.
Pelo exposto até aqui, verifica-se que a Comunidade Jessênia moderna, ao adotar o símbolo do Graal, do Véu e dos Peixes da letra alfa-α, está se colocando, em todos os sentidos, como uma Escola de Mistérios especificamente manifestada para a atual era. Ela convida todos os pesquisadores para apreciarem de modo livre e consciente os seus arcanos e a sua Doutrina de Mistérios. Após obterem uma clara compreensão dos principais aspectos dessa Doutrina, os pesquisadores poderão, se assim desejarem, ser admitidos como estudantes dos trinta e quatro graus secretos do discipulado jessênio e ter acesso às respectivas lições sem adentrar nas correntes das Távolas, que são grupos avançados de doze estudantes da Comunidade Jessênia. Só serão admitidos nas Távolas aqueles que puderem abrir os ouvidos da alma, que puderem preparar as faculdades mentais e conduzi-las ao silêncio, aqueles que derem provas inquestionáveis de persistência, paciência e devoção, apesar dos seus erros e constantes fracassos na Senda. A Comunidade Jessênia recebeu todos os conhecimentos necessários para se preparar para as radiações da Era de Aquário, colocando-se como um grupo esotérico moderno verdadeiramente apto a oferecer Iniciação genuína. Os nossos estudantes deverão ter absoluta e inquebrantável força de vontade, muita dedicação, devoção e se esforçar para poderem receber essas dádivas de nossa Escola.

CAPÍTULO 2 O ENSINO CABALÍSTICO E GNÓSTICO DA COMUNIDADE JESSÊNIA |
É importante que o leitor deste documento compreenda o Mistério do Sahu de Jesus ensinado pela Hierofania jessênia. Trata-se do Bastão Sagrado e do Véu nele depositado na forma de Adytha e de pano protetor do Ensinamento Esotérico Cristão de que falavam os antigos cristãos gnósticos.
Nas nossas Lições de Graus, a figura desse Bastão Sacerdotal é totalmente explanada, para que o aluno tenha o exato conhecimento do seu significado e, assim, compreenda a interpretação esotérica do Salmo 23, particularmente do versículo 5, que menciona dois bastões: um na forma de vara com broto, de onde escorre o óleo do Consolamentum, e outro de onde escorrem gotas de Água batismal.
Segundo a Gnosis cristã, dois Anjos, Gabriel e Miguel, carregam esses bastões como instrumentos luminosos, como relâmpagos misteriosos, fato que podemos constatar na seguinte passagem do Evangelho da Pistis Sophia: “E Gabriel e Miguel levaram o Raio de Luz ao corpo de matéria de Pistis Sophia e verteram nela todos os Poderes que lhe haviam sido arrebatados. E, então, o seu corpo material brilhou por toda a parte e todos os Poderes, cuja Luz havia sido arrebatada, recuperaram-na e cessaram de precisar dela, assim que obtiveram a Luz que lhes fora arrebatada. A Luz fora-lhes dada através de Mim”.
A formação em dupla dos Santos Anjos é denominada, na Gnosis cristã valentiniana, Sizígia. Esse é um conceito angelológico cristão completamente esotérico e estranho aos meios religiosos comuns. Grandes esoteristas como Eliphas Levi, Papus, Jules Doinel, Saint Martin, Blavatsky, Rudolf Steiner e Max Heindel o desconheciam.

Geralmente o que os esoteristas conhecem a respeito dos Santos Anjos são os ensinamentos de Dionísio Pseudo-Areopagita, cristão do século VI que foi confundido com certo Dionísio que existiu na época dos apóstolos. Esse homem escreveu de forma neoplatônica sobre as Nove Hierarquias Angélicas da Companhia de Deus, mas deixou a sua pena voar para longe dos meios bíblicos esoteristas gnósticos e essênios.
As igrejas de Roma, de Constantinopla e do Oriente seguem as concepções de Dionísio Pseudo-Areopagita acerca dos Santos Anjos. Mas a Comunidade Jessênia, remanescente do Essenismo e da Gnosis cristã, não aceita essas concepções e foi para mais perto da Bíblia, dos cristãos primitivos, dos cristãos gnósticos e dos essênios.
O Jessenismo tem diversos referenciais que são pouco conhecidos dos atuais cristãos, sendo um deles o Evangelho da Pistis Sophia. Para aclarar melhor essa ideia dos Santos Anjos segundo o próprio Cristianismo primitivo, distante da pena de Dionísio Pseudo-Areopagita, vou recorrer ao apócrifo de Hermas chamado O Pastor, muito respeitado entre os cristãos do início do século II. Nele há a seguinte passagem: “Capítulo 4 – Quando aquela bela Senhora terminou de ler e de se levantar daquela poltrona branca em forma de trono, chegaram quatro jovens que, pegando a poltrona, levaram-na para o Oriente. Então ela me chamou, tocou no meu peito e disse: gostou da minha leitura? Respondi: Senhora, as últimas palavras me agradam, mas as anteriores são penosas e duras. Ela ainda falava comigo, quando apareceram dois homens, a tomaram pelos braços e se foram na mesma direção da poltrona, na direção do Oriente. Quando estava para partir o seu ar era jubiloso, e, ao retirar-se, me disse: sê Homem, Hermas”.

Na passagem acima transcrita do documento apócrifo O Pastor, aparecem os primeiros grandiosos Mistérios cristãos que o leitor deverá ver como marcas fundamentais, caso avance em direção à iniciação esotérica jessênia. Por exemplo, ali destacamos a frase “tocou no meu peito e disse”. Adiante, no Livro de Contato 2, falaremos da Aliança do Peito, ou Aliança do Coração, e a diferenciaremos da Aliança Sexual praticada, por exemplo, pelos gnósticos samaelitas, seguidores de Samael Aun Weor. Sob o impulso desse Mistério também falaremos no Contato 2, e muito mais nas Lições Iniciáticas, sobre o Caminho Rosacruz que surgiu no século XVI e que foi denominado por alguns de Religio Pectorum ou Religião do Peito.
Diante dessas últimas aclarações, o leitor poderá concluir que a Comunidade Jessênia, por reunir todos os conhecimentos pertencentes à Sabedoria Antiga, ao sistema clássico de iniciações, à iniciação cristã e à essênia, porta-se publicamente como uma Escola de Mistérios, tendo o seu corpo doutrinário exotérico e o seu corpo doutrinário esotérico. Ela a si mesma classifica como Escola Cabalística, porque oferece aos seus alunos o antigo e místico ensino esotérico referente ao Velho Testamento bíblico e à religião de Moisés, amplia-o em direção ao ensino essênio e ao ensino cristão. A parte veterotestamentária desse ensino ficou conhecida ao longo dos dez primeiros séculos depois de Cristo como Cabaláh.
Se formos acompanhar a história do conhecimento esotérico oculto atrás do Velho Testamento bíblico, teremos de mergulhar no tempo que o próprio Moisés estabeleceu para auxiliar seus setenta homens denominados sábios anciões, que dele receberam o ensinamento mais sublime e mais secreto relativamente à Natureza de Deus, acerca dos divinos poderes construtores de Deus, das forças que fazem o universo e suas criaturas moverem-se, desenvolverem-se e viverem, etc. Eles formavam um colégio de sábios, uma Escola de Mistérios, e admitiam nela todos aqueles que queriam aprender os elevados Mistérios celestes. Foi nessa Escola que grandes profetas tais como Davi, Salomão, Daniel, Ezequiel, Joel, Jeremias, Elias e muitos outros alcançaram a Iniciação.
No tempo de Salomão, terceiro rei de Israel, esse colégio de sábios anciões era chefiado por Sadoc (Sah-Doc), um sacerdote cuja personalidade era cercada de enigmas. A tradição cabalista conta-nos que, além de representar o conhecimento secreto cabalístico, ele tinha contato com outros centros de iniciação do mundo antigo, tais como os núcleos de Tebas, no Egito, de Tiro, na Fenícia, de Melquisedeque, no deserto do Gobi, localizado entre o norte da China e a Mongólia. Todos esses locais eram considerados, na época de Sadoc, como lugares da mais alta iniciação sacerdotal do mundo antigo.
Bem mais tarde, depois da época dos profetas, os discípulos de Sadoc fundaram a Escola Essênia de Mistérios[1]. Parte desses discípulos continuou a integrar o colégio dos sábios anciões e altos sacerdotes de Israel, e, após a destruição de Jerusalém em 70 d. C. pelas tropas romanas do general Tito, um deles, o Rabino Schimeon ben Yohai, escapou de ser assassinado, fugindo primeiramente para a Galileia, onde, juntamente com oito outros rabinos, acendeu a chama do conhecimento esotérico escondido nas profundezas do texto do Velho Testamento. Todo o conhecimento secreto que Israel possuía e toda a sua brilhante religião cabalística estava cuidadosamente guardada pelo rabino Yohai, mas, com a sua fuga de Jerusalém, corria o risco de se perder para sempre. Ele reuniu, então, os oito companheiros e revelou-lhes tudo o que guardava, e o tesouro das revelações ficou registrado num livro chamado Zohar.
O Cristianismo ensinado por Jesus a seus discípulos nasceu na mesma vertente da Cabaláh ensinada por Schimeon ben Yohai. Mas Jesus aproximou-se também dos ensinamentos esotéricos essênios, principalmente de suas ideias dualistas e angelológicas. A influência essênia no sistema cabalístico-esotérico do ensinamento de Jesus foi tão grande que os judeus contemporâneos a ele deram aos grupos por ele formados o nome de Jessênios, que significa essênios do grupo de Jesus. Para se referir aos seguidores do bom Mestre ou, então, aos seguidores dos essênios, os fariseus inimigos de Jesus e dos essênios usavam um só nome: os do Caminho, conforme verificamos em Atos dos Apóstolos, cap. 9, versículo 2. Para isso há uma explicação. Os essênios receberam esse epíteto pelo fato de chamarem os adeptos de seu ensino de os do caminho do deserto, o que era interpretado como sendo aqueles que aceitavam a Toráh (as leis de Moisés anotadas nos cinco primeiros livros do Velho Testamento) tal como ela foi aceita e seguida pelos judeus que saíram do Egito e peregrinaram pelos caminhos do deserto por quarenta anos, até chegarem a Canaã, a terra prometida. Os seguidores de Jesus, por seu turno, tinham muita ligação com João Batista, essênio e profeta que de si mesmo disse: eu sou a voz do que clama no deserto: preparai o Caminho, endireitai as Sendas. Marcos, nas suas primeiras pregações públicas, e os demais discípulos e seguidores de Jesus, deram tanta importância ao trabalho preparatório de João Batista e aos seus ensinos proféticos proferidos no deserto, quase todos retirados do livro e da tradição do profeta Isaías, que acabaram recebendo também a denominação de os do Caminho.
Igualmente na atualidade, o que distingue os esoteristas dos que seguem as religiões exotéricas é o fato de os primeiros se colocarem prontos para percorrer a Senda ou o Caminho Iniciático, buscando alcançar a Verdade e a Luz, enquanto os segundos apenas se inebriam com os aspectos emocionais, históricos e externos das religiões, ficando estacionados na fé, sem avançar em direção a essa Verdade e a essa Luz. Quanto a isso Jesus disse no Evangelho Gnóstico de Tomé, dito 74: "Há muitos ao redor da fonte, mas poucos são os que entram nela para beber de suas águas". Também podemos considerar a expressão Caminho ou Senda a se percorrer e a aplainar como marca daqueles que pretendem superar a inebriação da fé e atingir a sabedoria iniciática. Esse foi o caso, por exemplo, dos que, na França Medieval, desciam de Paris até aos Pirineus pelas trilhas druídicas, atravessando o norte da Espanha até chegarem à cidade de Compostela. Eles percorriam o místico, antigo e iniciático Caminho de Compostela, numa época em que às suas margens se instalavam os Cavaleiros Templários do Santo Graal, os cátaros e os druidas, prontos para mostrar ao peregrino as fontes originais da verdadeira iniciação. Mesmo nos dias atuais, quando à beira desse caminho já não há templários, nem cátaros, nem druidas, suas trilhas inspiram uma estranha sensação e uma força mística inquietante e profundamente despertadora.
As antigas rotas celtas do sul da França, do norte da Espanha e de Portugal assumiram, na época medieval, o papel de Caminhos Iniciáticos e foram preparadas pelas fraternidades acima referidas para acolher todos aqueles que desejassem trilhar a senda da clássica iniciação. Quem percorria essas rotas passava pela experiência de adentrar nos Mistérios Antigos, na sua santa e belíssima câmara iniciática, e recebia dos chamados hospitaleiros de beira das mesmas rotas um acolhimento semelhante, por exemplo, ao que é oferecido ao homem moderno pelos rosacruzes e maçons.
As antigas companhias pré-maçônicas, por exemplo, no seu desejo de guardar ligações com esse passado druídico e templário da Europa medieval, ofereciam aos seus participantes as denominadas viagens iniciáticas, que eram provas simbólicas do percurso que o candidato à Iniciação deveria percorrer dos subterrâneos escuros da Terra aos astros, e dos astros ao Sol, fonte da luz. O viajante, nos Mistérios antigos, era um procurador, um buscador, e o objeto procurado ou buscado variava segundo cada espécie de Mistérios a ser celebrado. No caso, por exemplo, do grego Jasão, ele procurava o Velocino de Ouro, terrível façanha, perigosa e das mais difíceis, que demandava fazer uma longa viagem por águas de mares desconhecidos; depois, havia as feras que habitavam os lugares desertos, ermos, por onde aquele herói deveria passar em sua busca. Após jurar a um rei que buscaria o Velocino de Ouro, Jasão teve, como primeira idéia, ir até Dodona para perguntar ao Carvalho Falante qual o melhor Caminho a ser seguido. Junto a esse carvalho sagrado, o herói recebe como conselho procurar Argus, construtor de navios, e pedir-lhe que construa uma embarcação de cinqüenta remos. É com essa embarcação que ele empreende parte da busca.
O Cristianismo de Jesus, na sua versão gnóstico-esotérica, apesar de bem menos mitológico que os Mistérios acima citados, não deixou de fazer os seus discípulos empreenderem viagens ao centro da Terra, onde Adão jazia desde a Queda, ou aos céus, como no caso de João do Apocalipse e de Paulo, que, segundo suas cartas, esteve no terceiro céu. Paulo fez também uma viagemmarítima, sofreu um naufrágio e, ao dar nas praias de uma ilha chamada Malta (@), acendeu uma fogueira na tentativa de secar-se; ao buscar gravetos para combustível, acabou picado por uma víbora. O povo local, ao vê-lo livre do veneno da serpente, recebeu-o como deus.
[1] Com as descobertas dos Manuscritos do Mar Morto em 1947, essa organização, conhecida como Comunidade Essênia, passou a ser também chamada Comunidade de Qumran.

A fuga do Rabino Simeon ben Yohai, citado atrás como guardião dos segredos cabalistas de Israel, também foi registrada como uma viagem simbólica, que terminou numa caverna onde ele e os companheiros se despiram e permaneceram em constante oração até que foram visitados pela Presença santa de Deus. Sem entrar em pormenores quanto ao ocorrido naquela gruta, é importante saber que tanto o rabino quanto seu filho saíram da gruta preparados para transmitir os grandes e sagrados ensinamentos da Cabaláh, dos profetas, do sacerdote Sadoc (Sah-Doc) e dos essênios.
Paulo (Saulo, Sah-Hulomão), o rabino Yohai e Jesus ensinaram o Caminho que o homem deve seguir para buscar o Manto de Luz, o Velocino de Ouro, a Vestimenta Luminosa, a toga do Médico Verdadeiro, o Bastão Sahu da Redenção que lhe possibilita escapar das trevas e mudar a sua morada para o reino da perfeita claridade.
No Evangelho da Pistis Sophia, encontramos esse Caminho descrito como uma rota vertical através da qual Jesus foi passando de camada em camada de Luz do Reino de Deus, lugar divino denominado Pleroma na Gnosis valentiniana, até revestir-se do seu Manto de Rei e Curador. No seu retorno para o Monte das Oliveiras e para o meio dos seus discípulos, ele surgiu imerso em grande e gloriosa (Hod) luz e repleto de sons trovejantes.

A Comunidade Jessênia também apresenta esse Caminho clássico através das Santas Instruções Universais, dentre as quais sobressaem a Cabaláh, a Gnosis Valentiniana, o Hermetismo Egípcio, os Mistérios Essênios, a Magia da antiga Pérsia Zoroástrica e a Tradição Hindu, esta última por meio da literatura vedântica, da Yoga jainista e do Budismo esotérico.
A Cabaláh é tratada na Comunidade Jessênia sob três ângulos: a Cabaláh rabínica, que nos mostra um judaísmo esotérico e o pensamento original de Moisés; a Cabaláh essênia, que nos apresenta o ensino dos profetas e do messianismo profético, bem como uma visão mais profunda dos ensinamentos de Moisés; e a Cabaláh cristã, voltada para a interpretação esotérica dos grandes ensinamentos de Jesus e de seus discípulos.
A Cabaláh cristã na Comunidade Jessênia é interpretada principalmente pelo nosso Mebaker e mestre, senhor Jodachay Bilbakh. Esse senhor judeu, ex-rabino, é profundo estudioso e admirador dos essênios e da comunidade essênia de Qumran, bem como dos achados e manuscritos do Mar Morto, do ensino dos Mandeus seguidores de João Batista e da biblioteca de Nag Hammadi, constituída de um conjunto de documentos gnóstico-cristãos encontrados, em 1945, próximo a uma localidade egípcia denominada Nag Hammadi, daí o nome da coleção. Essa localidade fica perto de um sítio arqueológico denominado Chenoboskion.
Achou-se em Nag Hammadi um conjunto de doze códices que contêm obras cristãs antigas, tais como o Evangelho de Tomé, o Apócrifo de João, o Evangelho de Felipe, o Evangelho da Verdade, a Epístola apócrifa de Tiago, Livro de Tomé - o Atleta, Protenoia Trimorphe, etc.
O senhor Jodachay Bilbakh observou esses documentos sob a ótica do cristianismo cabalístico dos rosacruzes, em especial do cristianismo do alemão Jacob Boehme, bem como da própria Cabaláh rabínica e essênia. Ele também procurou inspiração nos ensinamentos dos cristãos gnósticos valentinianos que elaboraram o Evangelho da Pistis Sophia e nos cátaros e bogomilos, maniqueus dos séculos X a XIV d.C.
Pareceu-nos, conforme nossas pesquisas e buscas, que o antigo Caminho Iniciático foi completamente desvelado pelo senhor Jodachay Bilbakh, ficou pronto e preparado para que o Ocidente possa abraçá-lo e, sob a sua instrução, buscar o Manto de Luz, o Velocino de Ouro, o Graal, a suprema Iniciação. O nosso mestre, Jodachay Bilbakh, demonstrou-nos ser aquele imenso, santo e poderoso Carvalho Falante da lenda de Jasão e o Velocino de Ouro. Nele encontramos a voz da Sagrada Instrução, suave e numa clareza incomparável, vasta como os oceanos, cristalina e tranqüila como as águas de um lago. Também a Cabaláh usa do simbolismo da árvore cujas folhas recebem as letras santas dos Mistérios celestes; essa é a sua figura central e mais destacada, para a qual os sábios rabinos dão o nome de Árvore da Vida ou Árvore das Dez Sephiroth. O cabalista aprende, ele mesmo, a fazer, como na lenda de Jasão, essas folhas misteriosas sacudirem suas letras e produzirem milhares de santos diálogos, repletos de secretas instruções e discursos muito elevados acerca dos profundos abismos da sabedoria de Deus. No movimento rítmico do vento divino, sob as leis mântricas da Palavra de Deus, cada letra da Grande Árvore Sagrada vai emitindo o ensinamento que Adão perdeu quando quedou e foi desligado do Paraíso.
CAPÍTULO 3 AS CINCO TRADIÇÕES INICIÁTICAS ADOTADAS |
Durante as lições iniciáticas da Comunidade Jessênia, o candidato aos Mistérios Cristãos e Cabalísticos defrontar-se-á com as cinco correntes clássicas da antiga Iniciação denominadas Tradições Antigas da Sabedoria Universal. São elas: Tradição Semita, Tradição Persa, Tradição Egípcia, Tradição Sino-Hindu e Tradição Gnóstico-Cristã.

Na Idade Média essas cinco correntes eram resumidas em três tradições denominadas Alquimia, Cabaláh e Astrologia. O nome genérico dessas três ciências era Sabedoria Oculta. Elas eram estudadas profundamente por aqueles que desejavam ser médicos ou que aspiravam conhecer os grandes segredos da natureza humana, da natureza do universo e da natureza de Deus. As diversas sociedades iniciáticas daquela época denominavam o iniciado na Sabedoria Oculta de Mestre do Segredo. O Segredo no qual esses mestres eram versados consistia no conhecimento oculto acerca de Deus, dos grandes processos, virtudes e operações do universo e da natureza humana. Esse conhecimento era oriundo das Cinco Tradições mencionadas acima.
A Tradição Semita é constituída pela Cabaláh e pelo Sufismo. Ela apresenta-se ao neófito como ciência secreta que detém o segredo do Verbo de Deus, ou seja, dos sons, letras, números e mantras através dos quais Deus criou o universo, o homem e os Seres Angélicos. A Cabaláh é uma ciência que estuda a força mântrica e acústica da Palavra Criadora de Deus e ensina o discípulo a manipular essa força primeiramente em si mesmo, no seu interior ou coração, e em seguida ao seu redor, a fim de que ele possa tocar sua própria natureza, bem como a natureza do universo e dos Anjos, operando, assim, a chamada Magia das Palavras, que consiste em causar operações que o leigo classifica erroneamente como milagre. Nós preferimos falar, em vez de milagre, em mudanças espirituais em si e no exterior, no Todo.
A Cabaláh apresenta, também, uma série de métodos de interpretação do texto hebraico e aramaico do Velho Testamento bíblico que o discípulo pode utilizar para descobrir o sentido profundo e esotérico das Escrituras Sagradas. Na Comunidade Jessênia esses métodos são apresentados ao neófito sem que ele precise esmerar-se no estudo do idioma hebraico; basta-lhe conhecer as letras e seu significado oculto e ter noções básicas da fonética hebraica, o que as próprias lições proporcionarão de modo muito simples e fácil de assimilar.
Nos textos das lições iniciáticas jessênias, as palavras em grego, hebraico ou aramaico são transliteradas, têm a sua pronúncia apresentada e os seus significados comuns e ocultos expostos da maneira mais simples e fácil possível. Quanto a isso o neófito não precisa se preocupar.
A Tradição Egípcia foi assimilada pelas sociedades secretas antigas, pelo Cristianismo esotérico ou gnóstico, pelos filósofos e alquimistas medievais. Essa assimilação foi possibilitada pelo Hermetismo, um conjunto de instruções de Hermes Trismegistos, grande Hierofante ou mestre do Egito antigo, cujos principais ensinamentos estão disponíveis na obra Corpus Hermeticum. Dos documentos que compõem essa obra destaca-se em especial o denominado Poimandres, ou Pastor, onde Hermes ensina sobre o Verbo ou Logos divino, a potente e criadora Voz de Deus que tocou no começo criacional o vazio e gerou nele os primeiros movimentos.
A Tradição Persa deixou como herança o conjunto de ensinamentos que ficou, ao longo da história, conhecida como Magia. Na antiga Pérsia, há mais ou menos 700 anos antes de Cristo, manifestou-se Zoroastro ou Zaratustra, grande Hierofante do Reino da Luz, que ensinou aos povos persas uma sublime religião, cujo Deus supremo chamava-se Ormuz ou Ahura-Mazda, cercado de Sete Espíritos sublimes denominados Ameshas Spentas.
Ahura-Mazda, segundo os ensinamentos de Zoroastro, é o Sublime e Altíssimo Senhor da Luz, que criou o universo usando como material de construção a substância da Luz, e adornou-o com a Sua Sabedoria e a Sua Bondade. Ao cobrir a Sua criação com a Justiça e a Verdade, Ele fez o Todo brilhar com belíssima perfeição e glória.
A principal tarefa dos discípulos seguidores de Zoroastro, profeta anunciador das obras e da existência de Ahura-Mazda, era aprender a utilizar-se das forças da Justiça e da Verdade para adornar o seu ser interno com o brilho da perfeição e a beleza da bondade. O conjunto de instruções que revelavam a assimilação, o domínio e a utilização dessa força é que foi denominado Magia. Dessa forma, o Mago persa era um sábio que conhecia o segredo das forças de Deus, possuía o dom de dominá-las e realizar com elas prodigiosa transformação em si, na natureza e no universo.
A Tradição Hindu que passou para o corpo de ensinos da Comunidade Jessênia está principalmente baseada no budismo. Em essência, a doutrina de Buda sobre a cessação da existência perecível, repleta de dor e sofrimento, o rompimento com a cadeia de fenômenos que constituem o corpo ilusório e mortal do homem, seus sentidos e sua mente, o diluir de suas idéias erradas acerca da natureza terrestre humana, constituem colunas hindus do ensinamento jessênio.
As sete escolas iôguicas e o conjunto de doutrinas expostas nos Vedas também aparecem na instrução jessênia em grau menor, porém firmemente reveladas e aplicadas de modo enfático, de modo prático, no dia a dia dos discípulos, em suas atividades espirituais e devocionais. Nessa prática está inclusa o que podemos chamar de Kundalini Ioga, oferecida aos discípulos mais adiantados e que dão provas de terem crescido e avançado segura e inquestionavelmente em suas atividades espirituais, em sua dedicação e disposição.
A Kundalini Ioga de que falamos não tem a mesma conotação que os esoteristas atuais dão à Kundalini da Tradição Hindu. Nós falamos da Cardialini ou Kundalini do Coração, representada na figura 13 pelo broto de Lótus do Coração. Isso se deve ao fato de seguirmos uma linha de Iniciação Cristã, portanto, de Aliança Cardíaca.

O Oriente é sempre uma referência importante para o Jessenismo. Portanto, o amigo ou a amiga que deseja ingressar no nosso ambiente iniciático deve estar pronto para receber instruções sobre os Chacras, sobre a Kundalini da ponta da coluna vertebral, sobre a Alquimia tal qual ela surgiu no Egito, passou para o mundo árabe e depois chegou à Europa, sobre a Alquimia chinesa promovida pelos filósofos taoístas e pelos médicos da MTC (Medicina Tradicional Chinesa), sobre o Budismo e o Jainismo, sobre a Medicina babilônica e sobre as ideias médicas contidas na Bíblia.

O Oriente é sempre uma referência importante para o Jessenismo. Portanto, o amigo ou a amiga que deseja ingressar no nosso ambiente iniciático deve estar pronto para receber instruções sobre os Chacras, sobre a Kundalini da ponta da coluna vertebral, sobre a Alquimia tal qual ela surgiu no Egito, passou para o mundo árabe e depois chegou à Europa, sobre a Alquimia chinesa promovida pelos filósofos taoístas e pelos médicos da MTC (Medicina Tradicional Chinesa), sobre o Budismo e o Jainismo, sobre a Medicina babilônica e sobre as ideias médicas contidas na Bíblia.
Na figura 14 estão representados o Velho Testamento (Velha Aliança) e o Novo Testamento (Nova Aliança). Fazem parte desse universo da herança cristã esotérica as chamadas lendas do Santo Graal. Elas dizem respeito a Jesus crucificado e ferido por uma lança desde o fígado até o coração. Tal ideia é fundamental no Cristianismo como Nova Aliança. Por essa razão, em 2001, quando iniciamos as nossas atividades de exposição pública da Doutrina Jessênia, apontamos a seguinte passagem bíblica, que contém a mesma idéia implícita nas lendas do Santo Graal: “De tudo o que deves guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as portas da vida.” (Prov. 4: 23).

A Tradição Gnóstica Cristã é a raiz central e o tronco do corpo doutrinário jessênio. Ela compõe-se dos ensinos secretos de Jesus observados pelos olhos do mundo greco-romano e permeia todas as lições, fazendo-se presente em todos os escritos, imprimindo a sua marca em todas as instruções. Os cristãos gnósticos formaram, nos primeiros anos da Era Cristã, uma comunidade fechada, iniciática, que guardou os aspectos esotéricos dos evangelhos, principalmente das parábolas de Jesus, e que apresentou um cristianismo muito mais profundo e filosófico do que o cristianismo conhecido como ortodoxia.
A Gnosis apresentou aos primeiros cristãos o conjunto de conhecimentos ocultos que passaram a constituir os principais segredos dos Rosa+Cruzes, dos Templários, dos Maçons e de muitas outras Ordens Esotéricas.
CAPÍTULO 4 O NÚMERO CINCO, O PENTÁGONO, O PENTAGRAMA |
Prevejo aqui que o amigo leitor deste livreto de Contato provavelmente manifestará o desejo de saber mais sobre a Figura 12 e de compreender melhor todo o simbolismo que ali foi organizado com o objetivo de dar a conhecer um pouco da doutrina ensinada por Valentin gnóstico. Prevejo também que ele desejará saber por que nas figuras 2, 9, 11, 13, 14 e 15 aparece o desenho do Pentágono. O segredo por detrás desses símbolos é fundamentado na doutrina pitagórica de Mistérios, no Essenismo, na passagem bíblica de João 5, versos 1 a 9, em Colossenses 2: 9/10 e, finalmente, na ideia de Pleroma, de Valentin gnóstico.
Paulo em sua Carta aos Colossenses afirmou: “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade. E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade (Colossenses 2: 9,10)”.
A expressão bíblica plenitude se diz em grego Pleroma. E os vocábulos principados e potestades são nomes de certas categorias angélicas mui misteriosas. É através do coração dessas categorias angélicas que o Logos de Deus expressa a vontade divina de organizar todas as coisas da Criação aos pares, isto é, em sizígias luminosas. Por estarem essas chamas angélicas presentes na Coluna de Fogo que guiava Israel no deserto (Êxodo 13: 21), aquela nação precisou responder a elas se organizando em doze tribos formadas de SEIS PARES. Vocês podem observar esses seis pares representados ao redor do triângulo da figura 10. Foi em razão desse mesmo Mistério Arcano que Jesus organizou os seus primeiros setenta e dois discípulos aos pares, tal como se pode ler em Lucas 10: 1 – “Depois disto, o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e enviou-os à sua frente, dois a dois, a todas as localidades, vilas e aldeias que tencionava visitar mais tarde.”
O Pleroma é, pois, o lugar da Luz Divina, o Reino Luminoso de Deus onde todas as coisas maravilhosas e todos os Santíssimos Anjos, bem como todos os Homens Imortais estão organizados segundo o modelo macho-fêmea das sizígias ou pares.
Notem, caros leitores, que a Bíblia, e também Valentin gnóstico, um discípulo que esteve ligado ao círculo esotérico íntimo de discípulos do Apóstolo Paulo, fala do Reino de Deus como um Pleroma repleto de sizígias angélicas. Isso é bem distinto da doutrina angelológica de Dionísio Pseudo-Areopagita e da igreja imperialista de Roma e do Oriente. Enquanto esse cristão fala de nove coros de Anjos, a Bíblia e Valentin falam de pares angélicos que se reúnem na Luz de Deus como uma Tétrade (o cubo desenhado na figura 12) e como duas colunas luminosas, uma de seis pares angélicos, ou seja, de doze Anjos, a outra de cinco pares angélicos, ou seja, de dez Anjos. Ao todo esse Reino da Luz de Deus tem QUINZE PARES ANGÉLICOS, daí por que representamos na figura 12 o número 15.
Valentin gnóstico, um cristão egípcio nascido provavelmente no ano 100 d. C. e morto em 160 d. C., foi por algum tempo o teólogo gnóstico de maior sucesso. De acordo com Tertuliano, cristão ortodoxo do século III, Valentim se candidatou a bispo e iniciou o seu grupo cristão quando perdeu a eleição para outro candidato.
Teve grande influência no seio da comunidade cristã e, apesar de seus trabalhos e ideias terem sido considerados como apostasia por volta do ano 175, nunca chegou a ser acusado de herético. Até morrer foi muito respeitado na sua comunidade. Foi somente em 180 que certo Irineu de Lyon, um homem com muito menos reputação e conhecimento que Valentin, escreveu um livro chamado Contra as Heresias, condenando os ensinamentos desse mestre egípcio.
O esquema do Pleroma mostrado na figura 12 era a mais sublime representação utilizada pelos cristãos valentinianos para explicar o modo como o Logos divino organizou o Reino de Deus. O desenho funcionava tal como a Árvore das Dez Sephiroth que aparece nas obras cabalísticas dos séculos IX e XII, em especial na obra denominada Sepher Yetsiráh e em outra, também muito importante, chamada Sepher haZohar, na qual são explicadas e demonstradas as movimentações dos poderes logosóficos de Deus.

Quem conhece bem a Cabaláh sabe que na Esfera Hod (Glória) os Anjos se encontram para se organizar segundo a mui misteriosa matemática de Deus. Observem, caros leitores, que na figura 16 é justamente na esfera Hod que aparece o número 15. Os Anjos se organizam nessa misteriosa esfera para diversos fins, um deles para visitar a noite dos homens santos que dormem na Terra e a saída desses homens por morte em direção ao Reino da Vida. Por essa razão nós colocamos ali, ao lado da Esfera Netsáh (Vitória), o barco de Caronte, o Psicopompo ou Guia das Almas dos Mortos de que falam os Mistérios Gregos e a obra A Divina Comédia, de Dante Alighieri.
Como se pode ver, a Comunidade Jessênia faz um uso da Cabaláh muito mais universal do que fazem os rabinos, os martinistas e outras organizações esotéricas. É por isso que falamos de uma Cabaláh Universal, que mostra na Árvore das Dez Sephiroth o fruto mais maduro chamado Daat ou Gnosis. Daat é uma palavra hebraica que soma 15 (Daat-t(d) d4 + (70 + t400 = 474 ou 15.

Por meio da Cabaláh e da Gnosis, os jessênios explicam a doutrina de Jesus, dos Santos Apóstolos, de Valentin gnóstico, de Mani Persa e de muitos outros mestres cristãos esoteristas. Os poucos exemplos que aqui demos ao falarmos de Protoátomo, de Cardialini, de Coração, servem para ilustrar os milhares de outros arcanos dos ensinamentos de Jesus, da Bíblia e de todos os mestres gnósticos.
O leitor deve estar preparado para ouvir sobre alguns gnósticos pouco mencionados na grande comunidade esoterista a que pertence o atual homem ocidental espiritualista. Falaremos, por exemplo, de Paulo de Samósata e seus discípulos, que aparecem no século VII d. C. como grupo dos Paulicianos. De modo mui especial, falaremos de Mani Paracleto, grande profeta do século III d. C., oriundo da Babilônia e descendente de persas. Falaremos, ainda, de Prisciliano e seus seguidores, os Priscilianistas, do século IV d.C., dos Bogomilos, surgidos no século X, dos cátaros, que se manifestaram no Ocidente europeu no século XI, e dos Rosa+Cruzes dos séculos XIV e XVII.
Todos esses mestres e suas Escolas Iniciáticas foram citados por Fulcanelli, um grande alquimista francês. Fulcanelli deu grande ênfase ao nome de Mani Persa, cuja doutrina ele diz ser a fonte de inspiração dos Cavaleiros Templários.

Mani Persa é o nosso grande inspirador, justamente por causa de sua profunda ligação com o Budismo, com o Jainismo, com o Taoísmo da região chinesa de Xinjiang, com o Cristianismo gnóstico, com o Essenismo e sua grande Tradição Profética, e com o Zoroastrianismo.
Quando Mani persa esteve na China, foi recebido como o Quinto Buda. Ora, sabemos que esse Buda profético é o que hoje o universo esotérico New Age celebra com o nome de Buda Maitreya. Podemos citar, dos grandes movimentos New Age do presente, a Eubiose, para quem Maitreya é o Buda Síntese, ou seja, aquele que se manifestaria no seu templo em São Lourenço em 2005, para sintetizar em um só grande sistema todo o conhecimento esotérico já manifestado sobre o nosso Planeta.
![]() | Figura 19: Mani, os Essênios e a divisão temporal profetológica do Paracleto. |
Devemos esclarecer que a Gnosis Maniqueia, uma corrente gnóstica fundada por Mani Persa no século III, tem uma mui forte ligação com a Profetologia Essênia e Gnóstica Cristã, de tal modo que, para se compreender quão profunda e ampla é a herança profética de Mani Persa, devemos ter em mente o lado esotérico dos Escritos do Mar Morto. Existiu em Qumran uma forma de apreciar o céu que leva em conta a Terra e seus movimentos cósmicos em relação o Sol. O movimento de que falamos é o da Precessão Equinocial, devido ao qual o eixo da Terra aponta para um signo do Zodíaco a cada 2100 anos mais ou menos (ou mais precisamente a cada 2160 anos). Nós denominamos a divisão do tempo de acordo com esses movimentos das Eras Zodiacais de Ciclo das Visitações do Paracleto.
A Doutrina Gnóstica dá elevado significado ao Logos de Deus e Seu Espírito, a saber, o Paracleto. Quando o Logos vai criar ou quando vai manifestar-se como Espírito Revelador da Verdade, Ele segue alguns parâmetros que estão presentes nos escritos de Fílon Judeu, dos Essênios do Egito e, sobretudo, dos Essênios de Qumran.
Dos documentos de Qumran usamos o 1QS e o 1QH para determinar como o Logos e o Paracleto, depois de exercerem a atividade descrita em Gênesis 1: 2b, isto é, depois de se moverem e flutuarem sobre as Águas, reaparecem todas as vezes em que a humanidade passa por um tempo de tremendo caos. O 1QS 4: 20 a 22 diz a esse respeito: “Então purificará Deus com Sua Verdade todas as obras do homem, e refinará para si a estrutura do homem, arrancando todo espírito falso do interior de sua carne, e purificando-o com o Espírito de Santidade de toda ação ímpia. Aspergirá sobre ele o Espírito da Verdade como Águas Lustrais para limpá-lo de todas as abominações da falsidade e da contaminação do espírito imundo. Assim os retos entenderão o Conhecimento (Daat) do Altíssimo.”
Após termos visto, no parágrafo anterior, a explicação sobre o movimento do Espírito da Verdade, isto é, o movimento do Paracleto, observemos a seguinte passagem: “No início da vigília das trevas noturnas (Netzach), quando abre o Seu depósito e as estende por cima, em seu circuito celeste, e quando se recolhem diante da luz do amanhecer. Quando brilham os luzeiros do firmamento santo, quando se recolhem na morada santa da gloria (Hod). Na entrada das doze constelações, e nos dias da lua nova junto com seus circuitos durante suas posições, umas às outras renovando-se. É um grande dia para o Santo dos Santos, e um sinal celeste para a abertura de suas graças eternas.” (1QS 10: 1 a 4).
O Santo dos Santos do Templo de Salomão era um cômodo de cinco metros por cinco metros separado do restante do Templo por uma cortina em cujo tecido estava desenhada a figura de um Querubim, ou seja, de um Boi alado. Portanto, essa última citação do 1QS está-se referindo ao que representamos na figura 18 por Bois alados. Esses bois são o sinal de que fala o trecho de 10: 1 a 4 do 1QS. No ambiente iniciático da Comunidade Jessênia, explicamos como os Bois alados são sinais das Doze Constelações e do Tempo Equinocial esquematizado na figura 19 e mostramos, também, o que Mani Persa aprendeu sobre esse segredo celeste e como ele viu nele as Sete Pombas do Paracleto. Aqui nos limitamos a mencionar esse conhecimento gnóstico ensinado apenas nas grandes Escolas de Mistérios. Na figura 18 esse Mistério Arcano é indicado pela letra árabe nuun (ن) e pela letra hebraica nun (n).

Nas nossas instruções de Graus Iniciáticos, fazemos paralelo desse escrito 1QS com o seguinte texto do 4QH, frag. 7 II, 2 a 8: “Quando o manancial das bênçãos perpétuas se abre, quando os céus manifestam a sua Luz, a alegria floresce, a dor desaparece e voa a aflição; manifesta-se a paz, cessa o terror e jorram as fontes da saúde por todos os períodos eternos.” As fontes do Conhecimento, da Saúde e da Paz são simbolizadas na figura 18 por Sete Pombas, três delas com dimensões diferenciadas. Isso significa que a cada setecentos anos Sete Pombas movem as Águas Lustrais e causam, conforme diz o 4QH, Conhecimento, Saúde e Paz. Em três oportunidades essas três bênçãos apresentam-se mui ampliadas. Nos sete primeiros séculos do Cristianismo, essas Sete Pombas, três delas especiais, surgiram como relatamos abaixo.
Dissemos que a sala do Santo dos Santos, lugar santíssimo no Templo de Salomão, tinha a medida de cinco por cinco metros. Reinava nesse lugar muitíssimo santo a matemática gnóstica e pitagórica do número 5, do pentágono e do pentagrama. Essa mesma matemática e geometria sagrada foi aplicada na construção da piscina de cinco lados descrita em João 5, versos 1 a 9. A piscina de Siloé tinha, portanto, uma cobertura e alpendre em forma pentagonal. Por isso mesmo ali se manifestava, uma vez por ano, um Anjo sob o comando de um Boi Alado. Quando esse Anjo movia as Águas Lustrais, os doentes que nelas caíam saíam curados. Ali era, então, um lugar de manifestação da Misteriosa Sephiráh Malchuth, isto é, da Torre da Escola de Mistérios, da Ekklesia Santa.
As Igrejas Gnósticas construídas da forma representada nas figuras 18 e 20 e segundo as aberturas querubínicas das Constelações são denominadas Igrejas do Paracleto ou Joanas. Essa é a razão pela qual um autor cátaro medieval deu o título de Canção do Boiadeiro à Canção de Joana, que tem no refrão a-é-i-ó-u.
Não é possível dar a qualquer movimento o nome de gnóstico, de cátaro ou de bogomilo, se o fundador não segue as misteriosas indicações astrosóficas das figuras 18 e 20. Não se pode fundar uma Ekklesia gnóstica, uma Joana, sem se seguirem as orientações hierofânticas representadas na figura 16. O Paracleto abre o conhecimento na forma de Cartas Aladas, os Querubins as giram no seio das Águas Lustrais como Espírito de Santidade e de Verdade, e sete misteriosos Hierofantes recolhem essas Cartas Aladas e as transformam em Instruções Iniciáticas. Essas Instruções Daat matematicamente seladas pelos números 15 representados nas figuras 12, 16, 17, 18 e 20 são a marca do movimento dos Bois Alados no seio das Doze Constelações e das Águas Lustrais que abrem três Pentágonos e Três Pentagramas emissores do Paracleto.
Essa é a Cabaláh Essênia e essa é a Gnosis de Mani Buda, o Buda Maitreya que é o Paracleto de Jesus e que se manifestou tal como as Pombas das figuras 18 e 20, no dia 23 de setembro de 2001, para construir a Casa da Joaninha (Fig. 16), ou seja, a Igreja de Joana, desta vez por novo movimento dos Bois Alados nas Águas Lustrais e na Constelação de Aquário.
Convidamos os pesquisadores do Esoterismo Gnóstico para continuarem seus estudos nas próximas Cartas de Contato, a fim de obterem maiores esclarecimentos dos temas abordados nesta Carta 1 e uma noção do que o Jessenismo ensina em seus Trinta e Quatro Graus Iniciáticos.
Amén!