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 OS MOLOCANES – A GLORIOSA E VERDADEIRA GNOSIS ESLAVA 

Desde a Antiguidade, o leite é símbolo das Iniciações, as Teletai. Na Grégia antiga, as Teletai eram processos preparatórios que indicavam ao mundo como distinguir as direções do Paraíso, o Vale dos Deleites. A palavra deleite tem relação com o elemento lácteo sagrado, o que podemos observar nas celebrações iniciáticas dos Mistérios Órficos, dos Mistérios de Eleusis e na bebida sagrada de leite e mel dos pitagóricos.

Na antiga Pérsia, é dito que Ahura Mazda, quando foi preparar o profeta Zoroastro, enviou seu corpo espiritual, sua Tan-Ghor, para a madeira das árvores que cercavam o palácio da avó do profeta, a qual, em certa ocasião, ao colocar lenha na lareira pôde observar essa Veste de Luz. No dia seguinte, depois da queima da madeira, a avó de Zaratustra juntou as cinzas e as aspergiu ao vento. Levadas para longe, essas cinzas fizeram nascer um grande gramado, que foi pasto para sete vacas brancas. A sétima vaca, ao comer a grama, assimilou a Tan-Ghor do profeta, levando-a a seu leite. A mãe de Zoroastro, ao beber desse leite, engravidou e deu à luz àquele que iluminaria o mundo com seu ensinamento. 

No Velho Testamento, Moisés recebe de Deus a missão de tirar o povo de Israel da escravidão do Egito. Na visão da sarça ardente, no Monte Oreb, a voz angélica pediu ao profeta que pegasse uma vara próxima, que se transformou numa serpente ao toque de sua mão. A voz, então, ordenou que ele segurasse a serpente pela cauda e ela novamente tornou-se uma vara. Em seguida, Moisés colocou no peito a mão com que segurava a vara e ela tornou-se branca como leite. Ao ser retirada, a mão volta ao normal. 

A voz angélica ordena a Moises que volte ao Egito para libertar seu povo, que atravessaria o Mar Vermelho e o deserto, peregrinando por terras secas até chegar na terra de onde emanaria leite e mel. Há, portanto, uma relação entre o divino, sua chegada aos vegetais, sua passagem pelo reino animal, até chegar a uma figura humana feminina, que representaria a noiva, a esposa e a mãe do verbo de Deus.

O nome do povo gnóstico chamado “molocanes”, que na língua eslava significa “bebedor de leite”, também carrega todo esse conteúdo profetosófico. Os molocanes são, portanto, um povo guiado por um profeta enviado da mesma forma que o foi Zoroastro. 

Os Evangelhos narram que Jesus, o maior de todos os profetas, o Verbo de Deus, nasceu em um estábulo onde havia vacas leiteiras, o que indica, igualmente, o processo relacionado ao elemento lácteo sagrado. Todo profeta cristão é, pois, um bebedor de leite, ou seja, ele se alimenta do leite, do Poder da Verdade, processa-o e o distribui para sua Comunidade.

O profeta é um veículo do Cristo que leva para a humanidade o leite e o Remédio Universal. Ele desce a este mundo adoecido trazendo consigo a água, a seiva e o óleo superiores, os quais ele lança nas águas, na seiva e no óleo, no verdor vegetal da natureza decaída. Com a Luz láctea nascida dessa operação, ele gera uma Ekklesia, um Jardim e uma Casa onde há uma sublime alimentação.

No século III, o leite da Luz Divina gerou um grande profeta, chamado Mani Persa. Ele trouxe para a humanidade toda a Verdade na forma de mito e profesia.

Segundo Mani, o tempo tem três etapas: passado, presente e futuro. No Terceiro Tempo, o tempo futuro, a Luz emite o Eon Espírito Vivente, que hoje corresponde uma parte ao presente e outra ao futuro. Nessas duas partes, o Eon Espírito Vivente emite, por meio da Luz Láctea, cinco novas emissões (cinco filhos): Ar, Luz, Água, Vento (Sopro) e Fogo. Na atualidade, o Fogo, o Vento Sopro e a Água agem intensamente na seiva, no óleo e no verdor vegetal gerando uma efervescência aquosa e láctea.

Devemos entender por “leite”, a substância astral pura e paradisíaca de que se alimentava o Adão andrógino. No Paraíso havia um céu acima da Lua astrosófica, isto é, da Lua do Setenário Divino, em nada possível de ser entendida segundo nossos parâmetros mentais, que concebe apenas a lua material. De lá, do céu astrosófico, essa força astral entrava em todos os vegetais do Paraíso e era oferecida na forma de seiva láctea. Por isso os bogomilos representavam a cruz tendo por cima uma lua, e no encontro das barras horizontal e vertical havia seios femininos (simbolizando a substância astral pura) que gotejam leite e água. Esse era o alimento que nutria a Humanidade Original. Depois da revolução de Lúcifer, Deus formou o Eden[1], uma região abaixo do Paraíso, para onde continuou enviando o leite-seiva para nutrir a humanidade. 

Nas Escrituras Sagradas, a água que corre na superfície e no interior da Terra é denominada águas inferiores. Essas águas estão nas raízes, no corpo das plantas, sob a forma de seiva e leite, óleo e verdor vegetal. Quando os filhos do Espírito Vivente aí agem, as plantas tornam-se emissoras das Águas Superiores, ou seja, das águas da umidade do ar e da condensação das nuvens. No texto bíblico de Gênesis 1:1 essas Águas são denomina Shamaim. Em hebraico, maim significa águas. O radical sha significa altura, atmosfera alta. Por isso Shamaim é traduzido por Céus.

Os Céus têm duas partes: uma que surgiu com o erro de Adão e outra oculta, edênica, onde trabalham os Santos Anjos de Deus representados pela citada serpente com mamilos, da qual escorre água e leite para uma especial nutrição espiritual. Porém como estamos para além das fronteiras do Eden, sob o céu da natureza decaída, Jesus precisou vir a nós, para plantar aqui a cruz com mamilos. Essa nutrição da Cruz é a nossa Redenção e Transfiguração.

[1] Eden é diferente de Paraíso. O Eden é a parte sublunar construída por Deus para esconder a humanidade e protegê-la da revolução de Lúcifer. Por isso, no Eden, de acordo com o simbolismo alquímico de Fulcanelli, havia uma árvore da vida onde uma serpente com mamilos amamentava a humanidade. Esse lugar de esconderijo é a Ordem de Emergência, a morada provisória da humanidade em seu primeiro estado antes do aprofundamento da queda, é o espaço ainda divino gerado em decorrência do alargamento, pelo Eon Limite, das fronteiras do Pleroma. Porém, como sabemos, a humanidade deu um passo a mais para o abismo e o Eon Limite não pôde acompanhá-la. Então, neste abismo para onde se precipitou o homem, surgiu uma mescla e um mundo antidivino. Mescla porque é um lugar onde atuam as forças luciféricas, aprisionadoras, e as forças angélicas que nele mergulharam para libertar o homem. A serpente que aqui está só produz veneno e morte. Saibamos, pois, que este mundo não é a terra de onde emana leite e mel. 

Figura 1: Jesus seiva e a nutrição do Santo Graal. Os Querubs na forma de vacas que nutrem o Eden e partir da Cruz vertem para o gnóstico a Santa Nutrição.

 Na Escola de Mistérios de Ísis e Osíris há o Mito de que Ísis encontra-se nos céus astrológicos (céu do dia da natureza decaída) como uma vaca branca marchetada de estrelas, portanto, os céus processam a seiva-leite e a água das plantas transformando tudo isso em nuvens de chuva. Junto com essas nuvens vem-nos o fluido espiritual da Verdade na forma de lustração batismal.  

A parte oculta dos Céus (a edênica) é representada nesse Mito por uma vaca celeste negra (que é Céu noturno do iniciado gnóstico), com seu couro marchetado de estrelas. Ela dá seu leite sagrado para todos esses iniciados. Alquimicamente esse leite significa uma efervescência santa, angélica, transfiguradora. 

A efervescência das Águas Superiores se dá nas configurações astrológicas e, em reflexo, nas configurações astrosóficas. Nas datas de 17 e 18 de maio de 2017, astrosófica e astrologicamente, a Lua esteve alinhada com os planetas de Mistérios Fênix, Ea e Marduk, formando uma quadratura. Essa quadratura significa os quatro filhos do Espírito Vivente: Luz, Água, Vento (Sopro) e Fogo. 

Do ponto de vista astrológico, esses quatro planetas, na forma de Vaca Celeste, colocam a humanidade diante da Verdade e caem as máscaras. É exatamente isso que caracteriza o atual momento aquariano vivido pelo Brasil e pelo mundo.

Quando a Gnosis fala da mulher noiva, mãe e esposa, isso diz respeito ao processo da cruz com mamilos, que verte água, sangue, mel e estrelas pentagramáticas. As pentagramas são os cinco filhos do Espírito Vivente movendo para a humanidade a Santa Refeição transfiguradora. Com esse conceito de feminidade, nos alinhamos com o Evangelho da Pistis Sophia, com o Evangelho de Maria Madalena e com o Dito 114 do Evangelho de Tomé. Nesse dito, Pedro pede que Jesus afaste Maria do grupo dos Apóstolos e afirma que as mulheres não são dignas do Reino de Deus. E Jesus lhe responde: “Eis que vou torná-la Espírito Masculino como vós outros machos, pois toda mulher transformada em Espírito Masculino, herdará o Reino dos Céus”.

Na citação, devemos entender Reino dos Céus como o espaço sagrado do Eden, no tempo em que não havia gêneros, pois Adão ainda estava em seus últimos dias de androginia. Este céu edênico tem duas partes: a astrosófica, que corresponde à androginia de Adão; e a astrológica, que corresponde ao Adão (humanidade adâmica) dividido sexualmente em homem e mulher. Transformar as mulheres em espírito masculino deve ser bem entendido: significa toda a humanidade recuperando a sua androginia, o estado que Jacob Boehme denomina Virgem Masculina.

Na presente Era de Aquário, quando falamos da função sacerdotal gnóstica da mulher referimo-nos ao seu trabalho com a humanidade pneumática de recuperação do estado inicial (andrógino) de Adão como habitante do Eden. E estar no Eden configurado como um ser andrógino é estar na máxima e total posse da saúde, pois a quebra da androginia em dois gêneros foi a fonte de todas as doenças e males da humanidade. 

 Entre esses males estão as doenças emocionais e de alma, que as pessoas, em Aquário, não mais conseguem esconder. A alma de conflitos manifesta um estado muito conturbado, em virtude da condição tensa, caótica, do éter nervoso. Mas as configurações astrológicas, conforme atras dito, ocorrem em paralelo com as astrosóficas. Assim, para os distúrbios aqui manifestados há o correspondente bálsamo da Árvore Cruz da Cura. 

No contexto do que até aqui explicamos, imaginemos uma grande árvore verde de onde emanam, na forma de Vento Sopro, sagrados vapores aquosos. Esses vapores são comparáveis ao esplêndido canto de um pássaro que desta árvore emite esse som melódico para o alto, no sentido contrário ao do leite da vaca celeste. Na tradição eslava, esse pássaro tem o nome de kukushka. Ela canta, através da efervescência da água, magníficas canções em forma de Evangelhos Curadores.

O grupo gnóstico eslavo chamado molocanes ensinava acerca desses Evangelhos Curadores e da kukushka, que anunciava o alimento, o remédio evangélico, espiritual, o qual eles buscavam no poder alquímico da albumina (album, alma) existente no leite. Esse poder também se faz presente na clara do ovo e no plasma sanguíneo. Na albumina fica registrado o sopro de um profeta que vem nas angulações do tempo para efervescer a água (Batismo), a seiva, o óleo (Fitoastroterapia) e a luz láctea de uma Ekklesia.

Pelo exposto acerca da sustância láctea, da albumina, podemos entender que o veículo desse Remédio Universal em seu aspecto curador diz respeito ao sacerdócio feminino. Observamos que nos Mitos de Mistérios é mostrado o seio da mulher. Essa representação significa o interior dos interiores, de onde emana a Verdade Libertadora.

Os molocanes eram praticantes da Gnosis Cristã. Surgiram na Rússia nos séculos XVII e XVIII, depois se expandiram até a Armênia. Apesar de hoje terem perdido suas origens – como aconteceu com os paulicianos, cuja Igreja interna e ensinamentos secretos desapareceram com a Reforma Protestante – os molocanes deixaram na alma pneumática da Rússia a história da kukushka. A figura do pássaro era entalhada nos antigos relógios de madeira e marcava as horas com um canto (o “cuco”). O relógio em forma de casa representa a Ekklesia; e seu funcionamento com dois pesos em paralelo, o Dualismo.

Figura 2: a kukushka sopra, no tempo, a força magnética da efervescência das árvores do Paraíso e do Eden, que dão seu leite (a seiva), pelo tempo eternal.

Ensinavam os molocanes que a kukushka fazia revelações tanto sobre o tempo quanto sobre o não-tempo e chamava os homens em direção contrária à do relógio: em direção à Eternidade. Até hoje, em poemas e músicas russas, pede-se ao pássaro para dizer o que o tempo pode ensinar ao homem, pois “o tempo aqui está há muito tempo”; pede-se que ela fale sobre o destino e além deste, sobre o que é puramente humano, imperfeito, emocional, conflituoso; e que dê algo de seu conhecimento à humanidade, a fim de que ela se volte em direção ao espiritual, ao divino, já que o sublime pássaro viu passar sobre a Terra muitos homens sábios e tolos.

A kukushka é um dos filhos proféticos gerados pela Fênix (como planeta de Mistérios), portanto, ela pode ensinar acerca de todo o percurso de um Anjo Melquisedequiano ou de um Profeta nascido da efervescência ocorrida nos astros. Como a mãe, a kukushka vive entre o tempo eternal e o cronológico e canta anunciando o fim de um ciclo de palavras instrutoras e a abertura de outro; ela fala de um tempo que se encerra, de um que se abre e de outro que não se encerra nem se abre porque é eterno. Assim, esse pássaro representa o nascimento de um novo Eão, de uma nova etapa do Mito Cosmogônico de Mani. Este Eão é cantado e en-cantado.

A kukushka está associada ao número 32 (20+12), como é demonstrado na figura 2, onde o relógio em forma de ovo marca 12 horas e 20 minutos, o tempo que ela choca com seu canto. O doze está assinalando as doze letras básicas do hebraico; e o vinte, a circulação dessas letras de fogo.

Quando a kukushka anuncia uma hora astrosófica e, em reflexo, uma hora astrológica, ela alimenta fatos e cursos de acontecimentos referentes às almas caminhantes para a Eternidade. Ela traz um nutriente, uma força magnética aglomeradora e um impulso luminoso que auxilia essa alma. Nas esferas astrológicas, o sopro do pássaro afasta os elementos de trevas, é quando se dão os grandes abalos nas falsas construções da Gueenah, pois esse sopro, separando Luz e trevas, provoca um desmascaramento, um terremoto e um dilúvio de proporções climáticas e atmosféricas. Isso se explica pelo fato de que o planeta de Mistérios Ea provoca as catástrofes ocorridas na superfície da Terra. 

Os planetas de Mistérios Fenix e Ea, regidos pela força que vem do Eden para nossa redenção, trabalham tanto o lado oculto dos céus (o Reino dos Céus) quanto o lado astrológico (o reino das trevas, onde jaz Adão). Na Comunidade Jessênia, falamos da existência de sete planetas de Mistérios, três corpóreos: Urano, Netuno e Plutão; e quatro incorpóreos, chamados de Vulcano, Marduk, Fênix e Ea. Esses planetas incorpóreos flutuam no espaço não-dimensional como ideias sagradas. Tudo isso tem nota musical no relógio da kukuskha.

Nas esferas astrosóficas, a efervescência da seiva elaborada das árvores do Paraíso e do Eden gera um som. É das letras e do salniter desse som que surgem os nomes de ibnato, a Identidade-Espírito perdida na queda, o que é representado no anime A Viagem de Chihiro com o nome de Raku, o dragão das águas lustrais. Esse nome de ibnato é mostrado no desenho saindo das mãos de Chihiro e sendo capturado pelas mãos da bruxa Yubaba, as forças gueênicas. 

A bruxa Yubaba é a mulher-bruxa, a feminidade planetária da natureza decaída, chamada de “mulher-Gaia” na seita ocultista Wicca. O Jessenismo, ao reformular a ideia de feminidade sagrada, dá-lhe a identidade edênica correta, fugindo de toda e qualquer distorção monista de que sofre a figura pneumática feminina. Como gnósticos que somos, nós, jessênios, trabalhamos na recuperação dessa identidade plerômica, gloriosa, do homem, em cujo sistema original resplandeciam as polaridades macho/fêmea divinas em uma unidade. Da interação desses dois polos (positivo e negativo) de que era composto o Homem Primordial (o Adam Kadmon, como o denomina a Cabalah e o Maniqueismo), resultava uma personalidade angélica andrógina magnífica, perfeita, cujos contornos abstratos formavam um rosto e um corpo impossíveis de serem imaginados por nossa mente concreta, os quais foram dissolvidos, descompletados, na queda. 

Uma vez recuperada essa identidade plerômica, ela ressurge luminosa e sonora pelo trabalho sacerdotal, com o suor das mãos que laboram no amar, conhecer e servir, no Mercúrio Filosofal. No início da história de Chihiro, ela tem nas mãos uma rosa que murcha (quando se inicia a Psicopompia[1]). Nesse momento ela e seus pais desviam-se da estrada e entram da cidade de Yubaba (na Gueenah). Essa é a razão de termos de reverdecer nossa rosa, para não entrarmos na cidade de Yubaba.

O processo de se livrar da entrada noturna na cidade de Yubaba envolve, pois, um trabalho dedicado de mãos sacerdotais, que labutam dia e noite numa Escola de Mistérios Libertadores. Se esse labor é bem-sucedido reverdeceremos nossa rosa e redirecionaremos nosso coração para o mundo das Falanges Angélicas. Quando, no período noturno, estamos sob o Céu do iniciado gnóstico, o Sol dessas Falanges fará em nós a fotossíntese da cura do mal da queda.

[1]Psicopompia. Processo sacerdotal gnóstico de guia das almas após ocorrida a morte física. Esse processo é explicado na Divina Comédia, de Dantel Alighieri, no Mito de Caronte e do Lago Estígio; no Livro Egípcio dos Mortos; e no Bardo Todol. No Livro Egípcio dos Mortos, fala-se de uma região chamada Amenti, que é a Gueenah, onde os mortos podem vagar perdidos se não tiverem auxílio psicopômpico. Também o Nuctemeron, de Apolônio de Tiana, nas suas Doze Horas Noturnas, discorre acerca da Psicopompia.

Figura 4: a fotossíntese que devemos realizar, com o auxílio das Falanges Angélicas e do Espírito Santo, a fim de anular o mal da queda, e os gestos de mãos que devemos desenvolver para entrar na Santa Escola de Mistérios.

As mãos funcionam como extensões do coração e do timo em suas atividades na albumina do sangue. No processo gnóstico, o timo nos remete de volta ao estado de criança, de albigense, e assim o nome de ibnato poderá novamente ser a assinatura da alma. 

O trabalho de mãos sacerdotais – especialmente se elas estão em posição de mudra da mão aberta, e tocam o leite e depois os demais alimentos da Refeição Sagrada – exerce um dinamismo no mantra de nome de ibnato. O mesmo ocorre com as mãos realizando o mudra da instrução, ou seja, quando estudamos, expomos e retemos a doutrina gnóstica. 

                Figura 5: os mudras que permitem a assimilação e digestão da Luz Gnóstica por meio da modificação do éter químico.

Na Gnosis Prisciliana e na Bíblia, particularmente em Filipenses 3:19, e em Apocalipse 10:10, estudar, expor e distinguir a doutrina gnóstica significa direcionar a nossa vida segundo a Santa Instrução e com ela alterar o vigor do nosso corpo etérico. Distinguir o ensinamento gnóstico é igualmente representado no Apocalipse pelo Anjo que entrega o livrinho para João comer. Isso está relacionado com a atividade do éter químico direcionado para o verdadeiro discipulado e para o Mistério Prandial. A Mesa Sagrada, na Ekklesia Jessênia do Myniam, tem uma bíblia aberta, pão e sal, representando a alimentação libertadora. 

Figura 6: a Arché que muda, por meio do Mistério da Cruz, o nosso éter químico e luminoso, tornando-o apto para o entendimento e assimilação do que é o Caminho Gnóstico.

Se a dinâmica do processo iniciático gnóstico for interrompida, se o alimento faltar e houver a perda da fé e de sua consolidação diária, a Gueenah volta a habitar nosso sono, infecta as nossas mãos e nos rouba a força do nome de ibnato.   

Figura 7: a mão direita, o Ta5, o Ta15, os sete níveis de consciência gnóstica, a modificação do éter químico e aparição do estado alquímico da súplica

Existe um suor noturno discipular que acontece tal como o processo da gutação vegetal. Ele está ligado não mais às mãos, mas aos pés e ao toque lustral que é feito neles. Os pés se tornam então iguais a raízes e nos tornamos, alquimicamente, árvores humanas que sonham junto com o verdor planetário. Essa união de árvores humanas com o vergel terrestre gera uma efervescência da Luz, que o Profeta veículo da Verdade derrama no planeta para convocar os corações fraternos para a grande reunião chamada Ekklesia e para fazer desta uma semelhança com o Paraíso e suas árvores divinas.

Figura 8: a simbólica gnóstica contém traços e reminiscências dos bosques do Eden e do Paraíso. Quando essa simbólica encontra o coração ardente abre-se pelo poder das mãos o conhecimento que nos permite construir o relacionamento eclesiástico e discipular transfigurador.

As árvores do Paraíso realizam processos celestes de gutação que formam o salniter, o suor vegetal. Cada gota desse suor soa e sua, encerrando três propriedades: 1) nomear seres angélicos, lugares celestes, Deus, e os filhos de uma Ekklesia Gnóstica; 2) substancializar a Luz no duplo etérico do homem como tinctura alba (albumínica) e tinctura aurea (a transformação dessa albumina em ouro filosofal), formando a Alma Ka e o poder da súplica por nutrição alquímica de suas potencialidades divinas; 3) manifestar um caminho verde (per-green-ação) daqui ao Eden e ao Paraíso por meio do qual a Domus Sancti Spiritus (Casa do Espírito Santo, Igreja do Paracleto) conduzirá seus puros (albigenses, albumínicos) e verdadeiros filhos. 

Na natureza terrestre, o fenômeno da gutação se verifica nas gotinhas produzidas nas folhas das plantas. No homem, essa gotinha se origina no fígado, onde fica a ponta do cordão prateado, que na hora da morte vibrará com o nome de ibnato do discípulo. O fígado produz a albumina. Entre esse órgão, o timo, o coração e a corrente sanguínea, ocorre um trabalho (uma operação albigense, albumínica) pelo qual a gota do salniter humano soa com o nome de ibnato e nos dá a capacidade de salmodiar, de louvar, de suplicar, bem como a condição psicopômpica de viver alquimicamente as cinco primeiras horas do Nuctemeron, isto é, de passar pelas cinco primeiras portas da Gueenah. O fígado nos abre a noite para o sono e o dia para a vigília, mas um dia ele fechará nossa noite com uma imensa treva chamada morte, momento em que a gota que ele produz terá de soar com o nome de ibnato do morto. Esse processo está simbolizado, na gravura Collegium Fraternitatis, pelos escudos com o nome de Jehovah acima da janela por onde sai uma trombeta.

Figura 9: Collegium Fraternitatis. De uma janela sai uma trombeta soprando um grande som, que forma as letras CRF, embaixo de homens que sacodem folhas de palmeiras. Esses gestos indicam o Eden e o Paraíso fotossintetizados em nossos corações. O balançar das folhas move a água hepática e nosso nome de ibnato.

Na ilustração Collegium Fraternitatis, a trombeta soando o nome de ibnato chama para a grande reunião da Ekklesia (da Fraternidade), o que explica a sigla CRF, Cristão Rosacruz Fraternidade. Acima das trombetas estão homens sacudindo folhas de palmeiras, que podem ser vistas como as penas do pássaro vegetal, a kukushka, com que os Reveladores Gnósticos escrevem o nome de Jehovah. As penas sacudidas representam a instrução.

Os ensinamentos ora apresentados incluem-se nos Graus 17, 20 e 21, do Frater Rosacruz, do Cozedor de Rosas, do Fitoastroterapeuta, e ensejam um convite aos pneumáticos conscientes, bem instruídos em Gnosis, a uma ação resoluta diante do trabalho dos três magníficos poderes do Paracleto: Gabriel, Micael e Metatron.

Metatron agora mede, com sua cana de ouro, a quadratura da Jerusalém, da Ekklesia que desde 2001 é construída para toda a humanidade pelos jessênios do Oriente e do Ocidente, sob a maestria de nosso Anjo de Luz, Mebaker Jodachay Bilbakh.

Metraton é relatado nos ensinamentos cabalísticos mais elevados como o pássaro que ficava ao lado de Adão, pousado junto à árvore da Vida no Paraíso. Quando Adão foi expulso e perdeu as suas asas, Metatron enviou pássaros proféticos semelhantes a si mesmo para brilharem no reino das trevas onde Adão havia caído. É nesse sentido que a kukushka é considerada um pássaro profético que entra no espaço das doze horas zodiacais, e desce até o ponto mais inferior do zodíaco, câncer, onde ela produz seus sons e com as unhas de seus pés fere o ramo da vida original derramando para a humanidade o fluido astral e etérico salvador qual um jorro de seiva e sangue do Graal. Esse Graal Santo é como as folhas de palmeira que os quatro homens na torre do Colegium Fraternitatis sacodem para produzirem um respingar dessa Força Salvadora.

As gotas caídas dos pés da kukushka são a força e a instrução iniciática de uma Escola de Mistérios. O homem que sacode a folha de palmeira (as penas do pássaro) no momento é o Mebaker Jodachay Bilbakh. Ele é a kukushka da Era de Aquário. Com suas sacudidelas, esse Profeta conta para nós doze horas diurnas e doze horas noturnas. As doze horas noturnas são aquelas descritas no Nuctemeron. Diante desse ensinamento, conclui-se que os gnósticos molocanes eram grandes conhecedores da Cabaláh Cristã, da Gnosis e do sagrado Pitagorismo do Nuctemeron.

A construção dos primeiros relógios de cuco foi largamente inspirada na lenda da kukushka que, por sua vez, é uma reminiscência do Mito de Mani Persa, segundo o qual a ação salvadora se dá em três tempos: no passado, na queda do pássaro Adão; no presente, em que se inclui o trabalho do Mebaker Jodachay Bilbakh; e no futuro, na continuidade da ação da kukushka de sacudir suas majestosas penas para a salvação da humanidade.

O Mito de Mani relata que a partir do Segundo Tempo, quando houve a queda do Homem Primordial, foi preciso manifestar-se na Terra um Anjo poderoso chamado Espírito Vivente. Ele age no mundo sublunar com a ajuda de cinco outros grande Anjos. O segundo desses Anjos é o Rex Honoris (Rei de Honra), que está em um espaço entre a Lua e a Terra. Toda ação angélica que passa por ele toma a forma de kukushka, e quando ela chega ao solo da Terra, transforma-se em Hierofante e Profeta fundador de uma Escola de Mistérios. 

Essa é a raiz iniciática da ideia do relógio de cuco. Sua origem foi no extremo oriental da Europa, na Eurásia, na região onde há muitos anos habitaram os molocanes e os bogomilos: os Balcãs. Mas o tempo apagou completamente a lembrança desses grandes fatos, que são resgatados pelos Hierofantes, os grandes portadores da memória da Gnosis, sem os quais essa memória se perderia. Assim, os Hierofantes jessênios trazem para a Era de Aquário todo o trabalho do farfalhar das penas das kukuskhas de todos os tempos, do seu maravilhoso canto em prol da libertação da humanidade perdida no reino das trevas. 

Ibny Joshai

Hierofante da Escola Jessênia do Ocidente