INTRODUÇÃO |
Caro pesquisador dos Mistérios Gnósticos.
Nesta Terceira Carta de Contato, aprofundaremos os estudos dos temas até aqui abordados acrescentando outros com a finalidade de proporcionar uma visão mais ampla, no contexto do Jessenismo, das Tradições Esotéricas e de como elas se apresentam renovadas e ressignificadas na Era de Aquário.
Na carta anterior, começamos a discorrer acerca da Era de Aquário e dos motivos que nos levam a ver a sua alvorada em diversos momentos da história do homem sobre a Terra, em particular, na data de 23 de setembro de 2001.
Um dos pontos em que se apoia nossa ideia de que Aquário teve uma forte manifestação ao longo de 2001 é a Grande Pirâmide, a de Quéops, na qual há três câmaras: uma subterrânea; outra chamada Câmara da Rainha; e a mais alta, a Câmara Real, a do Rei.

Importantes informações cronológicas e astronômicas estão registradas nas medidas da estrutura da Grande Pirâmide:
1º - Seu perímetro é de 365,24 polegadas, igual ao número de dias do ano solar;
2º - Dividindo o número 365,24 por 4, temos a base de cada um dos lados: 9.131 polegadas, igual ao tempo que separa os equinócios; 9.131 dividido por 25 (o número de polegadas do côvado egípcio e hebraico) leva-nos de volta ao número 365,24;
3º - Sua geometria indica a distância entre a Terra e o Sol;
4º – Sua estrutura geométrica indica o diâmetro polar terrestre e o valor exato do número Pi (3,1416);
5º – Nela está registrado o valor do metro linear e indicado o norte magnético da Terra;
6º - Há, ainda, a indicação da data de nascimento de Jesus Cristo e de outras datas como: 2 de agosto de 1909; 28 de outubro de 1912; 5 de agosto de 1914; 18 de janeiro de 1918; 11 de novembro de 1918; 10 de agosto de 1920; 6 de março de 1924; 11 de junho de 1927; 29 de maio de 1928, 16 de setembro de 1936; setembro de 2001; 11 de novembro de 2011; e o ano de 2016.
A Grande Pirâmide tem uma complexa relação com o céu. Nela está contida a ideia de que Osíris, em sua jornada noturna em direção os portões celestes, escapava pelas passagens de ar denominadas SAH, e seguia pelo orbe celeste em direção à Luz divina.

Todos os fatos aqui citados relativos à Grande Pirâmide chamou a atenção de Blavatsky e de outros teósofos, e igualmente do fundador da seita religiosa Testemunhas de Jehováh, bem como das diversas linhas da tradição maçônica. É importante também mencionarmos o fechamento da Pirâmide de Quéops pelo governo egípcio em 11/11/2011 (data registrada na pirâmide) para evitar a realização de uma cerimônia maçônica de forte cunho esotérico profético que aconteceria no local.
Essas informações referentes à Grande Pirâmide levam-nos a concluir que as Tradições Esotéricas Cristãs (às quais se vincula a Escola Jessênia) têm forte conexão com a Tradição Egípcia. No Jessenismo, a estrela Sirius (figura 2) está relacionada à Era de Mani Maitreya, cujo início, segundo as datas registradas na pirâmide, é o ano de 2001. Mani Maitreya é outra face de Mani Paracleto, e sua manifestação neste século XXI é vinculada às manifestações anteriores do Paracleto nos séculos III e XII.
Manifestações do Paracleto são eventos que só podem ser compreendidos por meio da Gnosis cristã, pois estão profundamente relacionadas com o modo próprio do Logos de comandar o dinamismo angélico do Pleroma. Assim, Anjos, o Cristo cósmico, o Paracleto, os Santos Hierofantes e as Ekklesias por eles fundadas no planeta formam um conjunto de ações plerômicas que são citadas nos escritos especificamente gnósticos, como o Evangelho de Tomé, o Evangelho de Filipe e o Evangelho da Pistis Sophia. Os Escritos Maniqueus também relatam com detalhe esse dinamismo. Nos Evangelhos canônicos, quem nos dá relatos a esse respeito são os Apóstolos Lucas e João.
Esta Carta de Contato 3 visa auxiliar o buscador da Verdade no entendimento dos temas a que vimos nos referindo. Nela iniciaremos a abordagem de determinados pontos iniciáticos a respeito da Gnosis cristã que permanecem ocultos, fora do alcance dos diversos grupos esotérico e daqueles que se autoproclamam gnósticos. Revelaremos esses segredos indicando seus fundamentos na literatura de Nag Hammadi, de Qumran e dos Manuscritos Maniqueus, na Bíblia e em outros escritos gnósticos. Não deixaremos para o público pesquisador a impressão de que o Jessenismo é um campo de especulações esotéricas infundadas e um horizonte aberto a todo tipo de imaginações fantasiosas.
CAPÍTULO 1 POLOS PROFÉTICOS DO ESOTERISMO: A MESETA DO PAMIR E O VALE DO CRESCENTE FÉRTIL |
O buscador da Verdade que já teve algum contato com o Jessenismo sabe que, diferentemente de outros grupos esotéricos da atualidade, a doutrina jessênia tem suas bases nos ensinamentos iniciáticos da Índia, Egito, Palestina, Babilônia e Pérsia segundo uma mui bem perfilada síntese pansófica[1]. Tal afirmação pode suscitar a pertinente pergunta de por que não mencionamos a Grécia, a Ásia anatólica, a China, ou as Américas inca, asteca e maia.


1 Pansofia é uma palavra utilizada pelos rosa+cruzes clássicos com o significado de formulação de um Saber que contém a soma de todos os Saberes disponibilizados ao homem ao longo da sua saga de busca espiritual. Alguns rosa+cruzes do século XX utilizaram esse termo como sinônimo para a expressão Sabedoria Universal.
A indagação acima formulada deve ser respondida segundo uma linha de ensinamentos esotéricos surgidos ao longo do desenvolvimento da Profetosofia, na extensão geográfica denominada Vale do Crescente Fértil.
Segundo a corrente dos Saberes espirituais manifestada na região do Vale do Crescente Fértil, a Verdade e sua veste angélica surgem por meio de uma atividade no Reino da Luz denominada Probole (Emissão). O Pai criador de todas as coisas emitiu-Se a Si mesmo na forma de Verbo e, depois, como Verbo e Espírito Santo. As emissões do Verbo e do Espírito Santo emitiram, por sua vez, o Pleroma, isto é, a totalidade de Seres Angélicos, e todos juntos emitiram uma organização humana denominada Ekklesia (Igreja) também repleta de aspectos e poderes angélicos.
Essas Proboles podem ser explicadas de muitas maneiras, a mais importante destaca-se pelo fato de que nessas operações alguns seres plerômicos ajustam forças e determinados aspectos angélicos do Espírito Santo (o Paracleto) para que haja na Ekklesia a atividade da Profetosofia. É assim que, desde os tempos do reinado absoluto da Luz, Homens e Anjos estão sob a manifestação das atividades profetosóficas. No Jardim da Ekklesia, isto é, no lugar chamado Paraíso, encontra-se a Árvore da Vida, da qual flui um rio com quatro braços. As demais árvores – coordenadas pela Árvore da Vida e por Querubins que ali giram suas espadas de fogo – produzem diálogos e vozes proféticas, e de suas misteriosas folhas surgem sons e línguas ígneas, cânticos e conversações de elevado conteúdo da Sabedoria de Deus. Após o acidente da Queda, foi preparado um organismo que refletisse a Ekklesia Celeste: a Ekklesia terrestre, a qual trabalha como uma barca de salvação para as almas que anelam por retornar ao Paraíso. Nela, a Profetosofia é dinamizada por meio dos Hierofantes, os enviados da Luz que fundam essas Ekklesias.
O Gênesis bíblico trata, em seus três primeiro capítulos, do ambiente em que se deu a manifestação da Ekklesia terrestre, construída pelos grandes Hierofantes com o auxílio da Fraternidade Angélica. Um dos quatro braços do rio, por onde a Ekklesia terrestre faria circular no planeta a Sabedoria de Deus, o braço que seguia para o Oriente da Assíria, produzia a Profetosofia. Esse oriente assírio, sabemos, era a região da Pérsia.

A Assíria era o território que hoje corresponde ao Iraque, mostrado no mapa da figura 4. Ao seu oriente está o Irã, nome da antiga Pérsia. No presente, nessa região é praticado o Islamismo Xiita, em que se mesclam ensinos do Quran, do Zoroastrismo, do Maniqueísmo e da Gnosis Valentiniana.
No Império Assírio (1250 a.C. a 650 a.C.) houve um grande intercâmbio de conhecimentos espirituais, ocorrido desde o lado ocidental do império, correspondente ao Egito dominado e à Palestrina, até a Síria e a Babilônia, estendendo-se para a terra dos medos, onde após 650 a.C. teve início o Império Medo Persa. Essa é a Corrente Dualista da Sabedoria Universal, que se formou no território conhecido como Vale do Crescente Fértil.
Mais ao oriente desse território, na região chinesa da Meseta do Pamir e sua continuação com o nome de Cadeia do Himalaia, manifestou-se a Corrente Esotérica Monista. Os grandes profetas que apareceram por conta da ação angélica sobre o Himalaia e a Meseta do Pamir foram Rama, Krishna, Buda, Patañjali, Shancaracharya, Guru Nanak Dev Ji, Confúcio e Lao-Tzu.
Patañjali foi um mestre hindu que viveu entre 200 e 150 a. C. Ele teve como missão desenvolver a técnica iôguica de respiração, o Pranayama, a qual é base das práticas de todas as escolas de Ioga.
Shancaracharya, também hindu, viveu de 788 a 820 d.C. Filósofo considerado um dos maiores reformuladores do monismo vedântico, ele foi um expoente da Advaita Vedanta, uma corrente monista de interpretação das Sagradas Escrituras Hindus, os Vedas. Os comentaristas do trabalho desse filósofo costumam compará-lo a Buda e ao próprio Jesus. Nas correntes dualistas esotéricas essa comparação de Shancaracharya com Jesus é considerada imprópria e exagerada.
Guru Nanak viveu entre 1460 e 1539 d.C. no Punjabi, região entre o Paquistão e a Índia. Foi o fundador do Sikhismo, uma mescla de Hinduísmo, Sufismo e Islamismo. A religião sikh era monoteísta e universalista, mas como sua síntese se deu onde o Islamismo exercia grande influência, sua tônica esotérica tornou-se monista, portanto, adaptada à força angélica que atua no Pamir.
Para o estudante estabelecer uma boa base na construção de seu entendimento acerca das origens das duas vertentes do Conhecimento Espiritual oferecido à humanidade – o Monismo (Meseta do Pamir) e o Dualismo (Vale do Crescente Fértil) – é necessário ressaltarmos as principais características dessas vertentes: o Monismo opera com o lado esquerdo do coração, onde se encontra o átomo-semente, que rege a vida do homem na matéria e os aspectos sutis de sua religiosidade e iniciações; o Dualismo opera com o lado direito do coração, onde se encontra o Protoátomo, o princípio divino em nós, a reminiscência do Homem Primordial. A partir desse átomo é desenvolvido o processo de libertação.
Considerando essas explicações atrás apresentadas acerca dos dois lados do coração, podemos entender a importante doutrina jessênia – fundamentada nas instruções de Jesus, de Paulo Apóstolo (Hebreus 3: 7, 8 e 15) e com influências dos Mistérios Egípcios – acerca do ouvido e do braço direitos e da ação do homem de erguer o braço direito para receber o Tríplice Mistério da Unção. Em uma leitura dualista, os jessênios a detectaram na essência do ensino de Guru Nanak. De fato, em muitas gravuras, esse filósofo é retratado com a mão direita levantada, ideia assimilada da doutrina de Mani Persa, quando este desceu para a Índia passando pelo Paquistão e, portanto, pela Meseta do Pamir. Mani ensinava que o braço e o ouvido direitos devem operar da mesma forma como ocorreu no Homem Primordial, que, ao tombar em direção ao charco das trevas, deixou o braço direito erguido em súplica pelo socorro do Pai.
Para esse socorro foi desencadeada uma atividade angélica que fez chegar à natureza quedada as gotas de águas lustrais, as Nituptas, vias aquosas que possibilitam ao homem o retorno ao Paraíso. Segundo a Gnosis Mandeana, a Nitupta é a Grande Gota Primordial que o Espírito de Deus moveu para produzir Luz e Vida. Todas as Ekklesias Santas, as Escolas de Mistérios, estão abrigadas pelas ações angélica da Grande Nitupta. A Escola de Mistérios Jessênia é denominada Comunidade das Cinco Nituptas (Comunidade das Cinco Gotas): de água, óleo, sangue, leite e mel.

CAPÍTULO 2 AS TRADIÇÕES ESOTÉRICAS ANTIGAS E A SUA RENOVAÇÃO PELO PROFETA MANI HAYYÁH |
Conforme atrás dissemos, o buscador da Verdade que se aproxima da Comunidade Jessênia deve ter sempre em mente que o Jessenismo muito se diferencia de quaisquer grupos ou movimentos espirituais com raízes no monismo da Meseta do Pamir. A doutrina jessênia tem seus fundamentos nos mitos e esoterismos típicos do Vale do Crescente Fértil: Egito, Palestina, Babilônia, Pérsia. Trata-se, portanto, de uma Iniciação Dualista, em que predomina a Gnosis, especialmente a Cristã, cuja característica é a renovação profetosófica de todas as Tradições da Sabedoria Antiga, realizada por Jesus, pelos Apóstolos, por Valentim e, consequentemente, pela literatura e documentos da Biblioteca Gnóstica de Nag Hammadi.
O esoterismo profético tem suas raízes no Vale do Crescente Fértil, principalmente em dois grandes Enviados da Luz: Zoroastro (700 a. C.) e Mani Paracleto (216 a 277 d. C), nascidos na Pérsia, e por meio de quem se iniciaram as revelações doutrinais do que denominamos Dualismo. No Egito, essa doutrina tem seus fundamentos em Osíris, na Grande Pirâmide, em Hermes Trismegisto e na Biblioteca de Nag Hammadi. Na Palestina, as principais figuras da formação da Gnosis Cristã, que é essencialmente dualista, foram: Henoque, Elias, Moisés, os profetas, os essênios, João Batista, Jesus e os Santos Apóstolos. Foi nessa região, na Babilônia e na Pérsia onde buscamos as sublimes profecias de Mani Maitreya, isto é, do Paracleto em sua atuação aquariana.
Mani Paracleto, o grande profeta persa nascido na região da Bactriana, foi o grande renovador da Gnosis Cristã. Sua doutrina é muito presente no Jessenismo, razão por que falaremos um pouco da Pérsia antiga.

Na Tradição Persa Maniqueia, o Paracleto é definido como uma Força do Logos que atua desde o Pleroma até a Santa Ekklesia, a Casa dos Joanitas, isto é, dos seguidores de João e da Joaninha. Ele age desde as excelsas regiões da Luz plerômica até a Santa Ekklesia fazendo escorrer para ela as Santificadoras Cinco Gotas ou Nituptas.

No final do século III da Era Cristã, ocorre no Egito o encontro da Tradição Persa Maniqueia com a Tradição Gnóstica Valentiniana. Nesse momento o conceito de Pleroma tornou-se mais rico pois foi renovado pelo profeta Mani Maitreya. Justamente em razão dessa riqueza que renova o conceito do Pleroma é que aparecem novas ideias a respeito da atuação dos seres plerômicos. Na figura 8, representamo-las acrescidas de muitas outras surgidas a partir das renovações profetosóficas dos séculos VII, XII, XVII e XXI.
Em sua viagem para a Índia, Mani passou por algumas regiões chinesas onde foi recebido como Quinto Buda ou o Buda do Futuro. A formação esotérica de Mani deu-se entre os essênios cristãos denominados elkessaítas. Como peregrino buscador das Tradições antigas, ele saiu da Babilônia e, imitando Abraão, Zoroastro, Rama, Orfeu, Pitágoras e outros antigos profetas, percorreu terras esotéricas observadas atenciosamente pela Luz divina desde os tempos imemoriais do velho continente atlantiano.
Quem conhece bem a literatura dos essênios de Qumran sabe que aqueles grandes iniciados do final da Era de Áries e do começo da Era de Peixes falavam muito da preparação do Caminho do Senhor (Jehováh) no deserto. Eles se referiam ao seu próprio modo de vida inspirado na peregrinação do povo judeu, guiado por Moisés pelo deserto, do Egito até o local que mais tarde tornou-se o território de Israel, Canaã. Sob o comando real de juízes e, em seguida, dos reis Saul e Davi, Israel tornou-se a elevada nação espiritual que conhecemos. Devemos entender, portanto, que a Sabedoria do Crescente Fértil e a do Pamir são espiritualidades peregrinas.



Mani Paracleto é o profeta persa Mani como revelador do Terceiro Aspecto da atuação do Pleroma. Nos séculos IV a XVII, o aspecto Paracleto de Mani retornou à China levado por discípulos maniqueus. Ali houve o encontro do conceito cristão gnóstico do Paracleto com o de Buda Maitreya e o dos ensinamentos taoistas de Lao-Tzu.

Como se pode deduzir do que até agora dissemos, Mani Paracleto significa as expressões proféticas da Sabedoria Universal desde o século III até o século XXI. É exatamente este o pensamento dos remanescentes iranianos do Maniqueísmo. Em sua busca por autenticidade e originalidade, os maniqueus persas atuais admitem que o ensinamento de Mani Persa foi uma espécie de Gnosticismo Zoroastriano com fortes tons cristãos e um Saber Universal.

Os atuais promotores persas do Maniqueísmo dizem que Mani primeiramente enviou missionários à Síria, ao Egito, à Bactriana e a Palmira. Porém deixou escrita a amplitude de sua vontade: “.... que se depender da minha esperança, a Igreja do Paracleto chegará a todas as cidades do Ocidente e do Oriente. A sua mensagem chegará a todas as línguas e será anunciada em todas as regiões. Ela é superior neste ponto justamente porque as anteriores foram eleitas apenas em alguns lugares. Quanto à minha Igreja, ela chegará a todos os povos e se difundirá em todas as cidades, e o meu Evangelho alcançará todos os países".
De acordo com os mapas mostrados nas figuras 8, 9, 10 e 11, o Maniqueísmo nasceu e se fundamentou ao longo do Vale do Crescente Fértil e caminhou por terras próprias do Monismo nascido a partir da Meseta do Pamir. Por isso, somente ele, o Maniqueísmo, pode trazer para o presente, da forma mais esotérica possível, o Saber Oriental Antigo em uma síntese realmente caracterizada como uma Pansofia ou Saber Universal.
Alguns esoteristas dirão, ao ler as nossas palavras acima registradas, que Blavatsky teve a missão de formular para o presente o Saber Universal de forma mais ampla e do único modo que transcenderia as diversas religiões que o homem conhece ou conheceu no passado. Não discordamos desses exoteristas quanto à importância do trabalho de Blavatsky, mas quem estuda a Teosofia logo percebe que a fonte de seu ensinamento é tão somente a Meseta do Pamir.
Muitos dos movimentos teosofistas decorrentes do trabalho de Madame Blavatsky não veem problema em admitir esse ponto de vista, a exemplo da Eubiose, um ramo teosófico surgido no Brasil a partir de 1924.
A Eubiose é uma organização esotérica que busca uma forte expressão teosófica e cristã. O seu ensinamento iniciático monista tem uma face voltada para o entendimento do momento atual. Como diria um eubiota: é um ensino que abre na testa um olho com o qual se pode ver a espiritualidade própria para o presente. Nenhum outro olhar pode penetrar na consciência do presente e achar em seus liames magnéticos o Cristo e o Buda encarregados de realizar no agora a tarefa de Redenção da humanidade. Esse é o Buda saído do Pamir, o Cristo do Himalaia, vindos do Oriente para resgatar, através do Ocidente, a humanidade inteira. Um dos seus misteriosos aspectos é o Buda Maitreya, ou Buda Síntese, que seria irradiado pela sua presença (física?) no Templo de São Lourenço, manifestada desde 2005 até o fim do vigente ciclo evolucional da humanidade.
O intrincado sistema de ensino iniciático da Eubiose passa constantemente por reformulações. Começou como uma instituição espírita e depois passou para um centro de meditação transcendental assumindo numa terceira reformulação o aspecto de promotor do ensino da Madame Blavatsky e do Buda do futuro, o Buda Maitreya. A data de máxima importância a que essa última reformulação se refere de modo enfático é 2005, quando começaria a se estabelecer um passo importante para a evolução da Raça Ariana, que teve início no Oriente, precisamente na Meseta do Pamir, Tibete, por meio de algo que os instrutores eubiotas dizem ser o itinerário de Io. Segundo esse itinerário, o Saber saiu do Oriente e, hoje, depois de percorrida uma grande parte da sua rota, chega ao Ocidente, de forma específica no Brasil.
A leitura atenta desses resumidos apontamentos a respeito da Eubiose leva-nos à conclusão de que realmente o saber indicado por essa instituição é o esotérico monista oriundo da Meseta do Pamir. Nele há apenas o conceito de evolução, o mesmo em que se alicerça a ordem fundada por Max Heindel, a Fraternidade Rosacruz, esquematizada no desenho abaixo.

Segundo as correntes esotéricas monistas oriundas da Meseta do Pamir, o ser humano precisa passar por um ciclo de sete longos períodos de descida à matéria, numa espécie de involução e, em seguida, por evolução, subir para o Espírito. O fato de esse conceito ser de cunho puramente evolutivo demonstra que não está enraizado na Bíblia e no ensinamento dos Santos Profetas.
O Saber oriundo do Vale do Crescente Fértil constitui-se de extraordinárias contribuições dos povos persas, mesopotâmicos, israelenses e egípcios, cujo conceito de profeta e de Profetosofia está demonstrado na figura abaixo. Esse Saber tem seu ápice no Mestre Essênio da Justiça, em Jesus, nos Santos Apóstolos, em Paulo Apóstolo e em seu discípulo Valentin Gnóstico. Com Valentin, o grande ensinamento do Vale do Crescente Fértil passa pela reformulação simbólica que daria origem aos Santos Abraxas.


Os sinais de Abraxas reaparecem no ensino do gnóstico galego Prisciliano de Ávila (século IV d. C.) e a partir dele inundam a antiga Lusitânia somando-se às inscrições lapidares tártessas e cônias, bem como às das construções dos Mestres da Cantaria ou Mestres Canteiros, herdeiros da arte de modelar e assinar pedras de construção.

Os Abraxas Priscilianistas continham o nome de Jesus em grego, Iesous-Ἰησοῦς, cercado de simbolismo observados também em alguns desenhos e afrescos das Catacumbas de Roma.


Essa arte de modelar e assinar pedras de construção tornou presente no Ocidente a espiritualidade de Hiram Abif, o grande arquiteto, e de Salomão, o sábio rei de Israel, desde os recuados anos 1000 a. C., quando os fenícios do norte de Israel (os povos do território que hoje corresponde ao Líbano) realizaram uma expansão comercial até a Península Ibérica para trocar mercadorias com os povos lusitanos conhecidos como tártessos.
Hiram Abif é o mestre canteiro fenício convidado por Salomão para construir o Templo de Jerusalém. Ele aparece na Bíblia no livro de 1 Reis, capítulos 6 e 7. No capítulo 6 encontramos a seguinte informação arquitetônica sobre a construção do Templo: "E edificava-se a casa com pedras preparadas, como as traziam se edificava; de maneira que nem martelo, nem machado, nem nenhum outro instrumento de ferro se ouviu na casa quando a edificavam (1 Reis 6:7)".
Nota-se por essa descrição bíblica que as pedras do Templo de Jerusalém eram cuidadosamente retiradas das pedreiras pelos mestres canteiros chefiados por Hiram Abif e já saíam da sua grande massa rochosa no formato próprio para a construção. Tal arte canteira ficou eternizada nas evocações simbólicas da Maçonaria, uma ordem esotérica que se mostrou ao público europeu por volta do início do século XVIII, na Inglaterra. Ainda hoje essa arte da cantaria simbólica é evocada nessa instituição por meio de figuras, as quais representamos abaixo.

Com propósito bem definido, na figura 20 mostramos a assinatura lapidar do mestre canteiro formulada com três serpentes. Esses mestres eram cristãos gnósticos e o último deles construiu o Jardim Alquímico, que ainda hoje podemos visitar, conhecido com o nome de Quinta da Regaleira, na cidade de Sintra, Portugal. Nessa edificação de cunho gnóstico, o motivo das três serpentes aparece na forma de peixe, serpente ou salamandra.
Construída entre 1900 e 1912, a Quinta da Regaleira é – seguindo aqui o ensino do alquimista Fulcanelli – uma Mansão Filosofal e um Jardim Alquímico onde os Mistérios gregos, o Rosacrucianismo, a Maçonaria e a Gnosis Cristã se misturam em um maravilhoso recanto de símbolos iniciáticos, que são mais bem interpretados pelo Esoterismo Dualista que pelo monista. Um desses símbolos é o da cabra, que em nossas lições dos Graus mais avançados é apresentado segundo a temuráh (jogo de troca cabalística das sílabas de uma palavra) do nome Abraxas, em grego, Abracas,figura da iconografia gnóstica. O resultado dessa temuráh com o termo grego Abracas é Ascabras, que nas Catacumbas Romanas eram sempre representadas junto à figura do Bom Pastor, Jesus Cristo, como guia dos homens.


As Catacumbas de Roma eram locais debaixo da capital do império romano usados como túmulo pelos primeiros cristãos e para a representação de suas crenças. Elas tinham o formato de túneis, que foram reproduzidos de modo semelhante na Quinta da Regaleira. No centro da figura 22, há a foto de um fosso iniciático o qual tem a saída alargada e pedras de passagem, imitando os túneis das Catacumbas. Nessa foto, colocamos a mão-guia noturna, a mão psicopômpica, o cão infernal Cérbero e o número 515, temas dos Mistérios Gregos, dos Mistérios ensinados pelos cristãos das Catacumbas de Roma, da Iniciação da Pirâmide, e que igualmente evocam a obra de Dante Alighieri denominada A Divina Comédia.
No Jessenismo, o número 515 é atribuído aos dois Galos (peteinós-πετεινός, peten ou pénte-πέντε, cinco) que produzem sons e livros a partir dos Pentágonos das Cinco Tradições e dos Cinco Pontos do Peito. Na figura 23, apresentamos aos alunos jessênios a simbologia gnóstica desse número.

Pedimos ao pesquisador que se aproxima dos portais do Jessenismo que o faça com sinceridade e máxima responsabilidade, entendendo e investigando tudo o que expusemos acerca da herança abráxica e gálica que enrique o corpo da Doutrina Jessênia. Podem surgir algumas comparações prematuras e superficiais advindas do fato de que nas Américas, em particular na América Latina, há um conjunto de crenças afro-portuguesas originadas do Sebastianismo e do sincretismo das religiões africanas com as indígenas e o teosofismo, resultando numa forma de corrente espiritual monista new age pouco esotérica e distante do que realmente constitui os desdobramentos e aprofundamentos dos temas aqui indicados e ligeiramente comentados.
Quando falamos de Sebastianismo é de modo rápido e tênue. Esse tema é tratado com maior profundidade nas Lições de Graus, sobretudo nas orais, e nos ensinamentos internos. Assim, em uma abordagem mais ampla, quando nos referimos à figura de Dom Sebastião, o rei português que viveu nos anos de 1554 a 1578, século XVI, logo falamos da Batalha de Alcácer-Quibir, travada em Marrocos e perdida por Portugal devido à falta de habilidade militar desse monarca, que estava entre os combatentes; ele foi morto ou desapareceu.
Com o desaparecimento de Dom Sebastião, Portugal ficou sujeito à coroa espanhola e a nação entrou num momento triste. Foi quando certos setores esotéricos portugueses muito influenciados pela Gnosis Xiita Duodecimana atribuíram ao rei os aspectos escatológicos e maniqueístas da figura do Mahdi ou Décimo Segundo Imã.
Os xiitas são os islamitas seguidores da ideia de que a família do profeta Maomé foi eleita para a liderança e o ensino do Islamismo. Quando ele morreu essa ideia não teve continuidade e o escolhido para sucedê-lo foi Abu Bakr, que não pertencia à família de Maomé. Porém, uma minoria entendeu que o legítimo sucessor seria Abu Talib Al Ali, sobrinho do profeta e casado com sua filha, Fátima. As contendas dessa sucessão geraram derramamento de sangue e a divisão definitiva dos islamitas em dois grandes grupos: os xiitas, seguidores de Al Ali; e os sunitas, que permaneceram escolhendo do modo livre seu kalifa após a morte de Abu Bakr.
Na família de Maomé, os xiitas, havia uma transmissão algo secreta de certos ensinamentos esotéricos que admitiam com muita facilidade as influências cristãs gnósticas, as doutrinas esotéricas zoroastrianas e alguns aspectos doutrinais do Maniqueísmo. No campo dessas doutrinas havia duas grandes ideias: uma afirmava que os líderes sucessores de Maomé, os Iman, seriam doze, daí surgindo os chamados xiitas duodecimanos; outra, de um pequeno grupo, acreditava que esses sucessores seriam sete, pelo que seus adeptos eram designados septimanos.
Para os duodecimanos, o décimo segundo Iman, de nome Muhammad al-Mahdi, não morreu, ele se ocultou no deserto, onde vive sob o éter e o perfume sutil exalado diariamente de sua Comunidade pela dinâmica das práticas dos ensinamentos sagradas. Essa situação foi chamada de ocultação messiânica do Mahdi. É das suas vestes que os esoteristas portugueses tiraram a ideia de que Dom Sebastião não morreu na batalha de Alcácer-Quibir, mas que mesmo ferido sobreviveu graças à prática de certos segredos alquímicos e, após se curar, ocultou-se para retornar em algum momento do futuro.
O Jessenismo tem igualmente forte influência maniqueísta. Segundo nossa doutrina, Mani Hayyáh subiu numa Árvore de Cruz tanto quanto Jesus, de onde passou a derramar seu éter e perfume juntamente com o de Jesus e o dos Santos Mártires Gnósticos.

A doutrina gnóstica oriental sobre Mani Paracleto e suas doze manifestações, chamada BudAroma[1], é originária e explicada apenas no Jessenismo; ela não se expressa em nenhum meio de comunicação, na internet, em livros esotéricos, no ensino new age e nas suas correntes de mestre ascensos. Ela tampouco está presente nas manifestações de ordens esotéricas próximas do Martinismo, da Amorc, da UDV ou das muitas correntes "gnósticas" de Samael Aun Weor.
O Xiistismo tem fortes influências da doutrina do BudAroma, mas formula tais manifestações dos Budas Paracletos emitidas a partir da morte de Jesus na Cruz, de Mani e dos Santos Profetas como a emissão dos Doze Imans, sendo o último deles o Messias Mahdi. Essa doutrina nos chegou pela via boca a ouvido, devido aos grandes diálogos do Mebaker Jodachay Bilbakh com a sua Comunidade no deserto. Portanto, ela não pode ser encontrada em lugar algum e quaisquer eventuais reproduções efetuadas que não por meio da Comunidade Jessênia é ilegítima e sua fonte é inverídica.
Para manter a alta coerência de seus diálogos esotéricos, a Comunidade Jessênia Oriental se inspira no Mito de Mani, apresentado pelo Mebaker Jodachay Bilbakh conforme o esquema abaixo demonstrado, em que destacamos o Éon Canto da Igreja, representado na figura 24 por livros abertos de onde saem sons musicais.
[1] A Comunidade Jessênia Oriental utiliza o espanhol para falar de Budolor: a presença sutil perfumada de Mani Maitreya, manifestada no planeta desde 216 até os tempos atuais. Nós, do Ocidente, usamos a expressão Buda Aroma ou a aglutinação cabalística sonora BudAroma.

Caro amigo buscador dos Caminhos da Verdade. Note que o Saber Jessênio, por ser muito vasto e rico, não pode ser apresentado em sua real dimensão nestas Cartas de Contato. Dele só podemos mostrar leves pinceladas, apontando para o fato de que os Conhecimentos esotéricos dualistas e maniqueístas aparecem nas Américas de modo apagado e totalmente deformados, como é o caso do Sebastianismo existente na UDV e nos grupos espíritas maranhenses chamados Tambores de Mina.
É preciso entender bem a pura Doutrina Gnóstica do Cristo e do Paracleto misturados, na forma de Graal, na seiva da Árvore Cruz e emitidos por doze vezes pelo aroma de Mani Maitreya. E assim, portanto, traçar uma absoluta e categórica distinção entre esse Conhecimento Gnóstico e o ensinamento mitológico dos seres chamados "encantados", do xamanismo afro-brasileiro. Segundo a percepção xamânica, tais seres, como o Rei Sebastião e a figura da Mãe d’Água, existiram em carne e osso, foram feridos mortalmente, mas sobreviveram e se "encantaram”, ou seja, se ocultaram num mundo sutil acima da Terra e abaixo do Céu aparecendo somente de forma mediúnica aos que praticam a arte xamânica.
Para nos afastarmos em definitivo de quaisquer mal-entendidos, afirmamos enfaticamente que os “Doze Aromas do Paracleto”, referidos na figura 24, foram exalados para a humanidade por meio dos sublimes enviados de Deus, aqui nascidos em carne e osso, a exemplo de Belibastes, o último bom homem cátaro, que novamente desceu a este mundo como o Mebaker Jodachay Bilbakh. Vivos na matéria, eles entregam seus perfumes, o Santo Ensinamento, apresentando-o direto de boca a ouvidos. Não há nessa transmissão nenhum fenômeno mediúnico, nenhuma prática teúrgica, ao contrário, tudo é como o próprio Belibastes disse enquanto era queimado pela Inquisição em 1321: "o loureiro que agora vocês queimam, isto é, meu corpo que resseca nessas chamas, reflorirá daqui a setecentos anos, retornará outra vez no físico para ensinar mais uma vez a Santa Verdade e o seu Caminho".
Pode-se suscitar uma comparação entre o que atrás dissemos acerca da descida dos Enviados da Luz, isto é, as Emissões do Paracleto, e a doutrina budista dos Bodhisatvas. Responderemos que há alguma semelhança entre esses dois conceitos. Lembremos que Mani Persa assimilou em seu corpo de doutrina o Budismo que encontrou na China e na Índia. Segundo o Budismo original, o Bodhisatva é aquele que tendo se iluminado decide continuar no corpo físico para ensinar a Verdade a outros e auxiliá-los. A transmissão do Conhecimento Libertador é, portanto, exercida no plano denso e jamais no campo das "encantarias" ou regiões sutis do plano astral, onde esses pretensos ascensos e ocultados se situam e de onde devem ser xamânica e teurgicamente evocados.
O espiritismo kardecista se diz superior a toda e qualquer religião antiga, como o Budismo, o Hinduísmo e o Taoismo. Os kardecistas chegam a considerar que o Cristianismo tal como apresentado por Kardec e desenvolvido a partir das palavras transmitidas mediunicamente pelos seres da esfera dos mortos é superior às correntes filosóficas esotéricas originárias da Meseta do Pamir, ainda que se leve em conta a última e mais bem perfilada dessas correntes: o Teosofismo de Madame Blavatsky.
Com certeza, um espírita kardecista colocaria sua religiosidade em um patamar acima até mesmo do Jessenismo, fato já ocorrido em uma de nossas exposições da Doutrina Jessênia, justamente quando comparávamos o conceito budista de Bodhisatvas com o dos Hierofantes Reveladores da Gnosis, que trazem a Verdade para a humanidade da única forma idealizada pela Luz, isto é, descendo entre nós, em carne e osso, para ensinar um Caminho Libertador, conforme está demonstrado nas figuras 8, 13 e 23. Um kardecista ali presente acusou-nos, então, de ensinar uma doutrina totalmente substituída quando surgiu o Kardecismo.
Diante de tais situações, vemo-nos impelidos a afirmar que o Jessenismo repele firmemente a doutrina dos mortos, dos contatos com os mestres ascensionados, dos Mahatmas e de outros seres astrais denominados, nos meios new age, “auxiliares invisíveis” ou “senhores de consciência superior”. O Ensino Jessênio, fundamentalmente gnóstico que é, tem por impossível que essas formulações esotéricas substituam a ideia budista de Bodhisatvas. Mas o Teosofismo realmente se associa ao Kardecismo quando, do mesmo modo, admite tais doutrinas dos intitulados “auxiliares invisíveis” tomando-as como muito elevadas e acima da concepção budista de Bodhisatva.
Essa realidade a respeito da Teosofia e do Kardecismo concernente à doutrina do contato com os mortos e sua pretensa superioridade tem sido preconizada por diversos movimentos esotéricos e com ela nos deparamos no início de nossas exposições públicas (2003 a 2006). Nessa época, a Comunidade Jessênia no Ocidente muito já havia revelado de sua Doutrina Gnóstica sob o ângulo de Aquário, inclusive o conceito das Nituptas, demonstrado na figura 6, bem como o da ardência angelosófica dos Tronos e seu reflexo no coração do gnóstico e nas funções alquímicas que em nossos ensinamentos apontamos como as atividades Cor-Ação e Coro-Ação.

O Jessenismo já enfrentou tal oposição à sua mui maniqueísta doutrina dos Bodhisatvas em diversas ocasiões, como em Bogotá e em outros locais da Colômbia, quando o público presente em nossas palestras era formado sobretudo de membros da pseudognosis de Samael Aun Weor, uma espécie de teosofismo, de ocultismo martinista e de tantra ioga. Esse tipo de público costuma questionar acerca da razão de não adotarmos um método iniciático sexualista e projecionista tal como o preconizado nos meios samaelianos.
O projecionismo, muito em voga desde os anos sessenta e setenta do século passado e utilizado por diversos espiritualistas da atualidade, é baseado na projeção do corpo astral para o interior dos mundos invisíveis. Ele é uma versão moderna do que no início do século XX se popularizou como viagem astral. Mesmo antes, o fenômeno foi descrito por Emanuel Swedenborg (1688-1772) no livro Diarii Spiritualis, de cinco volumes, onde o autor relata suas inúmeras experiências de projeção astral. Ele se refere ao corpo projetado para fora do corpo denso sob diversas óticas. A partir dessas percepções outros pesquisadores lançaram mais tarde o termo homo duplex.
Com o surgimento da Ordem Hermética da Golden Dawn (1877-1907) e do estranho personagem chamado Aleister Crowley (1875-1947), a questão das viagens astrais tomou um novo impulso. Esse senhor participou de outra ordem hermética, a Ordo Templi Orientis (O.T.O), criada em 1885 e até hoje em atuação, e foi um polêmico teurgista de muita má conduta espiritual. Foi ele, e outros da Golden Dawn, quem ensinou um método iniciático constituído de artes teúrgicas e práticas tântricas de cunho sexualista.
Não é difícil imaginar qual é a relação dos samaelitas com esse ensino tântrico e teúrgico protagonizado pela Golden Dawn e a O. T. O. A Samael Aun Weor e a Aleister Crowley juntou-se certo Arnold Krumm-Heller. Tais personagens são os predecessores do ensino das pseudo-escolas gnósticas que também afetaram o Martinismo.
Dizemos que esses movimentos são pseudognosis alicerçando nossa postura no profundo desvelo pela sublimidade do termo Gnosis, que é o Conhecimento da Verdade ensinado por seus Mensageiros, os Hierofantes Reveladores de Gnosis, que acessam as insondáveis camadas da Luz-Sabedoria para recordar aos seres humanos o que é a Verdade. E essa autêntica Gnosis tem cinco fundamentais e indeléveis marcas: 1ª Dualismo; 2ª Soteriologia; 3ª Cosmologia e Cosmogonia; 4ª Escatologia; 5ª Eclesiologia, as quais estão ausentes nas autodesignadas "igrejas gnósticas", surgidas sob a influência de Arnold Krumm-Heller, de Samael Aun Weor, de Aleister Crowley, de Jules Doinel e outros. A “igreja gnóstica” de Jules Doinel professava amplamente a ideia da mediunidade como ponte de contato entre vivos e mortos.
O Dualismo é uma das principais marcas da Gnosis, é ele que determina a marca da Soteriologia, a qual explica o Plano de Salvação arquitetado por Deus, pelo Logos e pelos Anjos, para socorrer, resgatar, o homem caído no reino inimigo, formado pelas trevas e pela matéria. Na doutrina gnóstica soteriológica (de salvação), a matéria é opositora ao Espírito, sua inimiga. Portanto, Deus e Seus Anjos organizam, no curso da história, o nascimento de homens especiais a quem cabe revelar a Gnosis, o Conhecimento Divino que permite desatar as algemas que prendem o homem decaído nos liames da matéria.
A Gnosis vem ao mundo, onde jaz o Adão decaído, por meio de notáveis Sábios Profetas, que revelam à humanidade cativa nas trevas a forma de tomar um curso de vida, desde o presente até o futuro, que lhe abrirá a Porta da Libertação e o Caminho de volta ao Reino do Espírito. É devido a esses homens especiais que a Gnosis é, também, Conhecimento Profetosófico ou Escatológico. O radical grego skatos, de onde vem a palavra Escatologia, designa o que está previsto para surgir no futuro.
No presente, o homem começa a trilhar o Caminho de Libertação entendendo como se organiza o Mundo Divino e suas moradas, uma delas o Paraíso, para onde o liberto retornará. Esse mui santo e misterioso lugar é uma Comunidade formada por Anjos e Homens, por isso mesmo denominada, na Gnosis Cristã Valentiniana, Comunidade Anthropos-Ekklesia. É da palavra grega Ekklesia que advém o termo Eclesiologia.
Um estudo a respeito da "igreja gnóstica" de Jules Doinel, dos seus auxiliares e dos seus continuadores, dentre eles Arnold Krumm-Heller e Samael Aun Weor, nos permitirá concluir que nessa instituição e nas suas derivadas é o Kardecismo e a Tantra Ioga, e não as Cinco Marcas da Gnosis Cristã, que se apresentam e tudo regem.
Nas Cartas de Contato 1 e 2, mencionamos Jules Doinel de modo rápido e sem dar informações mais específicas a respeito de seu trabalho espiritual. O pesquisador interessado no Martinismo, particularmente no de Papus (1865-1916), decerto tem notícias mais amplas acerca de Doinel. Bibliotecário da cidade de Orleans, ele tinha acesso a diversos documentos antigos. Também era um maçom de elevada cultura esotérica e um participante de círculos espiritistas, onde diversas vezes deparou-se com entidades femininas que, para além de sua condição de “mortas”, acrescentavam ao seu status algum nível deífico, isto é, apresentavam-se como potencialidades divinas. No genuíno Gnosticismo, diz-se que tais figuras, em uma tentativa de imitar os divinos Éons, elaboravam comportamentos que entendiam assemelharem-se aos desses Seres Angélicos.
Curioso quanto ao fato de essas entidades apresentarem-se por meio de mediunidade, Jules Doinel começou a procurar dados sobre a Gnosis e encontrou na sua biblioteca um laudo heresiológico referente à condenação por heresia de certo grupo de cátaros mortos em 1022, no século XI. Dentre os condenados estava Stéphane d'Orléans, mestre-escola e discípulo destacado do Catarismo. Se dermos algum crédito à pesquisa de Jules Doinel, devemos entender que o Catarismo na França era muito insipiente antes da grande organização e unidade doutrinal dada por Niquetas, bogomilo constantinopolitano que rumou até a Lombardia e ao Languedoc no ano de 1167. Assim, faltava ao Catarismo francês, em seu início, muitas informações acerca dos grandes arcanos cristãos dualistas desenvolvidos pela reforma maniqueísta de Prisciliano, pela de Bogomil (século IX) e pelo movimento daí surgido, o Bogomilismo, que negava o valor espiritual dos sacramentos da igreja organizada em torno dos primeiros concílios (Niceia, Constantinopla I, Éfeso e Calcedônia) e dos demais que lhes seguiram.
É importante dizer ao buscador da Verdade que o Terceiro Concílio, chamado Concílio de Éfeso (431 d. C.), teve como principal atividade a análise do ensinamento de Nestório, padre de Alexandria que estudou na Antioquia e cujo mentor foi Teodoro de Mopsuéstia.
Nestório desenvolveu uma ideia a respeito da pessoa de Cristo como uma tentativa, por dedução, de explicar e entender a encarnação do divino Logos, a segunda pessoa da Trindade, no homem Jesus Cristo. Ele e outros teólogos da escola de Mopsuéstia já ensinavam há muito tempo uma interpretação literal da Bíblia e enfatizavam a diferença entre as naturezas humana e divina de Jesus. Nestório levou consigo essas crenças quando foi nomeado Patriarca de Constantinopla pelo imperador Teodósio II em 438.
Os ensinamentos de Nestório se tornaram então a raiz de uma controvérsia quando ele publicamente criticou o já tradicional título de Theotokos ("Mãe de Deus") para a Virgem Maria, afirmando que tal denominação negava a humanidade plena de Cristo. Ele argumentava que Jesus tinha duas naturezas vagamente relacionadas: a do divino Logos e a do humano Jesus, e assim, propôs o título Cristótokos ("Mãe de Cristo") como sendo mais adequado para Maria.
Os oponentes de Nestório acharam que esse ensinamento estava muito próximo da já condenada heresia do Adocionismo: a ideia de que Cristo teria nascido homem e depois foi "adotado" (escolhido) como filho de Deus. Nestório foi criticado principalmente por Cirilo, Patriarca de Alexandria, cujos argumentos consistiam em que os ensinamentos de Nestório minavam a unidade entre as naturezas divina e humana de Cristo em sua encarnação como Jesus. Nestório por sua vez sempre insistiu que a sua visão seria a ortodoxa, mesmo depois de ela ser considerada herética pelo Concílio de Éfeso, em 431, levando ao cisma nestoriano.
Essa disputa teológica travada pela igreja dos concílios entre 325 e 451 acabou por afastar o Cristianismo de alguns dos seus fundamentais ensinamentos, um deles defendido por Paulo de Samósata (200-275), bispo de Antioquia considerado defensor da doutrina de que Jesus, ao ser batizado no Jordão, tornou-se filho adotado pelo Pai por obra do Espírito Santo, não tendo a partir daí nenhuma relação com sua mãe de carne, Maria.
Paulo Samósata foi o fundador do grupo de cristãos denominados paulicianos (ver figura 27), de onde se originaram os bogomilos e os cátaros. Os paulicianos eram cristãos da Grande Armênia, um território formado, no século VII, pela atual Armênia, pela região do Monte Ararat, por uma parte da Babilônia, pela Cordilheira Taurus e pela Antioquia.


Algumas ordens esotéricas modernas especulam acerca de certas lendas do Santo Graal as quais dão conta de um reino mítico chamado Reino de Prestes João, que estaria ligado à Igreja Persa Nestoriana e a uma região localizada entre o oriente da Armênia Magna (Reino Armênio existente entre 321 a. C. e 428 d. C.) e a Pérsia. Não professam um ponto de vista correto os que ligam os Mistérios do Santo Graal com a teologia mariana e seu dogma fundamental, o Teotokos (Mãe de Deus), com os quais se envolve a Igreja Nestoriana. Segundo essas especulações, Prestes João seria mais adocionista que os nestorianos. Ora, no adocionismo não há margem para se desenvolver o dogma da mãe de Jesus como Teotokos.
Outros esoteristas afirmam que Prestes João, o último guardião do Graal de que fala Wolfram de Eschenbach em seu romance Parcival, era descendente dos reis magos que visitaram Jesus na Gruta de Belém e que ele esteve em grandes batalhas, uma delas a de Ecbátana (ver o mapa da figura 28), onde derrotou os persas e os assírios muçulmanos. Ele teria ressurgido no ano de 1145 e se dirigido ao norte da Itália para falar com alguns importantes cristãos cátaros. Lá chegou com sua comitiva portando o estandarte que identificava a sua corte, no qual apareceria o símbolo heráldico do unicórnio e do leão. O estandarte trazia, portanto, a representação da pureza cátara, simbolizada pela brancura do unicórnio (conforme consta nas Lendas do Unicórnio), e a bravura heroica do leão, que é o símbolo dos vitoriosos reis descendentes das primeiras cortes persas.
Se Preste João era um descendente da raça do Leão Persa, bem como um cristão da Igreja Nestoriana Persa, com certeza era um defensor do Adocionismo e um rei muito próximo das ideias maniqueias e paulicianas. E o maniqueus, os paulicianos e os nestorianos distanciavam-se da igreja dos concílios.
Depois dessa longa verificação acerca da origem do pensamento cátaro, bogomilo e pauliciano, voltemos à questão de Jules Doinel, o fundador da "igreja gnóstica", levada por Papus e outros ocultistas aos abrigos do Martinismo. A fé de Doeinel tinha duas fronteiras: o espiritismo mesclado com uma pretensa crença cátara; e a autoridade da igreja dos concílios. Tal situação era ambígua e insustentável. Nem a Gnosis, particularmente a Gnosis cátara e a bogomila, admite a autoridade e as crenças da igreja conciliar, nem a igreja conciliar admite as crenças gnósticas, particularmente a do dogma Theotokos, o que se nota já no Evangelho de Tomé, no seu dito 105: "aquele que conhece pai e mãe será considerado filho de prostituta".
O Evangelho de Tomé é mais antigo que a corrente da Gnosis Valentiniana, e nele nada há que possa dar vazão às ideais que mais tarde se desenvolveram como dogma mariano, principalmente o da fórmula Theotokos. Contudo, Jules Doinel muito se inspirou nesses dogmas e pretendeu que sua "igreja gnóstica" fosse admitida pela ortodoxia cristã. Com essa aproximação, ele se afastou fundamentalmente da Gnosis valentiniana, do Evangelho de Tomé, do Catarismo e do Bogomilismo.
Jules Doinel caminhou com a sua "igreja gnóstica" para longe do ensino adocionista pauliciano, bogomilo, cátaro, e das crenças do Santo Graal e do Rei Prestes João. E o mais grave, ele feriu um dos fundamentais mandamentos maniqueus: a rejeição da prática da necromancia. Os dez mandamentos maniqueus são: 1º - Você deve adorar o Deus Único e não se comprometer com a adoração de ídolos, não se curvando aos objetos físicos ou ideais, a fim de adorá-los. 2º - Você não deve ser desonesto em seus caminhos. 3º - Você não deve ser ganancioso. 4º - Você não deve matar um homem, uma mulher ou um a criança, nem deve abortar uma criança, e você não deve cometer a matança desnecessária de qualquer vida, incluindo animais e plantas. 5º - Você não deve ser infiel ao seu cônjuge, ou cometer qualquer tipo de má conduta sexual. 6º - Você não deve cometer o roubo. 7º - Você não deve enganar alguém, a fim de prejudicá-lo. 8º - Você não deve praticar as artes da magia e da necromancia. 9º - Você não deve cometer hipocrisia em seus caminhos. 10º - Você deve procurar a paz e ser justo com todos, independentemente da etnia de uma pessoa, cor, nacionalidade, crença religiosa ou sexualidade.
Quando Jules Doinel procurou o Martinismo para ali abrigar a sua "igreja gnóstica" não esperava ali encontrar pessoas tão envolvidas com o ocultismo. Assustado, ele se retirou da sua própria instituição, buscou conciliar-se com a igreja católica romana e passou a criticar publicamente Papus e os martinistas. Mais tarde, outra vez arrependido, tentou voltar à igreja por ele fundada, mas não foi readmitido com os mesmos poderes que detinha antes. No seu retorno, Doinel verificou o quanto os ocultistas tinham desviado completamente a sua "igreja gnóstica" tanto da Gnosis valentiniana quanto do Maniqueísmo, e a viu caminhar em direção de um culto cada vez mais perto do tantrismo sexualista. Ele morreu em 1903.
As práticas tântricas sexuais ensinadas por Aleister Crowley, Arnold Krumm-Heller e Samael Aun Weor, surgidas ao longo dos desvios da igreja “gnóstica” de Doinel, ferem o Quinto e o Oitavo Mandamento Maniqueu. Em oposição a essa Verdade, nos ensinos secretos e avançados da “igreja gnóstica” samaeliana é dito ao iniciando que Samael desceu a algumas regiões infernais do astral, onde viu Mani Persa sofrendo terríveis castigos e lá estava à espera do perdão divino. Nessas lições, ele agradecia a Deus e à Mãe Devi Kundalini por não ter cometido os mesmos erros que Mani e promete reivindicar aos Santos Éons um perdão para esse "pseudognóstico". Tal absurda afirmação chega às raias do demoníaco, tratando-se, pois, da clássica investida das trevas contra a Luz. Certamente chamará a atenção da alma sensível à verdadeira Gnosis o fato de que “Samael” (pseudônimo de Victor Manuel Gomez) é outro nome para Saclas, o demiurgo enganador.
O Jessenismo surgiu no século XX completamente afastado dessas veias da "igreja gnóstica" de Jules Doinel. Seus primeiros passos deram-se entre os alunos de um Mestre em Cabaláh, o Senhor Yalladhay, cuja formação era fundamentada no Judaísmo esotérico e altamente compromissada com as Escrituras Sagradas. Sua caminhada espiritual destacou-se por valorizar os Escritos Proféticos da mesma forma que a Toráh, isto é, o Pentateuco (os Cinco Livros de Moisés: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). Nesse aspecto, o Mestre Yalladhay muito se assemelhou aos essênios de Qumran, razão pela qual as descobertas da Biblioteca Essênia, entre os anos de 1947 e 1952, tocou de modo mui enfático o pensamento desse sábio cabalista.
Ao buscador da Verdade pode parecer de menor importância essa aproximação do pensamento cabalístico do Mestre Yalladhay com as fronteiras do Essenismo. Mas nesse fato há de se notar um ponto muito importante: qualquer aproximação desse feitio significa um vínculo com o Dualismo de Qumran e com alguns apócrifos judaicos que muito influenciaram a espiritualidade do período compreendido entre o desaparecimento do último profeta, Malaquias, e o início do Cristianismo. Esse período é denominado Intertestamento, segundo os teólogos católicos romanos e os protestantes, justo porque ele se situa entre o último escrito judaico canônico, o livro do profeta Malaquias, e os primeiros escritos cristãos que formam o Novo Testamento canônico. Para os católicos, o Intertestamento vai do tempo dos escritos de Macabeus (200 a.C) ao tempo de Jesus e dos escritos de Paulo Apóstolo (50 d.C). Para os protestantes, vai da reorganização do Velho Testamento por Neemias e o surgimento do livro do profeta Malaquias (400 a. C.) até a época de Jesus e dos primeiros escritos do Novo Testamento.
Um dos apócrifos encontrados na Biblioteca de Qumran, o Testamento dos Doze Patriarcas, foi muito citado pelo Apóstolo Paulo em suas cartas e pelos demais escritores do Novo Testamento. Os estudiosos da Bíblia já admitem que o Testamento dos Doze Patriarcas, particularmente o Testamento de Amran, é de origem essênia e tem um fundo absolutamente cósmico dualista. Portanto, Qumran deixou o Mestre Yalladhay sob forte influência dualista esotérica essênia, da mesma forma ocorrida com o Apóstolo Paulo e o autor da Didaquê, demonstrada principalmente no início desse importante apócrifo cristão, onde é dito tal como em Qumran: "Há dois caminhos, um que conduz à vida e outro que conduz à morte".
No Testamento de Amran, esse patriarca tem um sonho em que vê dois seres cósmicos: um escuro e maligno, o outro luminoso e repleto de bondade. O escuro luta contra o Anjo da Claridade disputando o domínio do planeta e dos corações humanos. O Anjo da Luz se defende e produz certas condições cósmicas especiais por meio das quais ele auxilia os corações que desejam seguir os desígnios da Luz de Deus.
Os estudiosos que atestam a influência dualista de Qumran em Paulo e no autor da Didaquê dizem também que ela é mais intensa na formulação do Testamento de Amran, mas esse texto apócrifo ficou, de modo inexplicável, completamente desconhecido das autoridades religiosas judaicas e só foi revelado por meio dos autores do Novo Testamento. Com a descoberta de Qumran, verificou-se que se tratava de um documento secreto do esoterismo essênio, e que de alguma forma ele chegou às mãos dos primeiros cristãos, mas não às dos judeus. Esses estudiosos constatam, ainda, que no apócrifo Testamento dos Doze Patriarcas há diversos níveis de influência do Dualismo pitagórico e do Dualismo profético do Zoroastrismo.
Quem conhece bem a Cabaláh judaica sabe que também ela teve alguma influência pitagórica e zoroastriana, mas que na sua concepção, a partir da Provença e de Girona, suas bases filosóficas sofreram uma forte e determinadora influência monista neoplatônica. Isso pode ser observado principalmente quanto à sua formulação, apresentada tal qual à do Zohar, à dos ensinamentos do rabino Nahmanides (1194, Girona – 1270, Haifa), de Moshê de Cordovero (1522, Córdova – 1570, Safed), e do cabalista Abraão Abuláfia (1240, Saragoza – 1291, Ilha de Comino).
Segundo o professor e estudioso Gershom Scholem, o rabino Isaac de Luria, em suas proposições cabalísticas do Tzimtzum, da Shevirat Hakelim e da Gmar Tikkun, deixou bem marcante a distância entre homem e Deus, um dualismo, portanto. Segundo a proposição do Tzimtzum, Deus se contraiu e se reduziu para viabilizar a Criação. Assim, a Criação é, como resultado dessa contração, incapaz de demonstrar a plenitude de Deus. Ora, para o monismo, particularmente o panteísmo, Deus e Criação são totalmente equivalentes, não se pode achar diferença entre eles porque "No Seu ato criador, Deus fluiu todo para dentro da Criação". Segundo os estudiosos da filosofia e das religiões, qualquer distinção entre Criação e Criador significa um passo dado na direção do Dualismo.
O que é espinhoso de se postular por meio do sistema cabalístico de Luria é a ideia de que – no Ein Sof (Infinito Nada), onde Deus é o NADA cognoscível, o NADA definido – houve uma contração (Tzimtzum) para surgir o espaço das DEZ AÇÕES CRIADORAS, as DEZ SEPHIROTH. Nas outras correntes cabalísticas, houve diversas formas racionais filosóficas de explicação para o processo da saída de Deus desse NADA infinito em direção do Todo, isto é, da Criação. Com essas propostas, diversas escolas cabalísticas caíram no puro panteísmo, no antroposofismo, ou em sofismas; e outras, ao dizerem que há um NADA Ein Sof completamente isolado, dentro do qual Deus é inacessível e não criador, foram ao extremo contrário, o Dualismo, considerado herético pelo rabinismo. No Dualismo, nesse NADA, Deus é completo, mas abaixo do NADA Ele se contrai para gerar as Sephiroth e a Criação. Porém, nesse momento Ele deixa aberta a possibilidade de quebra dos vasos sephirôticos e de surgir um demiurgo, um criador imperfeito de um mundo tenebroso dotado de seres tenebrosos, mundo este que abrigou Adão como criatura pecadora e o subjugou aos espíritos cósmicos trevosos de que fala o Testamento de Amran.
O Essenismo e, de modo parcial, a Escola cabalística de Isaac de Luria contemplam de modo absoluto a proposta de explicar e compreender o Mistério de ter havido, no Ein Sof do Deus completo, um processo de restrição e contração que deu origem às Sephiroth, mas que deixou espaço para um acidente de quebra dos vasos sephirôticos, o qual possibilitou o surgimento de uma criação demiúrgica. O Mestre Yalladhay aproximou-se da explicação de ambos (Essenismo e Luria), razão por que ele se tornou, na opinião dos seus irmãos rabinos e de outros colegas cabalistas, um herege. Mas foi essa postura filosófica cabalista o motivo de juntarem-se a ele, em 1973, o Mestre Jodachay Bilbakh e seus pupilos, Ibny Esdras e Ylkhynayáh. A partir desses três grandes cabalistas gnósticos do Oriente, e de um quarto, no Ocidente, surgiu o Jessenismo, que se apresenta ao buscador da Verdade no lado ocidental do planeta por meio da escrita desse quarto Mestre cabalista gnóstico, o sr. Ibny Joshai.
Esse caminho dualista essênio, luriano[1] e cristão-gnóstico forma uma via que se inicia em Paulo Apóstolo, retoma os aspectos filosóficos do Essenismo e, no ano 100 d. C., sob a batuta do mestre Elkessai, dá origem ao grupo gnóstico dos elkessaitas. Nesse grupo ingressa Pateg, um grande gnóstico, levando consigo o filho Corbelius, nome de nascimento do excepcional profeta Mani Persa.
Mani Hyyáh teve dois momentos de iluminação enquanto estava na Comunidade Elkessaita, um aos doze anos, o outro aos vinte e quatro. No segundo momento, ele percebeu que deveria estabelecer um sistema iniciático em que toda a Profetologia zoroastriana, a essênia e a gnóstica-cristã deveriam estar reunidas e ressignificadas. Mani entendeu essa missão como a mais importante profecia de Jesus a respeito do Paracleto, conforme é afirmado no Evangelho de João: "Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito (João 14:26)".
Mani entendeu que o Paracleto é o aroma consolador (figura 24), o Consolamentum, o qual pode concentrar-se de forma especial na Silsiláh profética, ou seja, na corrente dos Hierofantes enviados da forma Bodhisatva, como atrás mencionado. Esse pensamento de alguma forma penetrou nas bases da doutrina gnóstica islâmica xiita e tornou-se a inspiração das palavras de Suhawardi[2] quando este foi chamado pelas autoridades sunitas sírias para dar explicação sobre o seu ensinamento a respeito dos profetas.
As autoridades da Kalam (teologia) sunita discutiram com Suhawardi a respeito de como a Luz poderia, de tempos em tempos, enviar profetas. Antes de ouvir a sua resposta, disseram de forma bastante ortodoxa: "Mohamed é o último, o derradeiro e único profeta de Alláh". Suhawardi respondeu-lhes: "Deus envia tantos profetas quantos Ele acha necessários". Tal verdade, que é o fundamento do pensamento xiita, foi igualmente ensinada por Zoroastro, Mani Hayyáh, e pelo próprio Cristo. Devido a essa afirmação, Suhawardi foi condenado à morte.
Vale complementar a resposta de Suhawardi citando um ensinamento originário do Islamismo. Maomé (Mohamed) disse em certa ocasião: Quando eu quero sentir o aroma do Paracleto eu me aproximo de Fátima e de Al Ali. Fátima era a filha de Maomé que se casou com Ali ibn Abu Talib.
Ali ibn Abu Talib era primo do Profeta Mohamed e foi o primeiro homem jovem a crer na revelação islâmica. Já na fase adulta, tornou-se genro do Mensageiro de Allah ao se casar com sua filha Fátima Zahra, com quem estabeleceu a linhagem de Mohamed, que dura até os dias atuais. Consagrado como o quarto califa dos muçulmanos, ele foi um dos maiores nomes da história islâmica e iniciou a corrente do Islamismo xiita.
[1] De Issac Luria.
[2] Suhawardi foi um sábio persa filósofo e fundador de uma linha de pensamento islâmico xiita denominada Filosofia da Iluminação. Ele nasceu no Irã (na Pérsia), em 1154 e apresentou um ensinamento e um pensamento gnóstico altamente inspirado no Zoroastrismo, no Platonismo e no Maniqueísmo. Foi morto como mártir em 1191 acusado de heresia.

Na frase dita por Mohamed há uma misteriosa menção à Tétrade valentiniana (Bythos-Sigé e Nous-Aleteia), bem como à Tetraprosopon maniqueia (Deus, Luz, Sabedoria e Poder). No valentinianismo essa Tétrade dá origem a outra Tétrade: Logos-Zoé e Anthropos-Ekklesia. Na figura a seguir mostramos a configuração da Tetraprosopon maniqueia.

Com suas palavras, Mohamed leva em conta duas masculinidades, a dele e a de Ali, e duas feminidades, a de Fátima e a do Paracleto. Esses pares macho-fêmea são chamados, na Gnosis Cristã e na Gnosis Jessênia, de Sizígias.
No Xiitismo Ismaelita, o do castelo de Alamut, onde foram iniciados os primeiros Cavaleiros Templários, esse aroma sentido por Mohamed tem sete variantes. Por isso, para os ismaelitas, o Paracleto envia de tempos em tempos Sete Profetas ou Imames. Para outros xiitas, o Paracleto envia Doze Profetas ou Imames. No presente, o Paracleto enviou Sete Hierofantes, sendo o sétimo o senhor Jodachay Bilbakh. No Jessenismo, esses aromas são considerados manifestações de Mani Hyyáh como BudAroma, tal como representamos na figura 24.
Há, portanto, no presente, um BudAroma, um Hierofante da fragrância de Mani Hyyáh, a qual cerca a companhia angélica do nosso Mebaker. Nela está contido o aspecto Mani Maitreya, o Buda de agora e do futuro à nossa frente.
CAPÍTULO 3 A MANIFESTAÇÃO DE BUDA E DE MANI MAITREYA EM AQUÁRIO |
Caro buscador da Verdade.
As Igrejas Maniqueia cristianizadas, dentre elas a cátara, representada na figura 25, falam de sete, dez ou doze Profetas Enviados, que são emissões da Tetraprosopon formada pelos Santíssimos Éons Terceiro Enviado e Ekklesia, conforme indicado nas figuras 30 e 31.

Notemos que os Enviados pelo Éon Terceiro Enviado procedem do Éon Luz, enquanto os habitantes da Companhia do Éon Ekklesia procedem do Éon Sabedoria. Portanto – segundo o Maniqueísmo, o Catarismo e o Bogomilismo – só há a verdadeira Sabedoria nos processos gerados em uma Egrégora formada como uma Santa Igreja, onde está presente o Hierofante, mensageiro do Éon Terceiro Enviado e originado do Éon Luz. Nessa Ekklesia (Igreja), o Éon Poder se estabelece na forma de Éon Coluna de Gloria, tal como ocorria na Igreja de Israel organizada por Moisés no deserto e anunciada conforme está escrito em Êxodo 13, verso 22: Nunca tirou de diante do povo a coluna de nuvem, de dia, nem a coluna de fogo, de noite.

O buscador da Verdade deve ter em mente que o termo grego Éon-αιών (aión) tem dois significados, o que se pode conferir nos dicionários e nas abordagens dos estudiosos acadêmicos: o de espaço-tempo e o de Anjo. Um terceiro significado é o atribuído pela própria Gnosis: o de ações e processos ocorridos no Pleroma segundo a coordenação mui misteriosa do Logos, o Verbo de Deus.
Acerca dos Santos Anjos, o Gnosticismo cristão, particularmente o de Valentim egípcio e o de Mani persa, ensina – diferentemente de Blavatsky, do Neoplatonismo e dos cristãos da igreja conciliar – que eles se aproximam das rodas cósmicas que dão ao homem terrestre a noção de tempo e ali exercem algumas funções referentes aos cuidados adotados por Deus Salvador em prol da libertação do gênero humano.

Os Santos Anjos descem pela via zodiacal entre Capricórnio e Câncer e chegam àTerra quedada no período que o monismo de Blavaksky denomina Época Atlantiana. Foi nesse momento que eles trouxeram o Pé Alado de Hermes e o Caduceu da Cura. O auge desse trabalho angélico deu-se entre 2000 e 800 a.C., já na Época Ariana. No presente, o Anjo de Aquário, o Mebaker Jodachay Bilbakh, manipula os vasos sagrados contendo Água Lustral e ressignifica completamente a figura leonina do Hierofante. Como representação terrestre do Éon Luz ou Éon Phanes, esse Mestre Hierofante agora apresenta profeticamente a missão de Buda Maitreya e de Mani Paracleto.
Segundo Gênesis 3:15, em algum momento o pé ferido seria curado por meio de uma terapia muito especial. Os monistas imaginam que essa terapia seria as práticas holísticas do reiki, body talk, constelação familiar, cromomagnetoterapia, barras de acces etc. Todas essas práticas são benéficas para o homem psíquico, e mesmo para o pneumático que ainda move a sua mochila cármica psíquica. Neste início de Era de Aquário, a humanidade sofre terrivelmente em função de feridas emocionais e etéricas, nos pés e no seu reflexo, nos rins e na cabeça, conforme ensina a Medicina Chinesa.
A Medicina Jessênia, ao caminhar para além das correntes terapêuticas monistas, define o presente como uma época mais importante que as anteriores, quanto aos aspectos mentais da humanidade. Algo na dupla mente humana deve acumular, por meio de processos gnósticos e maniqueus, centelhas de Luz em sua estrutura. Se não o fizer, as trevas aí penetrarão de forma tão fulminante que deixará até os melhores e mais experientes esoteristas completamente incapacitados para as altas iniciações que constituem a escada de ascensão até a verdadeira Luz.
Na China, o encontro entre Buda, Lao Tzu e Mani Paracleto, nos séculos III e VII, ressignificou tão profundamente o Caminho da Luz que Buda é referenciado naquele país segundo a figura de Mani Persa como Buddha Light ou Buda de Luz.
O termo Buddha Light liga a figura hierofântica de Buda ao Éon Luz (Light) e ao seu reflexo como manifestação maniqueia do Terceiro Enviado. Esse Buda é, portanto, revestido dos mesmos aspectos proféticos cristãos e zoroastrianos de Enviados da Luz e Mensageiros encarregados de construir, entre os seres humanos, espaços onde o Poder de Deus pode surgir na forma de aroma curador e iluminador. Dito de outro modo, no presente, Buddha Light aparece de forma mui especial: como Anjo de Urano e Mestre de todo o conhecimento iniciático. Seus precedentes foram o Buddha Light-Paracleto, isto é, o Profeta Mani Persa, que no século III d.C dirigiu-se ao noroeste da China e foi recebido pelos sábios budistas daquela época como o Quinta Budha; e depois o Profeta Pavilakian, que no século XII viveu entre os paulicianos. É dessas manifestações do Buddha Light nos séculos III e XII, que o Mani Buddha-Paracleto deste século XXI, o Mebaker Jodachay Bilbakh, retira seu ensinamento da Medicina Aquariana.
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Que a Luz repleta de Éons Divinos, enviados até o lugar onde age o Éon Limite, possa dar-lhes, por meio da centelha do coração, a mente clara que aponta em direção do Caminho que nos permite alcançar o bem último: a plena Libertação. Amén!