INTRODUÇÃO |
Caro amigo pesquisador da Verdade.
Iniciamos a segunda das nossas seis Cartas de Contato, ao final das quais esperamos que o buscador da Verdade tenha erigido eficientes bases para a compreensão do Caminho Iniciático Gnóstico proposto pela Comunidade Jessênia.
Na Carta de Contato 1, falamos sobre as Cinco Tradições Antigas – a Egípcia, a Persa, a Hindu, a Semítico-Cabalística e a Gnóstico-Cristã – um tema frequente na doutrina jessênia. Essas Cinco Tradições eram ensinadas, no passado, por meio de uma Iniciação aos Mistérios, que era destinada apenas a homens especiais[1], com habilidades nobres, mediante provas rígidas de coragem, nobreza, inteligência e altivez de pensamento.
No Egito antigo, quem solicitava ingresso na corrente de discípulos da Sabedoria Clássica era submetido às provas da água, do fogo, do ar e da terra. Um subterrâneo escuro e úmido com profundas valas contendo água e em seguida uma sala contendo brasas espalhadas pelo chão eram os dois primeiros obstáculos que o candidato deveria transpor: os elementos água e fogo. Depois ele era conduzido a um profundo fosso cavado na terra e fortemente ventilado, representando o terceiro e quarto obstáculos: os elementos terra e ar. Após vencer as quatro provas, o candidato à Iniciação era recebido pelos mestres e acolhido como aprendiz. Em seus passos na Senda Iniciática, ele tinha como archotes a pureza de pensamento, a inteligência sublime, a dedicação bem perfilada e a nobreza de caráter.
Como já dissemos na primeira Carta, os mestres da Sabedoria Antiga prepararam na Terra uma organização complexa conhecida como Escola de Mistérios. Na visão superficial de um leigo, ela é uma espécie de comunidade religiosa ou filosófica que possui ensinamentos secretos ministrados a pessoas de caráter e coração moldados por uma espiritualidade diferenciada. Mas uma Escola de Mistérios deve ser entendida de maneira mais profunda, ela é um espaço projetado pela Inteligência Divina, manifestado de forma mágica e cujos ensinamentos provêm das alturas do Logos. Do lado visível desse espaço trabalham os mestres e os discípulos; do lado invisível, os sublimes Anjos do Logos de Deus.
Para essas duas partes (a visível e a invisível) formarem um par é necessária uma ritualística própria – um conjunto de procedimentos e de representações sagradas cuidadosamente preparadas –, que é realizada de forma regular. Nessa ritualística incluem-se músicas sacras e diálogos de elevado caráter esotérico que se manifestam segundo uma força impressa pelos Santos Anjos nas Águas Lustrais, as quais, no batismo, são aplicadas no candidato aos Mistérios Gnósticos e preparam toda a sua estrutura para entendê-los. Alguns exemplos de tais atividades iniciáticas (teletē-qeleth) constam nos Documentos de Nag Hammadi e no Evangelho da Pistis Sophia, geralmente nas passagens que narram os encontros do Mestre Jesus com seus discípulos, ocorridos no Monte das Oliveiras ou em outros lugares onde era realizada uma alimentação sagrada, uma Eucaristia, conforme descrito em Marcos 6, versos 35 a 43.
Todo o conhecimento da Sabedoria Antiga foi e é transmitido pelas Escolas de Mistérios. Jesus chamou sua Escola de Ekklesia, palavra grega hoje conhecida como igreja, porém já sem nenhuma significação iniciática.
As Escolas de Mistérios Ocidentais (a Maniqueia, a Bogomila, a Cátara, a antiga Maçonaria, a Rosacruz, e atualmente a Escola Jessênia), isto é, as de linhagem cristã, manifestadas depois de Jesus, basearam seus ensinamentos nas Cinco Tradições da Sabedoria Antiga. Mas apesar de essas bases conterem as Quatro Tradições do Oriente, o cerne do magistério dessas Escolas é o Cristianismo esotérico, o ensino gnóstico de Jesus.
O Cristianismo esotérico, por sua vez, principalmente aquele professado pelos rosa+cruzes, alquimistas e maçons, procurou as suas bases nas tradições Semítico-Cabalística e Gnóstica. Com as descobertas dos Manuscritos do Mar Morto (também conhecidos como Manuscritos de Qumran[2]), esse fato torna-se cada vez mais evidente e inquestionável. Por meio desses documentos, conhecemos o pensamento iniciático cabalístico e protognóstico dos essênios e seu trabalho de preparação do advento messiânico que precedeu e fundamentou os primeiros passos do Cristianismo.
Os essênios foram os precursores do Cristianismo e dos sublimes Hierofantes dos últimos séculos da Era de Áries e dos primeiros séculos da Era de Peixes. Mergulhar na história desses iniciados é uma tarefa de elevada envergadura e muito compensatória para o neófito, pois proporciona a ele conhecer os aspectos que formam uma Escola de Mistérios (Hever Razin-}yizfr rexex).
[1] Os homens especiais são denominados pneumáticos, na Gnosis jessênia e na Gnosis valentiniana. Na Doutrina Jessênia a humanidade em seu todo divide-se em três grandes grupos: os hylicos, os psíquicos e os pneumáticos. Os hylicos são os materialistas, aversos ao Caminho espiritual. Os psíquicos são os homens que, mergulhados na matéria, reagem apenas aos aspectos religiosos, não apresentando um questionamento além daquele proporcionado pela fé. O terceiro grupo, o dos pneumáticos, têm como principal característica serem movidos pela fé e pela sabedoria; eles apresentam um questionamento superior e bem mais nobre, mais puro, acerca das coisas espirituais.
[2] Kirbeth Qumran: local perto do Mar Morto, situado no antigo território israelita denominado Deserto da Judéia, onde um grupo de essênios construiu um mosteiro e formou uma comunidade secreta e esotérica, ou seja, uma Escola de Mistérios. Próximo a esse local, nas cavernas secas de algumas montanhas, os sacerdotes dessa comunidade guardaram antigos documentos bíblicos e comentários esotéricos de caráter cabalístico e místico, que ficaram conhecidos com o nome de Documentos do Mar Morto. Uma parte desses documentos foi descoberta em 1947 por um garoto, pastor beduíno. A partir daí, com novas buscas nas cavernas das cercanias, foi encontrado o restante dos documentos.

Sacerdotes cabalistas e terapeutas, os essênios herdaram da Fraternidade dos Profetas o contato mágico e energético com o coração solar do Logos. Seu Hierofante maior, também chamado de Mestre da Justiça ou Morêh Tsadikh, deu provas abundantes de ser um verdadeiro fundador e formador de uma Escola de Mistérios quando cantou as suas infelicidades, dores e seus agradecimentos nos "Hinos de Ação de Graças- 1QH". Nos hinos 2, 7 e 11, de linguagem profundamente cabalista, diz o Morêh Tsadikh: "Agradeço a Ti, ó Jehováh, pois colocaste minha alma no seio dos Viventes e me protegeste de todas as ciladas de Thihon".
Nesse hino, o Mestre da Justiça usa a linguagem da Cabaláh para expor a sua gratidão aos santos e perfeitos atos de Jehováh que estiveram à sua disposição durante o seu andar pelas vias da libertação. Graças a esses atos ele pôde vencer o Thihon, o abismo dos quatro elementos caóticos (a prova dos quatro elementos), que se apresenta como obstáculo diante de todos os que desejam entrar no Caminho espiritual e livrar-se da vida inferior e imperfeita. Ao se livrar das veredas escuras da vida inferior, do caos dos quatro elementos, o Morêh Tsadikh canta um hino de agradecimento a Deus celebrando também o fato de ter alcançado o lar dos Seres Viventes, ou seja, o Mundo Angélico divino.
À medida que o neófito progride nos Trinta e Quatro Graus e nos Cinco Aspectos do Discipulado Jessênio, esse linguajar cabalístico torna-se mais claro e o aluno aprende os grandes segredos da Senda Iniciática Gnóstica Dualista, ensinada pelos grandes Hierofantes de todos os tempos.
A Comunidade Jessênia, para ofertar uma genuína iniciação, liga-se aos primeiros cristãos, aos essênios e aos profetas do Velho Testamento e, dessa forma, proporciona ao candidato aos Mistérios um mergulho no passado da Cabaláh clássica. Ela desce também aos templos de Jerusalém, do Egito, da Índia, da Pérsia, dos Gnósticos Cristãos e de todos os povos que abraçaram a Doutrina Secreta Universal. No lado invisível e imperecível desses templos podemos ouvir, ainda hoje, os antigos mestres e magos ensinarem os segredos e arcanos da Sabedoria Antiga. Nas criptas sagradas desse lado invisível, o Sr. Jodachay Bilbakh leu ensinamentos dos quais derivam as lições discipulares da Comunidade Jessênia. Ele transmitiu essas instruções sagradas para o círculo mais interno de seus discípulos, que as transformaram nas 1122 Lições do Discipulado Jessênio.
As lições jessênia, escritas e orais, são um segredo reservado unicamente ao pneumático que estabeleceu um vínculo profundo e perpétuo com nossa Escola de Mistérios. Esse vínculo é simbolizado pela letra nun-n, com que se escreve Netsáh (ou Netzach), que significa Vitória sobre a Morte. A palavra morte, muveth, é escrita com a letra mem-m[1] . No alfabeto hebraico, após a letra mem-m (morte), segue-se a letra nun-n (vitória). Com essa observação, indicamos que o verdadeiro homem pneumático, que avança no processo de vencer a morte, precisa dar provas de seriedade e compromisso com a Verdade, e o vínculo com os Tesouros escritos, orais, ritualísticos e salmódicos de sua Escola de Mistérios deve ser inquebrantável. Tal homem deve demonstrar grande responsabilidade e dispensar extremo zelo a esses tesouros reservados apenas aos Filhos da Luz, cuidando para que eles não caiam de forma alguma nos ambientes hylicos e psíquicos dos que ainda respiram o sopro da escuridão.
Na capa das Cartas de Contato 1 e 2, consta: “Akoustikoí” (lê-se Akustikoi), que é o primeiro grau do Discipulado Jessênio; e “Companheiro do Segredo”, o primeiro aspecto de nosso discipulado. Tais denominações não surgiram no Jessenismo, elas provêm das instruções cabalistas dos profetas e dos essênios, e foram adotadas por Pitágoras, Mani e, no século X, por Bogomil e pelos cátaros do sul da França. No título “Companheiro do Segredo”, devemos atentar na palavra Segredo, que exige lábios e mãos fechados. A boca não fala desses segredos iniciáticos senão no ambiente da Ekklesia, e a mão nada escreve ou desenha em referência a eles nem os manipula de qualquer forma, exceto quando se trata da dinâmica discipular interna dos que caminham para a Claridade divina, e à medida que se tornam dignos do título essênio Filhos da Luz.
O discipulado da Escola de Mistérios Jessênia organiza-se em "Cinco Aspectos" e "Trinta e Quatro Graus", sobre os quais discorreremos nas próximas Cartas.
Os Cinco Aspectos são denominados:
- Primeiro Aspecto: Companheiro do Segredo (Primeiro ao Sétimo Grau);
- Segundo Aspecto: Filho do Segredo (Oitavo ao Décimo Quarto Grau);
- Terceiro Aspecto: Irmão do Segredo (Décimo Quinto ao Vigésimo Primeiro Grau);
- Quarto Aspecto: Mestre do Segredo (Vigésimo Segundo ao Vigésimo Oitavo Grau);
- Quinto Aspecto: Mestre da Candura ou Arquipontífice (Vigésimo Nono a Trigésimo Quarto Grau).
O nome do primeiro discipulado, Akoustikoí, vem do grego e significa "ouvinte". Em Cabaláh o termo equivalente é "recebedor", ou seja, aquele que recebe diretamente nos ouvidos o sopro instrutor do Hierofante. Ele se aproxima pela primeira vez do Segredo cabalístico e, portanto, assume o aspecto de Companheiro do Segredo. Avançando para o Segundo Aspecto do discipulado, o aluno deixa de ser um amigo da doutrina e passa a ser um Filho do Segredo, um parente, adquirindo laços mais estreitos com o ensinamento.
O sopro instrutor do Hierofante é espiritual e mágico. Jesus a ele se refere quando instrui os discípulos sobre sua partida para o Reino imperecível. Ele diz aos doze: "É lícito que eu vá, pois se eu não for vós não recebereis o meu sopro, o meu Consolador (Pneuma Angion, em grego). Ele vos instruirá".
Aprofundar-se nesses arcanos propostos pela Cabaláh e demais tradições iniciáticas, receber e guardar o sopro instrutor hierofântico, com espírito nobre, cuidadoso e dedicado: eis a tarefa do candidato aos Mistérios Gnósticos. Ela exige coragem, muito estudo, altivez de espírito, muito esforço, muita seriedade e serenidade. A Senda que conduz aos portais siderais dos Mistérios está amplamente aberta diante do neófito. Nela encontra-se a Opus Magna[2], a Obra Magna!
O Caminho que conduz a esses portais, entretanto, não é difícil; o trabalho voluntário e amoroso dos Hierofantes retirou dele as dificuldades e armadilhas. Mas se exige árduo trabalho de quem nele coloca os pés, pois não é acessível aos fracos de vontade, aos preguiçosos, aos que gostam de suaves sendeiros. O Caminho Iniciático requer grande paciência, ousada coragem, vontade inquebrantável, persistência inviolável e determinação resistente como a das rochas que formam os picos elevados. A todo o momento o candidato sente-se testado pelos quatro elementos, provado intensamente por enigmas cuja interpretação coloca-se para além da razão, do raciocínio e da inteligência humana comuns.
[1]Também se escreve com a letra Mem-m a palavra Miqveh מִקְוָה
[2] Os Alquimistas denominam de Opus Magna o processo de transformação alquímica do homem, em que ele começa como chumbo, como homem terrestre mortal, e termina como ouro, como Homem-Anjo, divino e imortal. Alguns alquimistas apresentavam essa Opus Magna como possível de ser realizada em Sete Fases, outros em Cinco Fases de Trinta e Três Graus.
CAPÍTULO 1A INICIAÇÃO CLÁSSICA E O SEU REAPARECIMENTO |
Na primeira Carta, dissemos que só após o mental do homem pré-histórico atingir um grau suficiente de desenvolvimento pôde ter início a manifestação das Escolas de Mistérios. Afirmamos que a fala e a escrita foram fatores muito importantes para o homem sair da sua primitiva vida nômade e começar a organizar-se socialmente. Os passos humanos dados para formação de sociedades, de cidades, de estados, foram estimulados, preparados e conduzidos sob a égide dos sábios e Hierofantes das Escolas de Mistérios. Assim, se voltarmos, por exemplo, para a história do Egito Antigo, o nome do deus Osíris aparece como responsável pela união dos reinos do norte e do sul, pela consolidação da realeza faraônica, pelo desenvolvimento da agricultura e das técnicas de irrigação das águas do rio Nilo, principais fatores do crescimento socioeconômico egípcio.
Mas Osíris foi, segundo o Esoterismo antigo, um deus, ou seja, um Éon emitido a partir do Pleroma e aqui manifestado como homem de elevado caráter espiritual. Na corte egípcia, ele deteve o poder máximo e conduziu não apenas um reinado, mas igualmente um sacerdócio espiritual que chegou ao auge iniciático. Como rei, Osíris civilizou os povos do Nilo; como sacerdote e Hierofante, desceu por sendas cósmicas zodiacais que ele percorreu de forma especial, dando passos por regiões e camadas celestes e seguindo uma rota sublime, que é explicada em minúcias nas Lições Iniciáticas Jessênias.

Ao construírem e organizarem uma nação ao redor do Nilo, os Sacerdotes (Hierofantes) da Escola Osiriana de Mistérios puderam desenvolver o magnífico trabalho espiritual, o testamento esotérico que conhecemos como Tradição Egípcia, ou seja, a Sabedoria do Egito Antigo. No legado da antiga nação egípcia – as pirâmides, a esfinge, o Livro dos Mortos, os grandes templos e suas belas fachadas, os escritos hieroglíficos – ficou registrado o secreto conhecimento da Doutrina dos Mistérios.
Os hieróglifos, escrita assentada também em papiros, são um dos mais ricos elementos do saber da Antiguidade, pois reúnem arte, ciência e religião. Arte porque expressavam ideias sob a forma de desenhos de paisagens, de cenários da vida cotidiana, doméstica, real e campestre do povo egípcio do passado. A arte sacra hieroglífica – que reproduzia cenas sagradas da religiosidade egípcia, das atividades sacerdotais – teve especial importância. Ciência porque era uma escrita que exigia notáveis técnicas científicas: no desenvolvimento de tintas coloridas especiais, na criação de ferramentas específicas para a elaboração de esculturas, nas arrojadas construções com superfícies próprias para se assentarem os hieróglifos. Religião porque expressavam temas do relacionamento espiritual do homem com a natureza, com o cosmo, com o macrocosmo e com a Deidade criadora.
Podemos dizer que o desenvolvimento do homem antigo dependeu, em grande parte, da escrita sagrada, destinada a registrar o santo e secreto ensinamento dos Mistérios. Essa escrita, observada também na Mesopotâmia, na Índia, na primitiva Europa, nos povos antigos da Ásia, do Oriente e do Ocidente, era, no conceito da Sabedoria Antiga, a forma gráfica dos sons da fala humana e da fala dos deuses.
O homem, em sua caminhada dirigida e estimulada pela Sabedoria dos Mistérios, deu um grande passo em seu desenvolvimento social, cultural e científico. Assim, em seu trabalho externo, os Hierofantes criaram as estruturas organizacionais do estado, da nação e da civilização.
Os Mistérios, e os sábios que os organizaram e administraram, cuidaram de dotar a sociedade humana de uma estrutura parecida com a dos Anjos e seres imortais do País da Luz, do Reino da existência perene. Assim, a intenção, o plano das Hierarquias Angélicas, era dotar as civilizações humanas de bases e características as mais próximas possíveis das existentes no Reino Celeste Divino.
Entre os povos sumerianos da antiga Mesopotâmia, os mitos dão-nos registros de que Apsu-Dagon, meio peixe, meio humano, saiu das águas para ensinar aos antigos mesopotâmicos a escrita, a medicina, a magia, a astrologia e as técnicas agrícolas e comerciais. Esse ser mítico aparece na arte dos antigos acádios rodeado de aspectos misteriosos, representando um Hierofante que desceu à Terra, vindo do Reino dos Deuses, com uma missão civilizadora. As Escolas de Mistérios, portanto, são as instituições mais antigas e importantes das civilizações. Sempre que olhamos para a história do homem, sua saga laboriosa, suas disputas, suas crenças e ciências, deparamo-nos com o papel civilizador das Teletés, as Iniciações dos Mistérios.
Esse papel, entretanto, é apenas parte da grande e secreta obra que a Sabedoria Divina e seus Hierofantes realizaram e realizam no planeta. Afirmamos, com segurança, que o aspecto civilizador é uma ação preliminar das Escolas de Mistérios a fim de preparar o homem para um posterior trabalho espiritual e é o lado exotérico (externo) do ensinamento dessas Escolas, o qual se configurou como religião para as massas, conforme dissemos na Carta de Contato 1. Para o homem preparado, o verdadeiro homem espiritual, a Doutrina dos Mistérios oferece – nas criptas secretas, nas oficinas ocultas – a grande e sublime Iniciação, que visa nele desenvolver uma mente capaz de reagir, de modo distinto da mente dos homens das massas, à primordial e sagrada Magia do Som, isto é, à Magia do poder acústico criador de Deus, denominada pelos hindus Mantra-Ioga (man=mente; tra= libertação).
O som e a fala aparecem em todos os mitos arcaicos como agentes do poder criador de Deus. Nos Mistérios Egípcios, por exemplo, a Criação só teve início quando o grande pássaro Fênix abriu o seu bico e emitiu o Canto Criador Primordial. Sob o toque desse canto, do abismo líquido do grande oceano das Águas primitivas saiu uma pirâmide em cujo ápice a Fênix construiu o seu ninho e nele colocou os ovos de tudo o que viria a ser a Criação. Cada ovo chocado eclodia em mundos, seres e criaturas cósmicas.
Na arte sacra das Escrituras Sagradas hindus, nas cenas da Criação e manifestação dos atos cósmicos dos deuses, sempre aparecem instrumentos musicais como a flauta, os címbalos, os sinetes, o tambor e o gongo. Ao som desses instrumentos os deuses acendiam as estrelas, recolocavam os astros em suas órbitas, destruíam mundos caotizados, regeneravam a natureza, estabeleciam as estações anuais, produziam os metais nobres, os remédios, etc.
Os Hierofantes de todas as épocas e lugares ensinavam aos seus alunos os segredos dessa música dos deuses (dos Anjos), e explicavam que dominar o Som era a tarefa mais nobre do aprendizado da Sabedoria Oculta. Som e escrita são as bases da Magia divina, os instrumentos com que as criaturas angélicas de Deus corrigem, direcionam e aperfeiçoam, dia a dia, a Criação. O candidato à Iniciação deveria, portanto, desde as suas primeiras lições, aprender a cantar, a escrever e a dominar os grandes mantras pronunciados pelos deuses no seio do oceano cósmico. O aspirante aos Mistérios egípcios, por exemplo, para ser admitido como neófito, deveria aprender a escrita hieroglífica e tornar-se escriba de Toth, o deus egípcio da escrita, do som, da pronúncia dos encantamentos mágicos; ele era nomeado A Língua dos Deuses, A Voz de Rá (deus Sol), O Verbo Criador. O neófito, portanto, dedicava-se à Sabedoria Oculta com inteiro empenho, pois iria receber uma das mais desejadas Iniciações, que os gregos, nos seus contatos com o antigo Egito, denominaram Iniciação a Sacerdote Hierogramata. Cabia ao Hierogramata o registro de toda a Doutrina dos Mistérios e a guarda dos arcanos da Magia, da Medicina, dos Sagrados Rituais e Mitos, bem como das regras e métodos gramaticais comuns à escrita e à pronúncia hieroglífica, o que mais tarde, ele iria ensinar aos outros principiantes.
Entre os povos mesopotâmicos, o deus Nebo era o patrono da escrita cuneiforme e senhor da Sabedoria. Ele era denominado Voz e Mente dos Deuses, Língua da Sabedoria e Escriba Celeste. As admissões nos Mistérios de Nebo são bastante parecidas com as dos Mistérios Jessênios. O candidato tem que se apresentar diante dos sacerdotes jessênios com certa disposição a uma "adesão mística", entregando, à medida que toma consciência do discipulado, sua audição, sua memória e sua inteligência ao desenvolvimento da arte espiritual de assimilação dos arcanos da Sabedoria Divina.

Em sua Iniciação o jessênio receberá um conjunto de registros secretos, de conhecimentos ditados aos grandes Hierofantes pela Língua da Sabedoria. Esses registros contêm ensinamentos que somente poderão ser assimilados por uma mente que possua a audição correta, o pensamento correto e a razão tocada pela Luz divina. Uma mente que impõe ao que lhe é ensinado um ponto de vista incorreto, ou que é pouco serena, ou ainda que não se fixa numa inteligência purificada, tem que ser preparada por longo tempo para poder adquirir a percepção e a compreensão.
Se o candidato se apresenta nos portões sagrados da Escola de Mistérios Jessênia sem estar disposto a uma adesão mística consciente, séria e eficiente, faltar-lhe-á fatalmente aquele estado mental de verdadeiro anelo por conhecer a Verdade. Então, a preguiça mental, a desordem cármica e a dúvida enegrecerão as câmaras alquímicas de seu entendimento e cercarão o seu coração com pesadas correntes magnéticas cujo efeito é a falta de boa vontade, de persistência, de tranquilidade e de ânimo, tirando-lhe o maior dom que o candidato aos Mistérios precisa desenvolver: a busca pela Verdade e a pesquisa persistente, bem como a clareza interior que permite iluminar a Senda que gera o acesso aos santos e elevados tesouros da Luz.
A Iniciação Jessênia é composta de trinta e quatro graus, e o aluno a desenvolverá segundo a orientação e o ensinamento que lhe são apresentados pela Hierofania de forma oral e escrita. Esses trinta e quatro graus correspondem a 1.122 lições e agrupam-se em cinco grandes estágios que denominamos Aspectos, os quais refletem a Iniciação clássica das Escolas de Mistérios da mais remota antiguidade, como a Pitagórica, a dos Mistérios Egípcios Osirianos, a das Comunidades Cristãs Gnósticas e as Maniqueias.
A partir da manifestação do Cristo na Terra, há mais ou menos 2000 anos, as Hierarquias Angélicas da Fraternidade Universal começaram a formar a Escola Ocidental de Mistérios, para a qual confluíram as Tradições Orientais – Persa, Hindu, Egípcia e a Semítico-Cabalística – surgindo, assim, a Tradição Ocidental, isto é, o Cristianismo.
A parte humana de formação da Tradição Ocidental deu-se com os doze Apóstolos e o Apóstolo Paulo, cada um realizando essa tarefa de forma diferente. Assim, nasceram diversas correntes de Cristianismo, ancoradas no ensino específico de cada Apóstolo. Apesar da eficiência desse trabalho, essa não era uma situação ideal. Então, as Hierarquias Angélicas intencionaram unir as várias vertentes do ensinamento cristão. Mas com o falecimento dos Apóstolos, alguns de seus seguidores, despreparados para administrar o aspecto esotérico da doutrina cristã, acabaram adquirindo maior autoridade do que lhes era destinada, e opuseram forte resistência à intenção da Fraternidade Angélica. Desse modo nasceu a ortodoxia. Aqueles, porém, que responderam com prontidão ao intento dos Anjos e de Cristo de formar a Escola Ocidental de Mistérios, separaram-se dos demais e deram origem ao Cristianismo Gnóstico, que eliminou de seu meio os elementos exotéricos arcaicos da ortodoxia. O elemento mais energicamente rejeitado foi o que remanesceu do judaísmo ortodoxo, pois nele se firmou a ortodoxia para opor-se ao desejo de se formarem os Mistérios Cristãos.
No início da presente Era de Aquário, a Iniciação Jessênia traz para os Mistérios Cristãos os verdadeiros e esotéricos aspectos da Tradição Judaica, que em nossa Comunidade aparecem como Cabaláh essênia e elkessaíta[1]. O interessado nos Mistérios Jessênios não deve pensar que nas partes cabalísticas de nossas lições enfrentará os difíceis e desconhecidos idiomas hebraico e aramaico. As palavras gregas, hebraicas e aramaicas que aparecerem em nossos livros e instruções são traduzidas, transliteradas e explicadas de forma bastante simplificada, e seu significado esotérico é retomado diversas vezes, cada vez em um grau mais aprofundado, de forma que paulatinamente a compreensão do neófito será expandida, até que ele assimile a totalidade do que se deseja transmitir.
Considerando a forma como está organizado o Jessenismo Oriental, desde 1950, pelo seu primeiro idealizador, o rabino Yalladhay, e retomada em 1973 pelo senhor Jodachay Bilbakh e seus pupilos Ibny Esdras e Ylkhynayáh, os idiomas hebraico, aramaico, grego e árabe são muito importantes no ensinamento desses mestres.
Podemos falar de uma retomada mais ampla do Jessenismo Oriental a partir do ano de 2001, quando entrou na formulação desse ensino iniciático a pena pródiga de Ibny Joshai. Discípulo especialmente preparado pelo Mebaker Jodachay Bilbakh para gerar o lado ocidental da Escola de Mistérios Jessênia, Ibny Joshai é o autor das 1122 Lições Iniciáticas Jessênias. Seu trabalho envolve o conhecimento do grego, hebraico e aramaico, e é realizado de forma enraizada com a Comunidade Jessênia do Oriente. Isso significa que no Ocidente a dinamização dos Mistérios Gnósticos Jessênios transcorre juntamente com o Mebaker Jodachay, Ibny Esdras e senhora Ylkhynayáh. Essa atuação conjunta Oriente-Ocidente tem uma importante função neste momento aquariano.
Quando o estudante se aproximar do 17º Grau (Frater da Sagrada Rosa Cruz), ele poderá participar de uma Távola. Nesse espaço iniciático o ensino é predominantemente oral, proferido com mais liberdade, e as dúvidas surgidas ao longo dos estudos podem ser dirimidas diretamente com os irmãos Arquimagos (Grau 28 do Mestre do Segredo) preparados para ministrar o ensino oral. Uma Távola também pode contatar diretamente o Hierofante Jessênio do Ocidente, senhor Ibny Joshai, responsável pela abertura das Távolas Ocidentais e pela revelação dos tesouros gnósticos do Jessenismo. Em uma típica ação do Espírito da Verdade para a Era de Aquário, a Hierofania, em ocasiões específicas, leva os Mestres do Segredo a certos tipos de diálogos com os alunos, mesmo sendo eles neófitos, visando manter acessa a chama doutrinal da Comunidade Jessênia.
Nesses diálogos, os alunos, dos iniciantes aos que alcançaram os Graus mais avançados, obtêm a necessária instrução prática para alavancarem seu discipulado segundo as perspectivas da Egrégora Jessênia e da típica Iniciação Dualista. Nessas ocasiões especiais, é levada em conta a experiência lípika desses alunos, ou seja, na sua rota microcósmica é lido o seu passado iniciático. É de acordo com esse passado iniciático registrado na lípika que o discípulo apresenta os questionamentos inerentes ao seu processo de busca pela Verdade, os quais são respondidos segundo uma abordagem dinâmica e arquimágica.
O que a Comunidade Jessênia define como Arquimagia será apontado na Quarta Carta de Contato. Adiantando algo sobre o tema, diremos que o Quarto Aspecto Iniciático, um dos Cinco Aspectos Maniqueus da Iniciação Jessênia, tem como fundamento o Grau do Guardião do Sabbartêz (Grau 22º), que versa sobre a Guarda Iniciática dos Tesouros da Luz revelados no passado. No presente eles são apresentados pela Escola Jessênia, sob a forma de Catarismo.
A Arquimagia é muito relacionada ao trabalho hierofântico do senhor Jodachay Bilbakh, à edição das 1122 Lições Iniciáticas do discipulado jessênio, e também faz parte do ensinamento referente à passagem do Grau 28 (Arquimago) para o Grau 29 (Primeiro Grau do Aspecto Mestre da Candura ou Mestre Arquipontífice). Esses Graus dinamizam o que denominamos Setenta e Duas Pontes Arquipontefícias do nosso Mebaker, que apresentamos na figura a seguir.
[1] Os Elkessaítas eram o grupo gnóstico essênio cristão com quem Mani persa foi criado. Seu fundador, Elkessai, viveu perto do ano 100 d. C. Na atualidade, seus ensinamentos estão preservados pelos mandeus, gnósticos do sul do Iraque.

Os ensinamentos discipulares da Comunidade Jessênia estão dispostos nas Lições dos Trinta e Quatro Graus e em diversas literaturas. O ensino destinado ao público pesquisador é oferecido também por meio de literatura e de palestras realizadas pelas vias de comunicação disponíveis. Essa é uma parte do trabalho da Ekklesia visível.
No lado invisível da Ekklesia – construído pelo Anjo do Mabaker e pelos Anjos dos doze irmãos que iniciaram o processo de criação das Távolas – há outro trabalho, de natureza mágica. O nosso mestre referia-se à formação dessa parte invisível como sendo "a edificação da pirâmide em cujo ápice a Fênix construirá o seu ninho". Isso significa que é nessa câmara invisível que está depositado cada um dos mantras dos Mistérios Jessênios, cada um dos Sons sagrados da Fênix cósmica, e onde estão preservados os grandes tesouros da Iniciação Clássica.
Assim, repete-se, às portas da Era de Aquário, a antiga Iniciação nos Mistérios Osirianos. Os quatro elementos da natureza, vistos pelo lado caótico da matéria e do tempo, gritam para o neófito: "Sou a esfinge! Decifra-me ou eu te devoro!". O candidato aos Mistérios que caminhou para a esfinge em uma noite sem lua e sem estrelas, olha para si e ao seu redor, e por todos os lados vê que a esfinge está presente; os quatro elementos formam tudo nele e ao redor dele. Mas entre as patas do fabuloso animal egípcio, eis que surge uma passagem, uma porta, diante da qual está o Hierofante egípcio portando em uma das mãos um archote iluminador e, na outra, o Livro do Ritual, conhecido com o nome egípcio Reu nu Pert en Hru (Livro de como Amanhecer na Luz), ou ainda como O Livro Egípcio dos Mortos. Quem seguir o Hierofante alcançará o interior da Grande Pirâmide e achará vazio o túmulo de Osíris. Se ele olhar para o alto, para o ápice, verá o ninho da Fênix, a qual prepara uma nova descida de Osíris, e um novo ciclo de Mistérios.

CAPÍTULO 2DIANTE DA LUZ AQUARIANA DOS MISTÉRIOS |
Há muito se fala acerca da Era de Aquário e da espiritualidade aquariana, contudo, sem explicar o significado do final do último milênio, do último século e era, tampouco sobre importância do momento histórico astrológico, que é a passagem da Era de Peixes para a Era de Aquário.
Ao longo do século XX, no universo esotérico do Brasil e do restante das Américas prevaleceram os ensinamentos espíritas, afro-mediúnicos, xamânicos, teosofistas, maçons, martinistas e cabalistas. Na virada do século XIX para o XX, aqui chegaram os mestres e gurus chineses, hindus e japoneses. Também o Budismo se tornou uma referência tal que, para falarmos de esoterismo americano, temos de dar ênfase a Blavatsky e aos gurus da Ioga. As Américas adotaram, ainda, o esoterismo de personagens como Elifas Levi, Papus, Samael Aun Weor, Arnold Krumm Heller, e outras manifestações ocultistas como as de Jules Doinel (fundador da “Igreja Gnóstica”), de Aleister Crowley, de Paul Sedir etc. Não houve, portanto, nenhum espaço nesse passado para uma expressão cristã verdadeiramente gnóstica.
Nesta passagem da Era de Peixes para a de Aquário, a humanidade vivencia um momento mágico-histórico muito parecido com o que vivenciaram Jesus e seus contemporâneos judeus e essênios, na época da passagem da Era de Áries para a de Peixes. Para a Fraternidade Angélica, os dias atuais têm importância semelhante àqueles do fim da Era de Áries. Isso porque o céu de uma passagem cíclico-astrológica apresenta a oportunidade de reaparecerem na Terra os grandes ensinamentos esotéricos e seus mensageiros: os Hierofantes da Luz. Esses tempos são, também, muito propícios para a fundação de uma Escola de Mistérios.
Assim, seguindo de perto as oportunidades aquarianas, o Mebaker Jodachay Bilbakh desceu para a vida na matéria, sofreu as vicissitudes da labuta humana nas trevas e com sua Magia Gnóstica cavou uma Via Iniciática até ao coração do planeta, onde reside o laboratório do Terceiro Logos (o Espírito Santo). Seguindo a profecia do Apocalipse O relâmpago nasce no Oriente e se põe no Ocidente, ele nasceu em Jerusalém, na raça judaica tipicamente oriental, e trouxe para o Ocidente os sublimes arcanos da Instrução Universal divina. No passado, em sua manifestação como Mestre Essênio da Retidão, ele foi um iniciado nos Mistérios Orientais e, mais tarde, nos Mistérios Ocidentais, na época em que viveu entre os cátaros. No curso de suas Iniciações, na atualidade ele retorna novamente como judeu e apresenta para a humanidade as Cinco Santas Tradições Antigas. Temos entre nós, portanto, um Hierofante que vivenciou a passagem da Era de Áries para a de Peixes, e que assistiu ao desaparecimento dos essênios e ao nascimento do Cristianismo. Hoje ele vivencia conosco a passagem da Era de Peixes para a de Aquário.
Com sua iluminada percepção, o Sr. Jodachay nos deu muitas recomendações, as quais nos mostram seus grandes efeitos referentes ao trabalho gnóstico-dualista a ser desenvolvido no Ocidente neste princípio de Era. Muito gostaríamos de já ter concluído tudo a que demos início para as bases desse trabalho, porém, sabe o Mebaker o quanto é penoso o nosso dia a dia na matéria. Sabe também que o Brasil, escolhido profeticamente para inaugurar as Távolas ocidentais, é um país pobre financeiramente e muito marcado por fortes religiões ortodoxas, opositoras e inimigas da Gnosis.
Em suas revelações, o Mebaker Jodachay nos apontou o ano de 1997 como um marco astrológico muito importante no que se refere aos trabalhos da Fraternidade Jessênia. Naquela época transcorriam 50 anos das descobertas dos Manuscritos de Qumran. Com sua fantástica visão profética, ele nos alertou para os segredos e Mistérios cabalistas do número 50, principalmente para os que seriam dinamizados com os cinquenta anos das descobertas desses manuscritos. Dois anos antes, em 1995, foi o 50º aniversário da descoberta dos Escritos de Nag Hammadi, cidade do Egito, na antiguidade chamada de Chenoboskion, onde pastores árabes desenterraram uma biblioteca (hoje conhecida como Biblioteca da Nag Hammadi) com obras redigidas em copta (antigo dialeto egípcio), referentes aos ensinamentos do Cristianismo primitivo e gnóstico. Em 1996 fez 100 anos da descoberta dos documentos essênios da sinagoga caraíta do Cairo, Egito. O Mebaker Jodachay Bilbakh fez ampla exposição acerca de todas essas datas para os seus discípulos diretos e fomos instruídos para nelas vermos o preparo invisível da manifestação de forças que tocam a humanidade, amadurecendo-a para uma vida espiritualizada, voltada para a busca do Caminho Iniciático.
Na prática, o senhor Jodachay colocou-nos diante da responsabilidade de divulgar o Caminho Iniciático Quíntuplo da Fraternidade Jessênia para a humanidade, que adentra a Era de Aquário. Se o final da Era de Peixes foi marcado pelo surgimento dos fundadores de movimentos que abriram para a humanidade a instrução gnóstica e filosófica, ainda que fosse apenas um prelúdio, nos portais da Era de Aquário essa instrução tornou-se um potente e luminoso farol da Iniciação nos Mistérios. No momento atual, chegados os dias anunciados profeticamente pelo nosso Mestre, constatamos um desejo profundo da humanidade de mergulhar as suas raízes no longínquo passado iniciático, e de retirar dele os frutos para um presente e um futuro seguro e firmemente espiritualizado.
O mito grego de Ganimedes, o jovem semideus grego raptado pela águia de Júpiter, é essencialmente o mito de Aquário. O homem que vive na superficialidade de uma existência terrestre material e ilusória, que caminha numa horizontalidade cega e sem rumo, debate-se agora num vazio espiritual, num vácuo onde a vida comum perdeu todo o seu sentido e, nesse vácuo, o seu coração é arrastado por Aquário para a verticalidade que conduz à iluminação e à verdadeira Iniciação. Essa verticalidade que desce das alturas rapta esse homem e o leva para o sublime mundo dos Anjos, para o mundo das Asas Imperecíveis, para o ar e para o espaço solar distante e luminoso. A águia de Júpiter, que conduz o raio do poder desse deus grego, toma Ganimedes pela cabeça e pelos cabelos, ou seja, eleva-o até o mundo dos deuses imortais por meio da mente e de suas faculdades. Ele é puxado para as alturas, mas seu coração, agarrado por Aquário, não perde o “Si mesmo”, o seu ponto Autós ou Protoátomo, onde reside o que no homem é ele em sua essência divina.

O raio de Júpiter que a águia porta nas garras faz a mente de Ganimedes tornar-se um lago de luz, um oceano de faculdades e dons iluminativos. Essa mente irrigada pela Luz não é a comum e sensorial; é aquela que retira a sua base do Autós. O homem de Aquário certamente anseia por um contato direto e vertical com a Verdade, mas sem perder essa conectividade com o seu sagrado “Si mesmo”. Se os pés da águia não tomam a sua mente fundamentada no Protoátomo para levá-la até a genuína instrução libertadora, esse homem aquariano sente-se vazio, sedento, pouco preenchido em sua essência. Dói-lhe uma dor de alma, uma dor no peito, no coração, em seu Autós, que o faz olhar ao redor com inquietação, e lhe dá a certeza intuitiva de ainda não ter encontrado a Senda espiritual, apesar dos anos de pesquisa e peregrinação no mundo inferior em busca dessa Senda.
Essa sensação típica do homem pneumático se faz mais forte e operativa na presente Era, e vai se tornando cada vez mais em algo como um oceano de águas inquietas. Um dos símbolos de Aquário é um vaso jorrando água, o que nos lembra a frase taoísta: O Tao é um vaso vazio vazando. Anos de participação em escolas e em ordens semiesotéricas tornam-se para esse tipo de homem um vaso vazio, sem o Tao, sem a essência da Verdade. Quando o Tao aparece em Aquário, o vaso vazio passa a vazar, a transbordar com o líquido do Graal, e Ganimedes (o homem que busca a Senda) para de rodear a horizontalidade da Terra e voa rumo à verticalidade da Luz Solar. Assim, saindo da horizontalidade em direção à verticalidade, o homem aquariano traça em seu sangue, em seu próprio ser, a Cruz luminosa do Cristo.
O Hierofante jessênio, o Mebaker Jodachay Bilbakh, mostrou-nos claramente a nossa missão aquariana no Ocidente. Colocamos as mãos no arado para preparar o terreno, sulcar a Terra até acessar seu coração sagrado. Que gloriosa honra, que maravilhosa e nobre oportunidade se estende para as primeiras Távolas! Elas serão as pioneiras, em suas mãos está o alicerce dos trabalhos futuros da Escola Jessênia. Elas podem segurar as pedras dos primeiros dias aquarianos e, dessa forma, guardar em seus corações um grande tesouro, que é observado pelos Anjos como um elevado e raro bem, de inigualável esplendor, que eles só poderão obter se descerem à Terra como Hierofantes.
Nos três grupos duodécuplos em que a Comunidade Jessênia se organiza – Pré-Mynians, Mynians e Távolas – a Fraternidade Angélica faz a lípika (os últimos anéis do microcosmo) dos alunos que compõem esses grupos se abrir em contragiro mostrando os tesouros da gloriosa honra de cada caminhante que endireita os seus passos colocando-os na direção da Luz.
Chamados magicamente à manifestação, os tesouros lípikos da alma apresentam-se como fortes e poderosos dons alquímicos, como correntes ígneo-luminosas de elevada beleza, que cobrem a nudez astral do candidato aos Mistérios. Anjos desejam descer como Hierofantes para colher, pelo trabalho na matéria, esses tesouros lípikos de incomparável magnificência. Se vencermos a nossa ignorância, o nosso arraigado desejo material, poderemos ter nas mãos o selo gnóstico dos primeiros passos de uma Escola de Mistérios.
Os essênios, após labutarem arduamente na matéria, e perto de ascenderem definitivamente para o seio da Luz, estenderam a sua experiência, o seu auxílio e a sua riqueza espiritual aos primeiros cristãos. Quem pode visitar nas alturas luminosas o lugar ocupado atualmente pelos iniciados essênios contempla as joias magníficas de suas vestes lípikas, granjeadas pelo voluntário esforço de auxiliar uma Escola Hierofântica em seus primeiros passos.
O Cristianismo recebeu dos essênios todo o auxílio de que precisava para o trabalho hierofântico da nascente Era de Peixes, principalmente a experiência espiritual. Eles também forneceram ajuda material, considerada secundária, mas necessária para o desenvolvimento desse trabalho na natureza de queda. A Comunidade Essênia era muito rica também no aspecto financeiro, tinha muitos bens, pois praticava um coletivismo semelhante ao citado no livro bíblico de Atos dos Apóstolos, capítulo 4, versículos 32 a 37 (“Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham). Tanto essênios quanto cristãos, ao entrarem para a Ordem, vendiam as suas herdades e levavam o dinheiro para os dirigentes, que ficavam encarregados de distribuí-lo entre todos de forma que a ninguém faltasse o básico para sua subsistência. O restante desses recursos doados era cuidadosamente guardado para que nada faltasse na manutenção da estrutura daquela Escola.
A atual Comunidade Jessênia não exige tamanha prova de adesão mística por parte daquele que ingressa em seu quadro de discípulos; em alguns casos tem mesmo se negado a receber grandes ofertas de cunho monetário. As obrigações financeiras que se impõem para a manutenção da Escola Espiritual na matéria são supridas segundo a voluntariedade dos alunos, e a ajuda oferecida deve estar imbuída de naturalidade, idoneidade, de incondicional e espontânea disponibilidade. Esse ato deve ser desprendido, sem segundas intenções e observar os cuidados jurídicos que envolvem a questão. A humildade é um ponto a ser destacado, pois o praticante dessa nobre ação não é, em hipótese alguma, tido como maior que outros cuja simplicidade ou falta de recursos os impossibilita de ofertar a sua contribuição.
Gostaríamos de nos apresentar na matéria sem precisarmos de nenhum recurso financeiro. Diante dessa impossibilidade, faz-se necessário providenciar o mínimo para atender às despesas compulsórias decorrentes da dinâmica de uma Escola de Mistérios, entre as quais os custos com o fornecimento da literatura.
Quanto ao aspecto da necessidade financeira, miramo-nos, no que pode ser aplicado nos tempos atuais, no exemplo dos cátaros do sul da França, que viviam da inteira bondade dos nobres e autoridades de seu país. Em resposta aos benefícios recebidos, adotavam uma pobreza voluntária, cada um deles procurando ser o menos dispendioso possível e praticando de graça a medicina, a educação e a espiritualização do povo. Dessa forma eles conseguiam levar adiante a grande tarefa da Iniciação de todos os que a solicitavam e para ela se preparavam. Esse era o objetivo supremo, o único importante, para o qual os cátaros se voltavam com toda a sua alma e com uma entrega e voluntariedade raras no planeta.
A Era de Aquário exige de nós um modo de vida mais inteligente, um relacionamento perspicaz e organizado com as despesas pessoais e com a família, bem como a adoção de uma postura social responsável. Aquário será uma época de muita escassez, fome, pestes e crises mundiais. A prudência e a simplicidade deverão se tornar os instrumentos da vivência sábia.
O Sr. Jodachay Bilbakh revelou-nos que o Brasil, embora muito susceptível às crises financeiras e econômicas mundiais, superará suas dificuldades de país em desenvolvimento e saltará para patamares mais tranquilos. E na esteira dessa tranquilidade, muitos buscadores da Verdade encontrarão os recursos mínimos para levar adiante o processo iniciático. Esperamos confiantes a concretização das previsões do Mebaker, pois esse futuro alicerce financeiro diz respeito ao grande reino espiritual que no Brasil surgirá e será conduzido a um desenvolvimento pleno. Nosso povo e nossa língua, portanto, formarão uma nação espiritual tal como foram, no passado, o Egito, a Índia, a Pérsia e Israel e a Pérsia.
Sobre o despertar espiritual de nosso país, novamente chamamos a atenção dos pioneiros. Eles só poderão fazer valer sua serviçabilidade, voluntariedade, humanismo e dedicação ao melhoramento social, se aprofundarem os seus conhecimentos acerca da grande força aquariana de Deus, seus aspectos e efeitos, e se tomarem os cuidados necessários para que haja uma reação harmoniosa às correntes astrais mágicas do Aguadeiro. Uma das providências a serem tomadas com urgência é na área da segurança pública, que requer a implementação de policiamento treinado para dominar a violência sem o uso de armas de fogo. Artes marciais como o kung fu, por exemplo, cujo lema principal é "defender-se sem absolutamente ferir ninguém", poderão se tornar uma ferramenta poderosa no controle da violência, sem que se utilize a pólvora, extremamente pisciana, letal.
Os jessênios serão pioneiros na formação de uma sociedade mais justa. Não que isso seja o objetivo de seu longo e profundo discipulado, mas sim uma consequência dele. Quem aprende a respeitar a natureza e passa a conhecer as leis naturais, bem como o grande objetivo espiritual da vida humana na Terra, torna-se um cidadão mais consciente, harmonioso, silencioso e sincero.
Aquário toca de forma acentuada a atmosfera planetária. Os éteres que entram na formação do oxigênio são atacados pelas forças purificadoras aquarianas, de forma que precisamos atentar para a qualidade da vegetação, pois muitas doenças surgirão devido a uma superexcitação elétrica dos éteres formadores do ar, o que transtornará mentalmente o homem, e o deixará mais nervoso e violento. Em Aquário, as Escolas de Mistérios terão que trabalhar alquimicamente a atmosfera, de forma que deverão estimular a secreta e muito natural fitoastroterapia essênia, que constitui um dos secretos ensinamentos da nossa sublime Ordem, ao qual nossos discípulos terão acesso no transcorrer de seu desenvolvimento no processo libertador.
No campo da Medicina, outras terapias terão que ser buscadas no remoto passado, nas experiências dos sábios antigos que, em sua época, passaram por situação semelhante de mudança de Era. A esse respeito, o papel do discípulo se torna muito importante, pois ele terá em suas mãos conhecimentos secretos que visam melhorar a sua vida pessoal, saúde e tranquilidade mental, o que gerará uma atmosfera pacífica ao seu redor, cenário esse muito necessário no novo milênio.
As Escolas de Mistérios sempre atuam de maneira silenciosa, harmoniosa e pacífica. Nos tempos passados, elas combateram a selvageria e a barbárie do homem antigo, e enfrentaram as autoridades tirânicas sem utilizar qualquer meio coercitivo ou violento, usando apenas a arma da bondade, do exemplo da paz, da ausência de luta. Em Aquário, essa atuação será imprescindível para a humanidade.
Esse trabalho visível, direcionado às massas, é o aspecto exotérico, externo, de uma Escola de Mistérios. Entretanto, a sua fortaleza, a sua maior e mais sublime tarefa, que é transformar o homem material, mortal e ignorante, em Homem-deus, em ser imortal e celeste, está fundamentada em seu lado esotérico, interno, o qual é um segredo, um conhecimento que não pode ser oferecido sem a adoção de muitos cuidados, sem que se exija do postulante uma efetiva prova de estar preparado para recebê-lo.
Muitos argumentam que nesta época de transição nada mais se constitui de um segredo. Porém, faz-se necessária uma reflexão séria e aprofundada, pois estamos lidando com tesouros iniciáticos provenientes das alturas do Logos, e só os mensageiros por ele enviados podem aqui manejar tais fontes de Sabedoria em consonância com as intenções da Fraternidade Angélica de Deus. Estando esses sublimes ensinamentos acessíveis a mãos profanas, elas poderão deles se utilizar com intenções vis, ferindo assim o coração do Logos. Exemplificamos isso trazendo à lembrança o trabalho desvelador, ocorrido no século XIX d.C., que durou até perto de 1932. Em paralelo a ele, uma turba de falsos iniciados, de pessoas com intenções pérfidas, atuou de forma a jogar pesado véu sobre o ensino desvelado e a deturpá-lo, interrompendo, assim, as grandes revelações do Conhecimento divino a serem ofertadas ao homem naquela época.
Em razão desse ataque das trevas ao trabalho libertador planejado pelas Hierarquias Angélicas, foi recolhido o elevado tesouro gnóstico que esteve secretamente guardado para ser apresentado durante o século XX. Algumas ordens esotéricas confessaram abertamente a seus afiliados que desistiram de ensinar a linha de conhecimentos professada pelos antigos pitagóricos, alquimistas medievais, hermetistas, e pelas Escolas de Mistérios como a de Elêusis, na Grécia, considerada uma das mais notáveis e a que mais se ergueu em nobreza no passado da humanidade. O principal ponto doutrinário que foi abandonado é o referente à queda e desconfiguração da alma humana, doutrina básica da Cabaláh essênia, da Gnosis Cristã, do Maniqueísmo, da Alquimia, do Platonismo e Neoplatonismo, do Pitagorismo, enfim, de todas as ciências e tradições esotéricas pretéritas que mantiveram uma conexão com os profetas do Vale do Crescente Fértil.
A proposta da Comunidade Jessênia é recuperar e trazer para os portais da Era de Aquário o Ensinamento Esotérico Clássico, a Doutrina de Mistérios que foi abandonada em quase toda a sua totalidade, ou foi vestida e velada a fim de tornar-se popular, comum e apreciável ao público indistintamente. Quem estudou, por exemplo, os alquimistas do passado que formaram em sua época a Grande Fraternidade Mundial dos Iniciados, sabe o quanto foi vulgarizado o ensino da Astrologia alquímica, do Tarot, e o Conhecimento acerca dos Anjos e dos nobres Mestres da Luz.
Em essência, nada temos contra qualquer religião, ordem esotérica ou filosófica. Mas concordamos com o posicionamento dos rabinos cabalistas que veem com muito maus olhos a comparação da Cabaláh, em sua originalidade como Tradição Judaica esotérica, com o Espiritismo e com certas linhas espiritualistas voltadas para a necromancia. Na visão desses rabinos, dentre as religiões ocidentais, a espírita é uma das mais científicas e aproximadas do conhecimento espiritual e da filosofia antiga, contudo, não apresenta nenhuma similaridade com os grandes conceitos cabalísticos. Outro ponto de afastamento das duas doutrinas sustenta-se no fato de a religião espírita possui apenas o aspecto exotérico, segundo o qual, em sua legítima postura, ela trabalha com o público, enquanto a Cabaláh é uma doutrina altamente secreta e uma das poucas da atualidade que pode ser definida como genuinamente esotérica.
A Comunidade Jessênia reconhece o trabalho pioneiro do Espiritismo de recuperar para o Ocidente o conceito de reencarnação e apoia sua conduta de manter a doutrina de seus dois expoentes: Kardec e Roustaing. O ensino de Roustaing contém alguns pontos extraídos do Catarismo e outros do Xiitismo, principalmente os que mostram Jesus como alguém capaz de ocultar-se por meio de um corpo sutil especial, sendo, portanto, invisível aos olhos da multidão e visível somente aos olhos espirituais dos discípulos mais avançados. Trata-se da doutrina docetista, e é recorrendo a ela que nos defendemos dos espíritas exoteristas antignósticos.
Consideramos útil neste ponto de nossa exposição recordar algo do que já transmitimos: a definição de Exoterismo vem do radical grego "ex", que significa "ir para fora", "do lado de fora"; enquanto a do Esoterismo vem do radical "eso", que significa, "dentro", "que se esconde dentro". No lado exotérico do trabalho de uma Escola de Mistérios, aparece o ensinamento preparado para as massas, que não podem assimilar o conhecimento mais elevado, nobre e divino, apresentado no lado esotérico.
Acerca dos dois tipos de ensinamentos espirituais, apontamos os grandes preceitos dos Evangelhos, dos quais o Espiritismo retira excelentes lições exotéricas de amor e de fraternidade. Mas nós, cabalistas jessênios, sem menosprezar ou desconsiderar o lado exotérico dos Evangelhos, voltamo-nos para o lado esotérico e buscamos as bases doutrinárias de uma verdadeira Fraternidade de Mistérios na história do tanque de Betesda. Conforme narrado em João, capítulo 5, versículos 1 a 16, em determinada época do ano, um Anjo vinha a esse tanque construído com cinco colunas e movia as suas águas. O primeiro homem que nele entrasse durante essa dinâmica recebia uma cura. Havia um aleijado que aguardava para entrar nas águas, mas impossibilitado de se locomover, nunca conseguia nelas chegar antes de cessarem seus movimentos. Então, movido pela compaixão, Jesus aproximou-se do homem, curou-o e despediu-o após abençoá-lo. Em uma visão bem literal, temos nesse episódio um ensinamento exotérico, muito usado nos sermões das religiões cristãs ortodoxas.
Os jessênios veem na figura de Betesda o aspecto esotérico de uma Escola de Mistérios. As cinco colunas são as Cinco Sagradas Tradições Antigas (Persa, Hindu, Egípcia, Cabalística-Semita e Gnóstica-Cristã). O Anjo que no tempo presente desceu entre os homens é o Mebaker (líder espiritual) Jodachay Bilbakh. Por sobre ele – que se acha vivo, na matéria – está Jesus, ou seja, o Fogo-Luz Solar de Deus. Esse Fogo-Jesus diariamente queima a imperfeição e, quando menos esperamos, eis-nos inteiramente curados. Esse é o lado esotérico do texto bíblico sobre a história do tanque de Betesda, que interpretamos como uma Fraternidade com cinco colunas, dotada de Cinco Tradições Esotéricas.
Explorando um pouco mais o lado esotérico da história de Betesda, devemos dela retirar o seguinte entendimento: ainda que fiquemos aleijados diante do que propõe a Doutrina dos Mistérios como missão do homem na nova Era, se realmente somos pneumáticos teremos a condição espiritual superior, acima do homem psíquico, religioso, ou do hylico, materialista. Não nos detenhamos amedrontados, demonstremos coragem e simplicidade, dons importantes para o estudante da Doutrina dos Mistérios. A simplicidade nos conduzirá ao elo fraternal das Távolas; a coragem nos elevará até a morada dos Santos Anjos e ao santo alimento que eles nos proporcionam como Refeição Sagrada.
Do mesmo modo como entendem o episódio do tanque de Betesda, isto é, com visão exotérica e esotérica, os jessênios observam o ensinamento acerca da reencarnação. No aspecto exotérico, não interferimos na visão do Espiritismo, contudo, desenvolvemos o tema de forma próxima de suas raízes orientais, dando a ele características semelhantes às dos conceitos budista, cabalista e hindu. O aspecto esotérico, com seus muitos ensinamentos secretos, é lecionado apenas nas câmaras internas de nossa Escola de Mistérios e é desconhecido de qualquer ordem ou religião da atualidade.
Ao analisarmos as temáticas espirituais sob as óticas exotérica e esotérica, visamos ensinar a Sabedoria Antiga, hoje oculta em seu todo, para os dotados de verdadeiro anseio de alma e que almejam estudar e bem compreender a genuína Iniciação Clássica. Apresentamos essa Sabedoria do modo mais elevado e puro possível, limpando-a de muitos séculos de exoterismos ortodoxos, de desvios, vulgarizações e deformações.
Um exemplo de vulgarização abrupta e lamentável é o caso do Tarot, cujo lado deturpado é muito utilizado pelos chamados espiritualistas dos movimentos da Nova Era. A verdadeira mensagem iniciática do Tarot, que não se volta para a arte da adivinhação, foi conservada por grandes alquimistas como Fucanelli. A carta arcana do Louco, por exemplo, nos diz Fucanelli, indica o mercúrio, a ciência alquímica e o alquimista. Assim como a figura da carta, o alquimista não tem lugar exato para repousar a sua cabeça; tal como um louco, ele pula aqui e ali impelido pelo cão que o morde constantemente. Esse cão simboliza certo estado mental que impele o homem pneumático a buscar a Verdade onde ela possa estar, ainda que lhe seja necessário percorrer o mundo à sua procura. Mas os "magos adivinhadores" não têm nenhum entendimento acerca desse ângulo iniciático do Tarot.
Outra carta arcana que convém comentarmos é a da Sacerdotisa. Para o Jessenismo, ela mostra a entrada do Templo da Iniciação, onde a Sabedoria divina nos aguarda com um livro escondido nas dobras de suas vestes, ou seja, com o grande ensinamento secreto e esotérico guardado no éter akáshico sagrado da Fraternidade Universal. No entanto, vista pela ótica deturpada do ocultismo exotérico, essa imagem é interpretada como "os aspectos femininos e psicológicos do subconsciente" ou "aspectos sexuais da vida humana", ou ainda como "um relacionamento sexual pouco maduro, que pode trazer aos amantes muitos problemas".
As Escolas de Mistérios recusam-se a revelar para o adivinhador o real e secreto sentido das cartas do Tarot. Mesmo porque esse tipo de exoterista pouco ou nada veria de útil no lado esotérico desse maravilhoso livro alquímico. Ainda que nos refiramos ao lado exotérico do Tarot, pertencente ao campo da adivinhação, o verdadeiro iniciado nele vê elevadas profecias acerca do destino humano, as quais jamais poderiam ser feitas por um simples adivinhador. Com sua leitura desse compêndio de Cartas-Arcanas, um mestre iniciado esoterista pode desvelar importantes fatos históricos que o conduzam a fundar, com perfeita ciência e nobre conhecimento, uma Escola de Mistérios, uma verdadeira Fraternidade espiritual; ele pode ainda decifrar os grandes segredos da Alquimia, da Cabala, da Maçonaria e de todas as ordens esotéricas do passado.
Os rosa+cruzes antigos diziam em seus Manifestos: "Temos um livro onde se encontram escritos todos os livros do passado, todos os livros do presente e todos os livros que serão escritos no futuro". Esse livro rosacruz, em um de seus variados aspectos, é o Tarot. De fato, quem conhece o verdadeiro esoterismo, que transcende o exoterismo adivinhatório, dessas Cartas-Arcanas, pode escrever livros imensos, e na quantidade que quiser, abordando os mais variados assuntos espirituais, comentar conhecimentos antigos muito secretos e revelar temas iniciáticos inéditos, que nunca chegaram ao domínio público.
A título de exemplificação de temas totalmente desconhecidos por quaisquer ordens ocidentais consideradas esotéricas ou movimentos espirituais, citamos as Cartas-Arcanas quinta e sétima: O Hierofante e O Carro, que se referem aos Mestres da Fraternidade Universal. As vestes da figura do Hierofante, em alguns baralhos, revelam, em linguagem muito oculta, as datas em que os grandes Enviados da Luz descerão à Terra, para, na carne, revelarem o Ensino Universal Iniciático. Na carta O Carro, há um conjunto de símbolos aplicados nas armaduras de guerra do soldado sobre o carro. Quando esses símbolos são juntados segundo determinadas regras, mostram o Caminho da alma liberta que, ao abandonar a Terra, alcança a Lua e, de lá, atravessando o espaço sideral, segue para o Sol, para o Logos de Deus, a pura Luz.
Aquele que, com sinceridade e firmeza, decidir-se por trilhar o Caminho proposto pela Fraternidade Jessênia, terá acesso aos conhecimentos exotéricos e esotéricos referentes ao Tarot, que contêm muitos segredos difíceis de serem abordados, tais como os mencionados sobre as cartas do Hierofante e do Carro. Para compreendê-los, o pesquisador precisará aprofundar-se na Filosofia Iniciática, nos seus temas ocultos, no seu ensinamento universal e, como diziam os antigos sábios, deverá aprender a ler os sinais secretos e o alfabeto sagrado das obras e desígnios de Deus.
Também a Astrologia, tão explorada exotericamente pelos "espiritualistas da Nova Era", tem um aspecto esotérico muito importante para o verdadeiro buscador da Senda da Luz. Esse tipo humano muito especial não está interessado nas revelações astrológicas de cunho material, nos horóscopos que definem a sorte ou o azar diário de cada signo, suas aventuras comerciais, financeiras ou amorosas, seu destino astral comum e terrestre. O autêntico candidato aos Mistérios está à procura do céu astrológico dos Anjos de Jehováh, de seus desígnios proféticos, de suas forças mágico-redentoras e transmutadoras, pois deseja assimilá-las e por meio delas conduzir a sua alma para a Luz, para o seio da Vida Eterna e Imutável. Ele receberá dos mestres jessênios, em hora propícia, os verdadeiros nomes dos Anjos bíblicos, de suas ordens, os mantras corretos para entrar em sua habitação e deles receber as instruções e interpretações dos desígnios de Deus.
O candidato aos Mistérios também receberá a revelação e interpretação dos Livros de Henoque, onde estão escondidos os segredos acerca dos Anjos e a chave cabalística de cada um deles. Evidentemente que, por se tratar de algo tão sublime e elevado, de forma alguma podemos revelar segredos sem os devidos cuidados. Os Anjos e as Hierarquias angélicas estão, atualmente, mudando a vibração magnética e atômica de seus nomes para não serem tão profanados como vem ocorrendo nas últimas décadas, quando uma descontrolada indústria livresca publica toda sorte de invocações e instruções acerca de rituais, orações e mantras destinados a perturbar a onda de vida angélica. Essa profanação dos segredos angélicos astrológicos era prevista numa obra antiga denominada Evangelho da Pistis Sophia, onde é descrito como Jesus tocou, e ainda toca, o mundo dos astros e de seus regentes invisíveis alterando algo do seu magnetismo. A partir dessa interferência do Cristo, os astrólogos não mais puderam vaticinar com eficiência, nem os magos contar com a força dos astros para praticarem as suas invocações mântricas.
Na indústria livresca exploradora do tema Anjos, encontramos os mais diversos sinais de degradação e profanação dos arcanos secretos e sublimes da Cabaláh rabínica, da Cabaláh cristã e da Gnosis cristã. O pesquisador que acompanhar conosco o ensinamento de diversos cabalistas, de filósofos como Jacob Boehme, Johann Valentin Andreae, Johann Georg Gichtel, Yehuda há-Levi, Pico della Mirandolla, rabi Yehuda ben Esra, Moshê de Cordovero, Issac Luria e outros, perceberá que o ensino esotérico bíblico genuíno aponta para uma direção totalmente diversa da que o ocultismo exotérico indica e divulga com referência aos Anjos. No ensino rabínico cabalístico, por exemplo, é dito que a principal tarefa desses sublimes seres é entoar dia e noite, por toda a eternidade, as Palavras, o Verbo, que Deus pronunciou na Criação, e continua pronunciando, para desse modo transformar paulatinamente a parte dela que, no Paraíso, foi vitimada pelo caos.
Os Anjos são, portanto, seres imutáveis da Luz Celeste, que dia e noite entoam as Palavras de poder, o Som da Voz de Deus e, com essa pronúncia, trabalham nas estruturas acósmicas, dinamizando seus movimentos, alterando seus aspectos siderais segundo suas missões e atribuições divinas, revitalizando suas forças salvíficas, aumentando seus brilhos deíficos, reaquecendo suas chamas. Alguns Anjos, além de exercerem essas tarefas acósmicas, também agem de modo especial em alguns espaços sagrados, cercando-os e cantando no invisível após uma Comunidade de Mistérios reunir-se para pronunciar suas súplicas sagradas. Eles formam o Campo de Forças divino próprio para as realizações mágico-iniciáticas. Somente após o canto desses seres celestes, ensinam os cabalistas gnósticos, é que esses espaços se ligam aos céus acósmicos, formando uma oficina de verdadeira Comunidade de Mistérios.
No Zohar – livro onde a Cabaláh é assentada de modo especial para estudo dos rabinos preparados para uma iniciação – os rabinos cabalistas comentam (II - 156b) o Salmo 23, versículo 5, onde se leem as seguintes palavras de Davi: "Preparas uma mesa ante mim". Eles explicam que a mesa preparada todos os dias pelo homem, em sua casa, capacita-o a alimentar-se de uma outra mesa, a dos Anjos do mundo divino. O texto interroga então: "Mas existe uma mesa preparada para as almas justas no mundo divino futuro? Os Anjos comem nessa mesa também? Sim. É verdade. Os Anjos comem aquele alimento semelhante ao que o povo de Israel comia no deserto. Esse alimento é um símbolo do Rocio que desce de cima, do mistério do mundo divino futuro. É o alimento da luz e o azeite da santa unção. Desse azeite as almas justas obtêm seu sustento no Jardim do Éden e estão plenas de alegria. Pois no jardim do Éden as almas revestem-se de um corpo semelhante ao que possuíam aqui embaixo, mas nos Sabbats e nos dias festivos elas se despojam dessa forma como de um vestido, e sobem até as regiões celestes donde podem contemplar a Deus em sua glória e onde podem saborear as alegrias superiores".
Assim, no Zohar encontramos a doutrina esotérica dos rabinos cabalistas acerca da verdadeira relação entre os Anjos e os homens. Durante as festas ritualísticas do Sabbath[1], quando é preparada uma refeição sagrada com que os judeus se alimentam no sábado, a alma dos justos avançados no discipulado cabalístico pode despir-se da forma corporal perecível e, dotada de outro corpo, de natureza imperecível, subir para os palácios e moradas sagradas de Deus e lá comer o alimento da Luz na companhia dos Anjos.
A Santa Ceia que Jesus instituiu para seus discípulos e para os cristãos da posteridade tem significados e efeitos bastante parecidos com os citados no Zohar. Após a Santa Ceia, Jesus segue para o horto das dores, é aprisionado, crucificado, perde o seu corpo carnal perecível, é jogado num túmulo, e dali, com a ajuda de um Anjo, ressuscita em novo corpo, e depois sobe para perto de Deus, para junto dos seres angélicos santos de Jehováh.
Assim, percebemos que no seu lado esotérico tanto a Cabaláh quanto os Evangelhos, o Tarot e a Astrosofia estão voltados para uma Iniciação, ou seja, para um desenvolvimento que eleva o homem terrestre, mortal, perecível e eivado de erros, à condição de discípulo justo, que, consciente de sua imperfeição, procura avançar no processo libertador. No transcurso dessa jornada, o caminhante mata em si a fraqueza, o erro e a imperfeição, colocando numa cruz o seu corpo imperfeito, fonte de toda ilusão e malignidade. Durante esse processo, ele participa das refeições ritualísticas sagradas, que são um elo mágico, um prelúdio da refeição santa realizada com a Hierarquia Angélica. Nessa refeição, ele recebe processualmente um alimento santo, composto da substância da Luz. Pouco a pouco é tecida sua nova veste, seu novo corpo, com o qual ele ressuscitará e elevar-se-á ao Mundo de Deus.
O Espiritismo, fugindo em parte do dogma católico romano, nega o sacramento da Santa Refeição, o que o afasta da Cabaláh e da Gnosis Cristã, ou seja, do lado esotérico do Judaísmo e do Cristianismo, bem como dos grandes e profundos ensinamentos da Comunidade Essênia. Ele nega também o ensino do secreto e sublime relacionamento mágico entre os Anjos e os iniciados de uma Escola de Mistérios, distanciando-se, portanto, dos aspectos esotéricos da Cabaláh, do Cristianismo Gnóstico e do Essenismo. Em contraparte, o Espiritismo pratica o relacionamento com os mortos, o que a Gnosis, o Maniqueísmo, a Cabaláh e o ensinamento essênio proíbem enfaticamente. A esse respeito, recordemos as regras sob as quais viviam os nazireus, aprendizes de profeta na época do Velho Testamento: eles não podiam ter qualquer contato com os mortos, deviam seguir um vegetarianismo típico de seu sistema iniciático, não consumiam nenhuma bebida embriagante, não cortavam os cabelos da cabeça e do corpo, não tinham contato com mulher menstruada ou com qualquer pessoa doente, nem com feiticeiros invocadores dos mortos.
Por esse ângulo percebemos a diferença entre o Caminho Iniciático, que neste livreto queremos mostrar, e o caminho seguido por religiões exotéricas, que, embora tenham o seu valor científico reconhecido ou busquem constituir-se desses valores, estão distantes dos aspectos esotéricos da Cabaláh, da Astrosofia e do Tarot. Tais aspectos também aparecem nas tradições hindus, na instrução bramânica, na budista, na egípcia dos Mistérios Osirianos ou de Hermes, bem como na instrução persa de Zoroastro. Essa Senda é, portanto, universal, e Platão, Sócrates, Monijiao (Mani), Zoroastro, Pitágoras, Apolônio de Tiana e Jesus foram arautos desse mesmo Caminho.
É importante observar que, segundo o grande o psicólogo Carl Gustav Jung, o Tarot, a Astrosofia e a Gnosis são fontes de conhecimento que exercem fundamental função no que tange a decifrar os sentimentos mais profundos da alma humana. Também os alquimistas – investigadores da matéria e dos processos de transformação do homem nela manifestado, o qual, por essa transformação, é restabelecido na substância da Luz – seguem a mesma Vereda aqui indicada. Profundos investigadores das instruções herméticas, eles aprendem a purgar a matéria de seus elementos trevosos, densos, inferiores, manchados de erro e de imperfeições, tornando-a uma substância menos opositora ao Espírito. Essa é a base por meio da qual os iniciados podem tecer novas vestes corporais e, assim, penetrar nas altas moradas de Deus, nos mundos superiores, e conviver com os Anjos sublimes.
Essa Iniciação clássica, prevista pelos essênios, por Jesus, Monijiao, Moisés, Platão, Zoroastro e muitos outros foi desfigurada, conforme já mencionamos, pelos grupos autointitulados “esotéricos” da Nova Era. O que eles propõem não é sequer o esqueleto do vasto corpo da instrução iniciática antiga, mas uma mistura mística de ensinamentos com predomínio do espiritismo e, portanto, antignóstica.
A Comunidade Jessênia pretende reapresentar para a Nova Era, Aquário, a Sabedoria Antiga em toda a sua pujança original. É evidente que muitos aspectos dessa Iniciação antiga tiveram que se harmonizar com Urano, regente da Era de Aquário, e reaparecem adaptados à vida moderna, altamente apressada e caótica do Ocidente. Não é mais possível ao homem ocidental os mesmos comportamentos e práticas inerentes aos processos iniciáticos de outrora. As Escolas de Mistérios de hoje não podem adotar, por exemplo, os jejuns prolongados, a vida ascética e pobre dos cátaros, dos essênios, dos maniqueus. Tampouco nos processos monistas são viáveis, no Ocidente, as regras dos iogues tibetanos, os detalhes de higiene corporal dos hatha iogues, as meditações e desligamentos sociais dos budistas, a vida filosófica descuidada e alheia aos fatos sociais dos estoicos gregos.
Aquário exige de nós grandes adaptações. Mas no Jessenismo é mantida a essência do ensinamento da Sabedoria Antiga e, como nos elos anteriores da Corrente de Mistérios Gnósticos, os que desejam seguir a Senda Aquariana devem ser exemplos de virtude, de sinceridade, de ampla dedicação à busca da Verdade, de coragem para seguir o Caminho apesar das grandes dificuldades, de firmeza diante das perseguições. Na Comunidade Jessênia, durante o avançar do discípulo e para ele poder participar de uma Távola, também lhe são processualmente colocadas orientações básicas de higiene mental e corporal, de cuidados alimentares mínimos e de manutenção de uma vida discipular inteligente, serena e comedida.
[1] O Sabbath é uma festa ritualística instituída por Moisés. É comemorada pelos judeus a partir do pôr do sol da sexta- feira até o pôr do sol do sábado. Durante essa celebração, o judeu não pode trabalhar ou fazer trabalhar seus empregados e subalternos. Faz parte dela uma série de procedimentos, sendo o mais importante o da Refeição Sabbática. Para os rabinos do Zohar, a refeição sagrada do Sabbath era um elo para se participar da refeição dos Anjos nos palácios celestes, bem como uma preparação para que as almas dos justos abandonassem as suas perecíveis vestes corporais e adquirissem as vestes de luz imperecíveis, através das quais poderiam subir para o mundo das dimensões infinitas onde habita Deus.
CAPÍTULO 3 A INICIAÇÃO JESSÊNIA PARA A ERA DE AQUÁRIO |
Como verificamos na Carta de Contato 1, a Iniciação Gnóstica, em todos os tempos, representa uma poderosa retomada de consciência, uma marcante mudança de personalidade, de ideal de vida, de comportamento psicológico, moral e social. Ela também possibilita ao candidato uma universalidade de conhecimentos filosóficos, científicos, ocultos, religiosos e astrosóficos.
Tais elevados conhecimentos eram transmitidos ao discípulo à medida que sua estrutura mental passava por modificações, por transmutações. Sete faculdades mentais eram trabalhadas nesse processo de modificação e despertar: o Pensamento, a Vontade, o Sentimento, a Razão ou Raciocínio, a Intuição, a Cognição e a Iluminação, as quais eram atacadas em sua natureza terrestre perecível e trevosa, em sua estrutura ilusória, para constituírem-se de agregados da Luz e assimilarem a natureza elevada e sublime da mente de Deus. O resultado dessa transmutação é a conquista da mente abstrata (a mente nous) e de uma saúde nervosa excepcional. Isso significa que o fluido nervoso, específico do sistema nervoso, que Paracelso denominava arqueu, adquire uma qualidade supra-humana, e desenvolve uma atividade curativa, medicinal divina, simbolizada pelo caduceu hermético, pelo bastão rodeado de serpentes. Quem adquire essa faculdade curativa, de autocura, recebe da Alquimia o título de Veritas Medicae, de Terapeuta, pois tanto pode curar-se quanto pode curar outros. Esse poder curador foi trazido pelo Cristo, como se pode observar nos Evangelhos.
O neófito jessênio, desde o início de seu discipulado, recebe instruções alquímicas de preparação e purificação, e gradualmente transforma suas sete faculdades mentais, conseguindo atacar em si toda a maldade e eliminar a base da existência material perecível, corruptível, bem como os elementos que impedem o desenvolvimento de uma compreensão superior. Assim, ele finca, no seu campo astral cardíaco, a cruz que extrai das gretas da matéria uma força luminosa intra-atômica contida no oco do átomo prismático, no espaço nele aberto pelo ibnato. Essa força, que é vida imperecível, sobe para a cruz do discípulo como um rio luminoso e serpentino.
Os rosa+cruzes representam essa Força-Luz como uma roseira que se entrelaça na cruz e oferece sete santas rosas. Ela sobe para o cérebro e encontra-se com o Arqueu. Nesse encontro, perece toda obscuridade, e no sistema cérebro-espinal do neófito vão restando apenas as forças de vida da câmara cardíaca e do novo Arqueu, surgido da purificação e iluminação mental. Em continuidade a esse processo, o santuário pélvico também é expurgado dos aspectos animalescos.
Com a purificação alquímica dos três santuários (cabeça, coração e pélvis), no corpo do discípulo três fontes jorram em grande e magnífico Mistério: a fonte cerebral do Arqueu atômico luminoso; a fonte de vida cardíaca no coração (a Kundalini cardíaca ou força da Joia no Lótus); e a fonte da nova Kundalini no ventre. Essas três fontes são consideradas de forma muito especial na Iniciação Antiga. Tomemos, por exemplo, as instruções de Jesus nos Evangelhos: "Mateus 19:22: há eunucos que nasceram eunucos desde o ventre de sua mãe; há outros eunucos que os homens fizeram tais; e há eunucos que a si mesmo se fizeram eunucos, por amor ao Reino dos Céus. Quem puder receber esse Mistério que o receba". Jesus está explicando sobre a castidade proveniente dos que nascem com deficiência física, sem as gônadas sexuais; dos que foram castrados por homens; e dos que, muito embora mantenham as suas gônadas, por amor ao Reino dos Céus dominam os impulsos animalescos, consoante um processo alquímico. Essa última categoria é a dos discípulos do Caminho Iniciático.
Em Apocalipse 1:14 e 16, a cabeça do gnóstico "brilha como as forças do sol e os olhos derramam chamas de fogo". Em Provérbios 4:23 lemos: "De tudo o que tendes de guardar, guarda o teu coração porque dele procedem as portas da vida". Assim, cabeça, coração e santuário pélvico se tornam pontos de concentração e fontes de forças de luz e fogo divinos. Eles geram o Arqueu[1] (uma força humana transfigurística), a Kundalini da vida (ou cardíaca) e a Kundalini pélvica transmutada. A palavra hindu kundalini significa: kunda, serpente; lini, forças ígneas e luminosas. A kundalini do coração, as forças da vida, sobe para a cabeça durante a fase do processo de transmutação alquímica indicada pelos cristãos como cruz e sepultamento. A kundalini pélvica procura a cruz e o túmulo, erigidos entre o coração e o cérebro, para trazer a ressurreição. Na cabeça, as duas kundalinis transmutadas, a do coração e a pélvica, casam-se numa misteriosa união, e saem pela fronte, acima da raiz do nariz, como Cristo saiu do túmulo. Elas formam a coroa de serpente dos antigos faraós, a coroa uraeus. O Apocalipse denomina "sinal do Filho do Homem" a kundalini saída pela fronte; e os primeiros cristãos, "crista grande ou cristão".
Na Iniciação Clássica, quem desejava candidatar-se aos Mistérios acima referidos, tinha que procurar uma Escola de Mistérios e entrar em seu sagrado recinto templário, onde os Hierofantes sopravam as palavras mágicas da Doutrina Universal. Essa Comunidade sagrada e secreta de discípulos formava-se ao redor desses grandes mestres iniciados.
No Jessenismo foi adotado o mesmo sistema iniciático de formação de Comunidades de Mistérios. São admitidos doze membros estudantes, que formarão um vínculo eterno, uma união sublime, uma Ordem sagrada e altamente secreta, segundo as leis maçônicas dos Salmo 133, que diz: "Ó quão bom e suave é que os irmãos vivam em união. É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes. É como o orvalho de Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali ordena Jehováh a sua bênção e a vida para sempre". Nesse salmo a figura do óleo sobre a cabeça simboliza a kundalini cardíaca unida à kundalini sexual. O orvalho de Hermon é o alimento dos Anjos, que desce sob a forma de bênçãos e vida.
Jesus Cristo também instituiu Távolas. A primeira foi com seus doze discípulos; depois, setenta e dois escolhidos formaram mais seis Távolas sagradas. Esses setenta e dois partiam, de dois em dois, para pregar os ensinamentos de Jesus. Os cristãos gnósticos mantiveram o sistema de grupos duodécuplos, e os jessênios atuais, da mesma forma, têm essa estrutura organizacional.
Quando os membros de um grupo duodécuplo avançam em seu discipulado até o aspecto de Mestre da Candura, revestem-se de autoridade para buscar, cada um, outros doze discípulos. Isso significa que, sem se extinguir, essa Távola pode abrir outras doze, o que totalizará 144 novos integrantes da Fraternidade Jessênia. Havendo 12.000 Távolas, o número de discípulos será de 144.000, conforme é dito em Apocalipse 7:4.
O número 144 é muito sagrado na Tradição Cabalística. Ele indica o nome Adam, que Deus deu ao homem ao soprar as suas narinas para dotá-lo de poder, reinado e força mágicos. Só o grupo duodécuplo que alcançou o Quinto Aspecto do discipulado Jessênio pode levar para a face oculta de Deus a realização do misterioso número 144.
Quando uma Távola se reúne, na realidade ela está formando algo que denominamos templum, isto é, a reunião de vinte e quatro seres: doze homens e doze Anjos ligados aos Mistérios celestes divinos. A peculiar atmosfera dessa reunião resulta em um campo de forças astrais, magnéticas e kundalínicas plerômicas, o qual, com o desenvolvimento dos doze membros, torna-se campo de manifestação da presença de Deus, do Logos e de seus Anjos. Essa é a manifestação da Mercabáh, misteriosa figura cabalística ligada ao arcano-carta sétimo do Tarot, chamado O Carro.
No campo de forças das Távolas, o Graal desce em seus aspectos terapêuticos e permeia a natureza humana inferior de forma a neutralizá-la cada vez mais profundamente. À medida que seus integrantes avançam no discipulado, uma Távola consegue essa neutralização por completo durante todo o período em que ela está reunida, e as forças divinas passam a fluir de forma livre no sistema biológico dos doze discípulos. Nesse momento, é como se o grupo estivesse sorvendo o sangue sagrado de Cristo e comendo o pão descido dos céus. O Graal significa o tríplice coração de Cristo, manifestado primeiramente no coração do Sol, depois no da Terra e no dos doze membros da Távola. Quando os discípulos desenvolvem o Quinto Aspecto, Anjos descem para a Távola, e a Távola sobe para o Reino Angélico. A escada entre ambos é o coração humano, o do Terra e o do Sol.
Esses três corações são três níveis de manifestação do coração de Deus, do Graal e da Presença Divina (Schekináh) no Carro da Glória (Mercabáh). Isso constitui a chave de todas as Iniciações Clássicas. Os antigos egípcios, por exemplo, ao mumificarem os faraós, adotavam uma série de cuidados e providências referentes ao coração das múmias. Isso demonstra a aplicação dos métodos ocultos de transformar esse órgão em Graal. O coração da múmia era posto num vaso ou num cofre, em um ato simbólico para indicar que dali ele deveria descer ao centro da Terra e daí viajar para o Sol, a Barca de Amon-Rá, onde se dava a pesagem dos corações que ali chegavam.
Também nas Távolas jessênias o coração dos seus doze membros é unido ao da Terra e ao do Sol divino. O poder kundalínico de Deus, ou seja, Seu poder luminoso oculto no interior oco atômico da matéria desce primeiro na parte material divina do Coração Solar, o astro-rei da Luz, a forja sagrada onde trabalham os Anjos.
Do coração solar emanou o coração da Terra e o da Lua. Nesses dois astros o Terceiro Logos de Deus, o Espírito Santo, construiu o laboratório de redenção humana, a oficina planetária do poder redentor de Deus. Todo discípulo que deseja ascender ao mundo dos Anjos, ao Reino de Deus, deve levar o seu coração até ao dos Pré-Mynians, dos Mynians e das Távolas. A Távola leva o seu coração, o dos seus doze membros e o dos demais grupos duodécuplos ao coração do Espírito Santo, no centro angélico da Terra e da Lua. Os centros cardíacos terrestre e lunar levam esses corações ao centro da Luz, o Sol, onde está o Verbo de Deus, o Segundo Aspecto da Trindade Santa, e onde o Poder Sonoro da Palavra Criadora existe em sua manifestação plena e eficaz. Essa Palavra Criadora, esse Som Primordial que Deus pronunciou e pronuncia até hoje contém em si a capacidade de fazer surgir na matéria a Luz Divina, a poderosa essência luminosa das palavras de Deus: Fiat Lux, Haja Luz (Gênesis 1:3).
A Comunidade Jessênia ensina que Adão no Paraíso tinha dias divididos em manhã, governada pelo Sol, e tarde, governada pela Lua. Essas duas partes do dia da infinita existência do Homem no Paraíso era governada por esses dois astros, os quais não devem ser tomados como o sol e a lua que conhecemos hoje. Pelo Sol do Paraíso, Adão desfrutava das maravilhas do Éden; pela Lua paradisíaca, ele se aproximava da potência incognoscível de Deus. Foi após a Queda que se iniciou a forma atual de contagem da existência. O sol e a lua que hoje observamos são frutos dessa Queda e, em razão disso, dividem a vida humana em dias duplos, em parte banhados pela claridade solar e em parte banhados pela fraca luz lunar. Pela fraca luz lunar foi estabelecida a noite e o sono humano. As noites e sonos gerados por quaisquer formas de desligar ou afastar o corpo astral de sua câmara no corpo físico são completamente incapazes de levar o homem para o lado potencial incognoscível de Deus.
O pesquisador precisa ter a capacidade de entender o Esoterismo do Vale do Crescente Fértil, a fim de conceber a ideia de que o Fiat Lux gerou no princípio um dia duplo totalmente claro, em que o Homem em nenhum momento perdia a sua conexão com as maravilhas do Paraíso e com o lado potencial de Deus.
O Fiat Lux é o núcleo da Luz no coração solar do Verbo de Deus. Ainda que o simpatizante encontre aqui uma doutrina difícil de ser entendida, deve ter paciência e seguir em seu estudo. A subida espiritual do homem desde a Terra até o Sol, núcleo da Luz divina, é a descrição da misteriosa Mercabáh, considerada pelos mestres cabalistas a última, mais elevada e demorada doutrina a ser revelada ao pupilo.
A expressão Fiat Lux, Haja Luz, contém sete letras que indicam aspectos difíceis de serem entendidos pelo neófito. Toda a criação é regida por leis sétuplas: sete são os dias da semana criacional, o sétimo é o Sabbath, o dia em que a Criação foi concluída; sete Anjos presidiram a Criação, segundo alguns apócrifos judaicos; os Espíritos do Fogo Criador (os Amesha Spenta, no Zoroastrianismo) são em número de sete; o Sistema Solar, no pensamento antigo, contém sete planetas.
O Caminho celeste da alma que deseja seguir até o centro da Luz divina é formado de sete degraus. No Jessenismo, ensinamos que os doze corações de uma Távola (de seus doze membros) devem descer até o coração da Terra e daí percorrer um caminho até o Sol. Do coração da Terra as almas sobem ao coração da Lua, em seguida ao de Vênus, Marte, Mercúrio, Júpiter, Saturno e enfim chegam ao coração do Sol.
Todas as antigas Escolas de Mistérios ensinaram a mesma doutrina, sem nenhuma variação. Elas apenas fizeram, como já dissemos ao longo desta Carta, as adaptações necessárias e as acomodações proféticas que desde a Antiguidade foram preanunciadas. A Escola de Mistérios Jessênia, como atual elo dessas Escolas situado às portas de Aquário, reapresenta esses mesmos ensinamentos com as adequações e novas revelações para o tempo presente.
O discípulo jessênio, a partir do primeiro grau do discipulado, denominado Akoustikoí (ouvinte em grego), terá acesso às lições sobre a sagrada obra hierofântica dos Anjos e dos Iniciados e sobre os aspectos dessa obra que podem ser conhecidos pelo buscador da Verdade. Ele saberá como participar do processo de formação de Távolas e de elevação iniciática interior, como aplicá-lo primeiramente em si mesmo, fazendo a Luz brilhar em seu interior, para depois, junto com os Anjos alquimistas de Deus, agir em toda a natureza, em todo o vasto oceano da Criação divina, nos canteiros celestes, bem como nos obscuros lugares da matéria inferior e caótica.
Cada jessênio dedicado e sério, que verdadeiramente trilha o Caminho Libertador, será um poderoso instrumento da natureza divina, um arauto da Luz, um mago-alquimista de Deus, um mago da Carta-Arcano I do Tarot, que tem sobre sua mesa os naipes de ouros e de copas (a taça), e nas mãos a vara e a espada. Com a espada ele domina o ar, o sopro e a palavra criadora. Na taça, no Graal, ele bebe a água do sagrado batismo misturada ao vinho da ceia (o líquido da ressurreição), recolhe o sangue planetário e solar e o mistura ao seu próprio. Com a vara ele domina o Fogo e a Luz, as sete correntes do Fiat Lux. O resultado dessa alquimia é a moeda de ouro, o ouro da matéria sutil e luminosa, a verdadeira substância da Criação, com a qual o discípulo fabrica as suas vestes reais angélicas perfeitas e imperecíveis.
Quem achar que tal processo alquímico pode ser muito perigoso por exigir uma completa rendição e nova disposição da matéria corporal, bem como das estruturas psicológicas da mente, deve lembrar que a Iniciação exige coragem, audácia, persistência e, sobretudo, total domínio do conhecimento universal, e que a transformação completa daí resultante se dá após o abandono natural, por morte, do corpo físico.
Realmente essa coragem e competência discipulares para as profundas transformações alquímicas da estrutura humana adquiridas na prática da Alquimia Jessênia são qualidades raras que somente o tempo perfila e a maturidade aperfeiçoa. Por isso é natural, e mesmo esperado, que o jessênio caia diversas vezes. Na Comunidade Jessênia, usamos um provérbio oriental para definir essa situação: dizemos que a cada hora cometeremos, como discípulos, noventa e seis erros e apenas quatro acertos. Em outra Carta falaremos desses quatro acertos quando tratarmos das Dez Adesões, entre as quais uma muito especial chamada Silsilah (a fidelidade e gratidão ao trabalho do Hierofante).
Durante o Caminho penoso, o Graal colocado sobre a mesa dos grupos duodécuplos é, na Iniciação Jessênia, o símbolo da terapêutica, da medicina verdadeira, do Consolo auxiliador. Todas as vezes que um Pré-Mynian, um Mynian ou uma Távola se reúnem, forças terapêuticas são produzidas em grande escala e em conformidade com o poder sonoro cabalístico da palavra Ekklesia. O ambiente recebe o puro e poderoso éter nervoso, o Arqueu, como Refeição Sagrada e celeste dada por meio do líquido do Graal.
A taça do Graal desce aos lábios contendo as poderosas ondulações da serpente kundalínica cardíaca, ou seja, o Arqueu traz consigo a própria Luz emanada da matéria laborada pelos Anjos no coração da Terra, e misturados a ela vêm todos os remédios que as estrelas santas podem produzir. Esse é um dos motivos pelos quais a palavra salvação, em hebraico, é próxima da palavra tornar-se são ou curado, tornar-se saudável, livre do mal e das doenças. Para quem sentir que essa tarefa é muito fora do alcance humano, contaremos a história budista do pequeno pássaro.
Certo dia, um pássaro despertou assustado com um grande incêndio que ameaçava destruir a floresta onde ele habitava. Vendo tamanho perigo, voou até um lago, mergulhou nele até encharcar as suas asas e depois seguiu até às labaredas, sacudindo no centro das chamas toda água retida em suas penas. Fez isto tantas vezes e com tanta intrepidez, que os gênios do céu se apiedaram dele e, estendendo suas enormes asas, encharcaram-nas na água do lago e ajudaram o pequeno pássaro a debelar o fogo.
Numa interpretação esotérica, o fogo da referida história indica a vida na matéria ímpia, suas dificuldades, amarguras, doenças, crises e empecilhos. O pássaro é a alma humana, a floresta é o corpo humano e o arqueu nervoso em que ela habita. O lago é a Sabedoria e a Instrução dos Mistérios, por isso ele acumula a substância sagrada que tem o poder de apagar as chamas da vida material amarga e perecível. Os gênios celestes são os Hierofantes e os Santos Anjos de Deus organizados no Pleroma, na Ekklesia e nas Távolas.
[1] O Arqueu é, em um aspecto, uma força humana; e em outro, um Anjo encarregado de medir os esforços de cada discípulo, auxiliando-o no alcance da transfiguração. No Jessenismo, esse Anjo Arqueu é denominado Anjo Fita, em razão de ele ser esse Medidor das obras discipulares para alinhá-las e fazê-las semelhantes à obra arquipontefícia mostrada na figura 4.


Deus, Jesus, Anjos, Pleroma e Ekklesia! Estejam prontos para auxiliarem a alma intrépida.
Amén!